<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861</id><updated>2012-02-17T02:56:50.162Z</updated><title type='text'>A Bela Moleira</title><subtitle type='html'>As viagens são a alegria do moleiro, as viagens! 
A água dá-nos o exemplo das viagens, a água!
Que não descansa noite e dia,
Que só pensa em correr, a água!
Mestre moleiro, bela moleira,
Sede gentis, deixai-me partir e viajar.
(Adaptação livre de um dos poemas de Wilhelm Muller em que que se inspirou Franz Schubert para compor o ciclo de lieder A Bela Moleira)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>133</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1778736033306931478</id><published>2012-02-10T01:13:00.002Z</published><updated>2012-02-10T01:23:32.145Z</updated><title type='text'>CONFLITO DE CIVILIZAÇÕES?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em França, o ministro do Interior, um tipo chamado Claude Guéant provocou intencionalmente, com propósitos eleitoralistas, uma grande tempestade política.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Ser ministro do interior em qualquer país não é função que recomende ninguém e em França os exemplos de que me lembro são de facto sinistros, desde o famoso Raymond Marcelin até ao actual presidente Sarkozy. Por definição, esses tipos têm como principal tarefa as chamadas basses besognes, ou seja, os trabalhos sujos, são lacaios que mandam nas polícias e perseguem os mais indefesos, os mais pobres e desgraçados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este tal de Guéant foi, há poucos dias, à Assembleia Nacional francesa afirmar que as civilizações não são todas equivalentes, trocado por miúdos, para este ministro a civilização ocidental é a civilização ocidental, o resto não merece sequer o nome de civilização. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não afirmou isto por acaso, o seu patrão Sarkozy está em grandes dificuldades para se fazer reeleger como presidente, com a candidata da extrema-direita Marine Le Pen a pisar-lhe os calcanhares nas sondagens. Existe um sério risco que o parceiro preferido da Merkel alemã não consiga sequer ir à 2ª volta das eleições. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, o Guéant, instruído pelo seu patrão, foi caçar nos terrenos da Le Pen, que são os da supremacia francesa em relação aos imigrantes norte-africanos, africanos e outros mais ou menos muçulmanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disse o que tinha a dizer e logo de seguida um deputado socialista da Martinica caiu-lhe em cima e acusou-o praticamente de ser nazi. Os ministros colegas do Guéant ficaram aparentemente lívidos, abandonaram a assembleia, parece que isso tinha acontecido pela última vez há mais de cem anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A esquerda persistiu, não pede desculpa ao ministro acusado, para os socialistas franceses há valores comuns em todas as civilizações. Condenam as afirmações do ministro, choque de civilizações é coisa que conduz à guerra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É verdade que a história lhes dá razão. Mas a história é uma coisa muito complicada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na história da chamada civilização ocidental, em todas as épocas existiram ideologias mais ou menos dominantes e ideologias dominadas e perseguidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve a ideologia católico-apostólico-romana que durou muitos séculos, que criou a inquisição, que queimou milhões de pessoas, que perseguiu tudo e todos que cheirassem a heresia, que enviou cruzados para Jerusalém e, mais tarde, navegadores, guerreiros e missionários para “evangelizarem” os povos bárbaros e pagãos de outros continentes. Gente encarregada de impor a civilização cristã ocidental. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve a ideologia liberal que fundou o capitalismo, os quais duram até hoje, houve a ideologia marxista-leninista que fundou o capitalismo de estado, que ainda hoje sobrevive, pelo menos, na República Popular da China. Houve outras ideologias que, embora menores, tiveram larga repercussão e influência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde a Revolução Francesa, as clivagens entre ideologias alinhavam-se por uma fronteira mais larga, de um lado a esquerda progressista, democrática, revolucionária e proletária, do outro, a direita conservadora, burguesa e exploradora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivemos a queda do muro de Berlim, o fim da URSS, a globalização, a união europeia, o euro, os grandes movimentos migratórios à procura do eldorado europeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora temos a crise do euro, a recessão das principais economias europeias, a próxima bancarrota da Grécia, de Portugal, da Itália e da Espanha, o fim do euro e da velha comunidade económica europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E eis que emergem em todo o seu esplendor os chamados BRICS, as potências emergentes Brasil, Rússia, China, África do Sul, quase todas antigas colónias dos impérios europeus. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dos antigos impérios coloniais europeus emergem ainda muitos outros países prometidos a auspicioso futuro, principalmente países do Pacífico que fazem salivar os EUA em decadência e descrente dos seus velhos aliados europeus. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos também a chamada primavera árabe que tem vindo a arrasar os regimes árabes com mais ou menos petróleo, que durante décadas foram fiéis lacaios das potências ocidentais. Primavera árabe, islamismo, islamismo civilização inferior à civilização ocidental, acrescentará o ministro francês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, está muita coisa a acontecer, há demasiadas incógnitas. Então o sr. Guéant, nas pisadas da sra. Marine Le Pen, sente-se na obrigação de gabar a superioridade da civilização ocidental.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o que prevalece, quando se reflecte sobre as inúmeras afirmações e reacções dos políticos europeus mais ou menos importantes, é que essa gente perdeu o controle, não sabe o que fazer, essa gente está desorientada e entrou em pânico. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O novo presidente do parlamento europeu, que tanto quanto me lembro é socialista e foi eleito há poucos dias, esse cavalheiro do alto da sua arrogância germânica veio criticar o primeiro-ministro português por ter ido a Luanda pedir aos capitalistas angolanos que invistam nas privatizações, que tragam dinheiro para Portugal. Na sua douta opinião, isso é um sintoma de declínio de Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um discurso entaramelado, o homem nem sequer se sabe exprimir, não joga a bota com a perdigota. Mas é presidente do parlamento europeu. Sobretudo é alemão e, assim sendo, acha-se no direito de se meter onde não é chamado. Provavelmente alguém o convenceu que a Grécia tinha passado a ser governada por um comissário alemão e que, assim sendo, tinha chegado a vez de a Alemanha passar a decidir com quem é que o governo português podia falar ou fazer negócios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode também ter a ver com a nostalgia alemã de nunca ter conseguido manter uma colónia muito sua em África. Bem tentaram conquistar Angola, mas apanharam tareia do Roçadas e, logo a seguir, perderam o chamado Sudoeste Africano, agora Namíbia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fechemos o parêntesis das agruras alemãs e voltemos ao choque de civilizações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem é que tem razão? O sr. Guéant ou os socialistas franceses?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho muita pena, mas tenho que me render a algumas evidências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeira evidência: a velha ética capitalista industrial europeia morreu. Era o capitalismo dos patrões de indústria, um sistema dominado por gente que explorava em seu proveito a mão-de-obra e as matérias primas baratas. Mas o sistema era regulado, auto-regulava-se. Civilização ocidental na sua versão burguesa revolucionária. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje estamos à mercê de um novo capitalismo, capitalismo sem regras, capitalismo amoral e selvagem de grandes engenharias, vigarices e ladroagens financeiras, capitalismo anti-social ao qual apenas interessa o lucro fácil e rápido, capitalismo para o qual a democracia é apenas um pormenor facilmente contornável através da corrupção e da manipulação dos meios de comunicação social.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segunda evidência: é este novo modelo de capitalismo, que não é diferente do capitalismo de estado chinês ou russo, que tenderá a globalizar-se à escala mundial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poderemos então falar de diferenças de civilização? Haverá hoje civilizações superiores e civilizações inferiores?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas de que é que estamos a falar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos falar de Hitler e de Churchill, podemos falar de Torquemada e de Lutero, de Estaline e de Ghandi, de Bashar al Assad, de Mubarak, de Ben Ali, de Nelson Mandela e reconhecer facilmente onde está a superioridade civilizacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos comparar Angela Merkel com Barack Obama, com Sílvio Berlusconi, com Nicolas Sarkozy. Podemos comparar os patrões da união europeia com os patrões dos brics. Quais são as diferenças?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Superioridades civilizacionais elas existem, mas não têm a ver com diferenças de cultura, de cor da pele, de geografia, de religião, de riqueza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fronteira que separa os seres humanos continua a ser a mesma de sempre: é a linha que coloca em campos opostos os que estão a favor e os que estão contra a liberdade, a justiça, a democracia, a fraternidade, a solidariedade e o direito à revolta contra a opressão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De que lado está o sr Guéant, o seu patrão Sarkozy e os patrões da união europeia?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-1778736033306931478?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/1778736033306931478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=1778736033306931478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1778736033306931478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1778736033306931478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2012/02/conflito-de-civilizacoes.html' title='CONFLITO DE CIVILIZAÇÕES?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4556488359352697963</id><published>2012-02-06T19:22:00.002Z</published><updated>2012-02-06T19:39:26.519Z</updated><title type='text'>“CUSTE O QUE CUSTAR” OU A ARTE DO GOLPE DE ESTADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As palavras ditas em público pelos políticos servem em geral apenas para ocupar silêncios incómodos ou para enganar as pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os políticos que falam muito e não dizem nada são a grande maioria dos que se passeiam e se exibem na nossa praça. Vendem o seu produto, são como as mulheres que vendem cobertores na feira da ladra. Raramente atingem o talento dessas prestimosas comerciantes, mas lá vão falando e, ao falarem, têm a ilusão de existir.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quantos desses seres falantes permanecem na nossa memória?&lt;br /&gt;É verdade que alguns momentos importantes da nossa história contemporânea ficaram associados a frases com real significado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Creio que foi à varanda norte do Terreiro do Paço que o Salazar, armado em Mussolini, pronunciou a célebre frase “para Angola e com força!” Frase assassina, frase entusiasticamente aplaudida pela grande maioria do bom povo português. Passados cinquenta anos, ainda estamos a sofrer as consequências desse grande entusiasmo colonialista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No mesmo Terreiro do Paço, mas no topo sul, lembro-me também do momento em que o patusco primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo gritou em Novembro de 1975: “é só fumaça, o povo é sereno”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Serenidade aparente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na manhã do dia 25 de Novembro de 1975, tive a oportunidade de ler no semanário francês &lt;em&gt;Le Nouvel Observateur&lt;/em&gt; uma entrevista em que o major (penso que ainda não era coronel) Melo Antunes analisava a situação política e as diferentes movimentações dos sectores em confronto no auge do PREC. E concluía com uma frase que não me saiu da memória: “temos que agir já!”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E agiu de pronto nesse mesmo dia. Tinha tudo preparado. Mandou o Otelo e o Cunhal para casa e pôs na ordem os ultras da direita que queriam fazer uma limpeza ao pessoal “revolucionário”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algumas palavras políticas do actual Presidente da República têm sido fonte de grande perplexidade, mas não vou perder tempo com elas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Prefiro tentar compreender o significado do “custe o que custar” atirado como uma bala, há duas semanas, mais coisa menos coisa, pelo actual Primeiro-Ministro ao Parlamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na mesma ocasião, o Ministro da Defesa também ameaçou. Ameaçou, vejam bem, as elites militares com duas afirmações extraordinárias: 1) a defesa nacional e as forças armadas não são sustentáveis sem profundas reformas; 2) quem não estiver bem, que se vá embora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Juntemos então o “custe o que custar” com a “insustentabilidade das forças armadas” e acrescentemos a essas palavras, inocentemente coincidentes no tempo, as proclamações menos recentes do Primeiro-Ministro contra quaisquer tentativas de tumultos ou de desordens públicas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acrescentemos ainda a tudo isto a chamada balbúrdia dos serviços secretos que se supõe existirem para proteger o país de ameaças externas, mas que realmente consagram o essencial da sua actividade a espiar o chamado “inimigo interno” (sindicatos, cidadãos, partidos, empresas, associações…), lembremo-nos da recente actuação da polícia contra manifestantes pacíficos junto à escadaria de S. Bento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembremo-nos daquela mulherzinha de Tràs-os-Montes que foi presa por causa de umas armas que pertenciam ao filho ausente em França, lembremo-nos daquele sem abrigo condenado por um tribunal por ter sido apanhado à saída dum supermercado com um polvo e outra coisa de que já não me lembro, coisas que, segundo a douta opinião do juiz, seriam para vender e comprar droga. Vale a pena continuar a lista?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O “custe o que custar” do Passos Coelho não apareceu na cena política por acaso. Não é uma palavra para preencher quaisquer silêncios, não é palavra de vendedora de cobertores. É coisa muito séria, porque ameaça o país com um golpe de estado se os cidadãos decidirem contestar convictamente e solidariamente as políticas de austeridade alegremente postas em prática pela troupe no poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O timing da ameaça governamental não tem qualquer mistério. Na guerra social que tem vindo impor ao país, a camarilha que nos governa neutralizou todos os eventuais adversários, a começar pelo bom povo português que se rendeu obediente e conformado à inevitabilidade da terapêutica da austeridade e às vantagens do empobrecimento dos cidadãos e das famílias em geral, com vista à redenção do país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neutralizou os sindicatos e, quanto à esquerda parlamentar n’en parlons pas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O caminho para o golpe está aberto, falta ao governo apenas neutralizar as Forças Armadas. Observemos, pois, com atenção as palavras e os actos do ministro da Defesa. &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Teremos, não teremos o golpe de estado, cujo nome de código é “custe o que custar”? Será que isso depende apenas das forças armadas? Desde quando é que o povo deixou de ser quem mais ordena?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4556488359352697963?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4556488359352697963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4556488359352697963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4556488359352697963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4556488359352697963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2012/02/custe-o-que-custar-ou-arte-do-golpe-de.html' title='“CUSTE O QUE CUSTAR” OU A ARTE DO GOLPE DE ESTADO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-8632785184234132361</id><published>2012-01-17T23:34:00.005Z</published><updated>2012-01-18T00:02:07.992Z</updated><title type='text'>PASTÉIS DE NATA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pGC1Jo5wjII/TxYHuQnOHVI/AAAAAAAAA6U/g7Z4CuZphas/s1600/pasteis211%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5698750869798788434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-pGC1Jo5wjII/TxYHuQnOHVI/AAAAAAAAA6U/g7Z4CuZphas/s400/pasteis211%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Felizmente, seis meses depois de ter entrado em funções, o governo da república começou a dar algumas indicações sobre o que pretende fazer para tirar o país da recessão, da austeridade e da triste companheira de cada vez mais muitos milhares de cidadãos portugueses, a velha miséria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Governo mostra finalmente o caminho, está em marcha um vasto programa de redenção económica e social. Aleluia! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o ministro da economia apresentou-se nas televisões de sorriso aberto e contente consigo próprio. É que estava radioso com o acordo dito tripartido que negociou na chamada concertação social com as organizações que representam os patronatos e os sindicatos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O acordo é fácil de resumir: governo, patrões e uma confederação sindical concordaram em aumentar o tempo de trabalho, facilitar o desemprego e reduzir os salários. Nada de novo, porém. É que este tipo de acordos há muito que se tem repetido, quer o governo seja PS ou PSD. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A condição sine qua non para que tais acordos possam ser considerados tripartidos é a de que por baixo esteja a assinatura da UGT que, como todos sabemos, é a confederação sindical que, além de emanar dos partidos do bloco central, sempre se manifestou simpaticamente deferente perante os desígnios e vontades dos patronatos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As deferências da UGT não podem deixar de ser interpretadas como uma vergonha e traição para o sindicalismo legítimo, aquele sindicalismo histórico que tem a obrigação de estar sempre na primeira linha na luta pelos direitos de quem trabalha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por outras palavras, a UGT aparece nestes processos de assinaturas de acordos tripartidos como uma espécie de loja Mozart travestida em ramo das lojas maçónicas que continuam fiéis à história e aos ideais da maçonaria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A história da UGT tem sido sempre esta, para os seus sindicatos os interesses de quem trabalha não divergem substancialmente dos interesses de quem utiliza a seu belo prazer a força de trabalho, concordam em coro com os patronatos que para criar emprego nada melhor do que flexibilizar as regras do mercado de trabalho, supostamente para fomentar a criação de emprego. Quem trabalha, quem aspira a um emprego que pague a crise, esse é o lema da UGT. Obrigado, engº João Proença! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5698754494464315314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 357px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lGEn9R7P8XY/TxYLBPi0z7I/AAAAAAAAA6g/5Eq2DrRld0c/s400/joao-proenca-padrinho-palhaco%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da economia, o governo estão, pois, contentes, venceram a batalha do consenso social e, assim sendo, vão poder aumentar o tempo de trabalho, vão poder obrigar os trabalhadores a aceitar qualquer trabalho que os patrões lhes imponham, vão permitir que os patrões despeçam empregados que estão a ficar demasiado caros para as suas contas e substituí-los por outros mais de borla. Grande passo no combate à recessão e à austeridade, o governo e os seus parceiros podem estar contentes e radiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No grande plano de recuperação da economia portuguesa que este governo gizou, há, porém, ainda a considerar dois outros pólos importantíssimos: a emigração dos desempregados e os pastéis de nata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Têm sido as duas outras grandes frentes de combate do sr. Passos e companhia no épico caminho pela redenção da economia portuguesa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Duas frentes curiosamente apoiadas por um modelo de marketing desenhado a papel químico pelo exército de assessores de S. Bento, que devem, aliás, graças aos seus méritos, ganhar chorudas e merecidas remunerações. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Essas iluminadas cabeças disseram ao primeiro-ministro, a ideia é simples, pomos um ministro a falar acerca das enormes vantagens dos jovens desempregados emigrarem para os países da CPLP, isto é a primeira fase. Passados poucos dias, o sr PM vem apoiar essa fantástica ideia e procura entusiasmar em particular os professores desempregados a oferecerem os seus préstimos aos países lusófonos. O Brasil é agora a sexta potência económica mundial, é verdade que há lá muitos professores desempregados, mas, ò sr. primeiro-ministro isto é canja, os nossos professores lá se hão-de desenrascar! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O cenário repete-se, como previsto em relação aos pastéis de nata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para produzir pastéis de nata, não é preciso emigrar, basta o franchising. O sr. PM quando vai a Belém, certamente que já deve ter reparado nas enormes bichas de turistas feitos parvos nos passeios à espera da esmola dum pastelinho! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O ministro Álvaro foi o primeiro a achar a ideia genial. Convém acrescentar que a imaginação do homem tem estado em trabalho permanente, precisa de dar nas vistas, senão morre como ministro, tem que apresentar soluções miraculosas. Teve a ideia das concessões de minas. O problema é que nunca mais se ouviu falar disso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Alguém lhe soprou ao ouvido e lá foi ele à televisão, aos jornais, elogiar os famosos pastéis de nata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O sr. Passos, seu chefe, ficou deslumbrado com a ideia e hoje, num gesto de grande cumplicidade, veio confirmar esntusiasmado o grande projecto económico do seu ministro mais problemático: não há nada melhor do que um bom pastel de nata! Comamo-los, exportemo-los, franchisemo-los, tudo isso contribuirá para que a economia portuguesa entre no bom caminho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E, assim, nas vésperas de a Grécia entrar em falência e deixar o caminho aberto para o protagonismo de Portugal no papel de próxima vítima na roleta russa dos defaults, no jogo das especulações das agências de rating e do capitalismo criminoso internacional, o governo PC (P. Coelho), encontrou o seu rumo para a salvação nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Contra a troika, contra as agências de rating, contra a Alemanha, contra Wall Street, contra a falência, marchemos, de pastel de nata na mão, rumo à Terra Prometida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Salvar-nos-emos da bancarrota e, o mais tardar em 2050, o pastel de nata será a pizza dos países agora emergentes que passarão a mandar no mundo global.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-8632785184234132361?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/8632785184234132361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=8632785184234132361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/8632785184234132361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/8632785184234132361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2012/01/pasteis-de-nata.html' title='PASTÉIS DE NATA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pGC1Jo5wjII/TxYHuQnOHVI/AAAAAAAAA6U/g7Z4CuZphas/s72-c/pasteis211%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6918913756330376943</id><published>2012-01-12T23:37:00.002Z</published><updated>2012-01-12T23:45:36.348Z</updated><title type='text'>CUMPLICIDADES MAÇÓNICAS E NÃO SÓ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os jornais e as televisões precisam de leitores, procuram audiências, estão no seu direito. Nas últimas semanas têm falado muito de maçonaria. Talvez tenham razão, talvez esteja em curso uma espécie de guerra entre obediências maçónicas, de cujo desfecho depende o fim da crise financeira e da depressão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por mim, a maçonaria é uma coisa demasiado velha, kitsch. Estou-me nas tintas para histórias de maçons com aventais, tudo isso é ridículo e patético. A única coisa que me chateia é que tenham metido ao barulho o nome do Mozart nesta história de pacóvios. Mozart é Mozart, haja respeito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que ouvi falar de maçonaria, andava no liceu, foi nas &lt;em&gt;Pupilas do Senhor Reitor&lt;/em&gt;, do Júlio Dinis, que é um escritor injustamente esquecido. As histórias de maçons já são muito antigas, há histórias para todos os gostos. Para minha memória pessoal, prefiro reter os maçons setecentistas, a gente iluminista anti-clerical, o pessoal da &lt;em&gt;Enciclopédia&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Júlio Dinis descrevia um conflito numa aldeia do Minho, já não me lembro muito bem onde, um conflito, resumamos entre tradição e modernidade a propósito dos cemitérios, o que no caso significava uma espécie de guerra entre conservadores ligados á Igreja Católica e liberais estrangeirados, os chamados pedreiros-livres. Nessa época era este o nome dos maçons. Maçon igual a pedreiro, a ideia maçónica vinha de França.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vou perder muito tempo com a história dos pedreiros-livres portugueses. Haveria tanta coisa para dizer. Mas, en passant, não resisto a lembrar que a primeira república começou com o assassinato do rei e do príncipe herdeiro, crimes cometidos por maçons, e que essa república foi um verdadeiro desastre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se nos vêm agora chatear com histórias de maçons social-democratas psd ou o que é que isso queira dizer, resumamos bloco central, de pedreiros que andam por aí à solta, a minha reacção óbvia é que o problema não está em haver gente que se presta a rituais e a proclamações ridículas, vestidos de avental. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, tudo isso, que em si é patético, é principalmente sinistro e preocupante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Preocupante porque revela que desde há muitos anos a esta parte, desde que se inventou a democracia em Portugal, se têm constituído grupos corruptos e criminosos que têm agido à sombra e na intersecção dos poderes do Estado com o objectivo de conseguirem poder e benefícios para si próprios e para os seus amigos. E muita dessa gente tem agido concertadamente nos meios maçónicos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas no essencial o que há a reter é que o assalto ao Estado tem sido obra de associações de criminosos tolerados pela justiça que nunca se dignou sequer fazer semblante de os perseguir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um facto indubitável, na sucessão interminável de histórias de corrupção e de confiscação da democracia, muitos dos seus protagonistas poderão ser gente da maçonaria. Consideremos, porém, que a verdadeira dimensão do confisco irá muito para além dos maçons. Trata-se, sobretudo, de bandos de mafiosos do bloco político que tem dominado ininterruptamente a política portuguesa desde Novembro de 1975.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando foi tornada pública a história daquele fulano que dirigia os serviços secretos que decidiu demitir-se, a pouco tempo de se realizar em Lisboa a cimeira da Nato, alegando para o efeito falta de recursos, e que depois se percebeu que o homem se tinha demitido para entrar numa empresa de nome inglês e de contornos misteriosos, a tal de Ongoing - going para onde? – escreveu-se aqui neste blog que esse cavalheiro era um traidor à Pátria e que devia ser julgado por um tribunal marcial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas onde é que está a Pátria, onde é que está a tal de justiça, onde é que estão os governos que defendem a Pátria e a nação?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vértice do aparelho de Estado tem sido controlado sistematicamente por grupos de corruptos mafiosos, com os resultados que estão à vista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão que se coloca agora, com todos estes folclores de maçonarias, nesta época a que chegámos, época em que os mais fortes todos os dias extinguem os direitos dos mais démunis e mais fracos e que reservam para si os mais altos salários, rendimentos e benefícios, nesta época em que aqueles que todos dias trabalham por salários cada vez mais baixos ou que todos os dias procuram um emprego impossível e rezam a um deus desconhecido para que não se esqueça deles e os ajude no pânico e nas privações em que vivem, nesta época desgraçada, a questão que se coloca é inevitável: até quando é que isto vai continuar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A crise da dívida soberana está no auge. Haverá algum dia, alguém, algum político neste país capaz e com coragem para extrair com toda a legitimidade democrática as consequências que se impõem quanto aos actos da canalha que tomou conta do vértice e dos interesses de Estado do país humilhado e castigado que somos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As narrativas, como agora se diz, as efabulações com que se adormece o povo têm uma vantagem óbvia, elas fazem-nos esquecer a crise, fazem-nos esquecer os criminosos da crise.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há muita gente corrupta e sem escrúpulos para meter na cadeia, não estou a pensar no pessoal que dinamita caixas de multibanco. Estou a pensar principalmente em políticos. Não vou fazer uma lista, isso iria levar muito tempo e seria certamente inútil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou a pensar na nova classe de poderosos que nos governa, neste bando de malfeitores agora confortavelmente instalado no poder, bando que justifica os seus proveitos graças à democracia, que manda no parlamento, que manda no governo, que impõe novos impostos e rouba as pessoas com menos recursos, bando que prepara o assalto dos banqueiros à Segurança Social, que aumenta as taxas moderadoras, que distribui tachos milionários pelos amigos, que agradece à crise da dívida soberana a extraordinária oportunidade de poderem fazer fortuna.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos confrontados com um problema crucial e definitivo, que é o da total impunidade destes bandos que controlam o poder. Maçonarias, máfias, chamem-lhe o que quiserem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A justiça e a democracia são incapazes de neutralizar essa gente e metê-los na cadeia. Pensemos, pois, em soluções alternativas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6918913756330376943?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6918913756330376943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6918913756330376943' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6918913756330376943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6918913756330376943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2012/01/cumplicidades-maconicas-e-nao-so.html' title='CUMPLICIDADES MAÇÓNICAS E NÃO SÓ'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6890269341498569471</id><published>2011-12-14T01:06:00.002Z</published><updated>2011-12-14T01:13:50.494Z</updated><title type='text'>LIÇÕES BRITÂNICAS SOBRE AS CRISES DE SOBERANIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Os resultados da cimeira europeia de 9 de Dezembro, apresentada por Sarkozy como a cimeira da última oportunidade, suscitaram uma torrente de comentários entusiásticos. Pareceu-me tudo um bocado forçado e prematuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passado o fim-de-semana, a maré dos encómios parece ter arrefecido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira, as bolsas avermelharam, na terça continuam vermelhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda na segunda-feira, o provável próximo presidente francês François Hollande veio declarar quase solenemente que, se for eleito, vai renegociar aquela coisa que foi acordada na dita cimeira, sob imposição da Alemanha, coisa que não é um tratado, mas que alguns insistem em designar como tratado inter-governamental, como se tal coisa existisse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a nota dominante do pós-cimeira foi a grande ofensiva mediática contra o Cameron inglês. O próprio vice-primeiro-ministro inglês liberal malhou no homem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo muito sintomático do clima de medo e de pânico a que chegaram os euro-entusiastas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Propaganda anti-inglesa à parte, ainda não se sabe quantos países é que afinal vão assinar a tal coisa. São 26 ou, afinal apenas 23, ou, sabe-se lá, talvez menos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que se deve reter de toda esta história de cimeiras da última oportunidade? Por mim, vale a pena reter principalmente algumas lições britânicas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeira lição: quando, no início do século XIII, o parlamento inglês impôs a Magna Carta ao rei João Sem Terra, ficou então assente que ninguém, seja quem for e quaisquer que sejam as circunstâncias, está mandatado para exercer o principal acto de soberania de um país, o qual consiste em fixar e aprovar impostos. E ficou escrito que tal acto pertence exclusivamente ao parlamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na circunstância da dita cimeira de 9 de Dezembro, poderia o primeiro-ministro inglês, Cameron or not, convidar a doutora chanceler alemã Merkel para ser ela a decidir sobre o orçamento do Reino Unido, país que teve o privilégio histórico de impor há oito séculos a Magna Carta ao Joãozinho sem terra?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segunda lição, que não foi devidamente ponderada, apesar do actual desastre resultante de anos e anos de fantasias comunitárias europeias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os mandões da chamada união europeia, cujo aparelho de propaganda desencadeou uma operação sem precedentes contra o primeiro-ministro inglês, deviam dar-se por felizes por terem o Cameron em Downing Street. É que, no limite a que as coisas chegaram e face ao que pensa a opinião pública britânica, ele é o único político que tem neste momento capacidade para impedir que o United Kingdom saia da tal de união europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém – e essa é a grande, a verdadeira grande questão - resta saber de que união se trata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ocasião é propícia para se debater, pela primeira vez discute-se a Europa. Debata-se, então, a Europa, ou seja, passemos das abstracções que nos têm sido impingidas pelos burocratas de Bruxelas ao longo dos anos e pensemos a Europa real.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Europa não existe, existem várias e elas são todas muito diferentes. Existem interesses comuns? Existem alguns, claro, esqueçamos as guerras. O principal e óbvio interesse comum inter-europeu, o interesse decisivo é o comércio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O comércio não envolve apenas transacções de coisas e de serviços, o comércio tem a ver com pessoas e com culturas, ele é a mais pacífica e profícua das actividades inventadas pelos homens. Sejamos, pois, realistas, apostemos no comércio entre europeus como base para um entendimento pacífico entre as nações do velho continente. Aprofundemos esse entendimento em bases sólidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terceira lição inglesa, consequência da anterior. Os british estão muito interessados em pertencer a um conglomerado europeu, que dantes se chamava Mercado Único Europeu e que depois derivou para perigosas fantasias, a mais perigosa das quais é a chamada moeda única, o fatídico euro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estão interessados em comerciar com os outros europeus, mas não prescindem da sua moeda. Estão interessados em manter relações económicas e culturais com os seus vizinhos do continente, mas não aderiram nem vão aderir ao chamado espaço Shengen.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez outros países queiram ter entre si uma moeda comum, talvez não se importem de abrir as suas fronteiras. Entendam-se, aprendam a conhecer-se. Mas, para isso, não é preciso fundar um bloco granítico, estilo império germânico. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Cameron e a maioria dos ingleses estão interessados na convivência com o pessoal do “continente”, mas não querem blocos, querem continuar a ser british, não querem patrões. Querem continuar livres e soberanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca renunciarão aos princípios básicos da democracia moderna que eles fundaram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuam a ser uma peça-chave da liberdade dos povos europeus e, por isso, de algum modo todos os europeus se devem sentir ingleses. Os europeus com memória continuam a reverenciar Winston Churchill. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que os povos do continente apreendam a lição da democracia britânica e não se deixem intimidar pela polícia germânica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Polícia germânica, vem a propósito para um último comentário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez a cimeira de 9 de Dezembro tenha sido a da última oportunidade.&lt;br /&gt;Da última oportunidade para a Alemanha, entenda-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A chanceler Merkel conseguiu nessa reunião do tudo ou nada exactamente tudo o que queria, impôs a sua vontade, esticou a corda até aos limites. Penso, no entanto, que foi uma jogada demasiado arriscada, que poderá virar-se contra os interesses da vontade de poder germânica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A disciplina, as invasões de soberania e as punições impostas pelos alemães vão ser um fiasco. A disciplina alemã não vai resolver a crise chamada de dívida soberana, que na realidade é uma crise social que não contempla últimas oportunidades para muitos e muitos desgraçados. Vai provocar revolta e miséria, miséria e revolta. Belo cocktail!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falhando a disciplina alemã da última oportunidade imposta aos países europeus com a corda na garganta, o que é que tem a Alemanha para oferecer? Terá um plano B (C, D…)?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6890269341498569471?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6890269341498569471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6890269341498569471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6890269341498569471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6890269341498569471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/12/licoes-britanicas-sobre-as-crises-de.html' title='LIÇÕES BRITÂNICAS SOBRE AS CRISES DE SOBERANIA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7104335310216113190</id><published>2011-12-09T23:27:00.002Z</published><updated>2011-12-09T23:36:17.859Z</updated><title type='text'>GOD SAVE THE QUEEN!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Quatro da manhã, hora fatídica, apareceu-me o Sarkozy na televisão. A culpa não será apenas da insónia propriamente dita. Porque cada insónia tem a sua explicação. Talvez tenha que desligar na minha cabeça o interruptor das cimeiras da chamada união europeia. Porque daí não sai nada que valha a pena e muito menos coisa que substitua uma noite de descanso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá estava o Nicolas dos anúncios do licor beirão, em Bruxelas eram cinco da matina, o homem tinha um ar cansado mas estava perfeitamente desbarbeado e penteado, imagino que terá também sido massajado, ser presidente tem exigências mas também as suas compensações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava em Bruxelas e apareceu no ecrã emoldurado pela bandeira francesa tricolor, parecia que estava em casa. Nos últimos tempos, esta cena tem-se repetido, ele com a bandeira tricolor ao lado a explicar o inexplicável e a defender tudo e mais alguma coisa e o seu contrário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio da minha insónia, esforcei-me por perceber o que é que o homem tinha de importante para anunciar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respondeu a muitas perguntas de jornalistas, repetiu-se, mas as perguntas que eu gostaria de lhe fazer não tiveram resposta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sobre o reforço do papel do BCE e sobre as &lt;em&gt;euro-bonds&lt;/em&gt;, o homem não foi explícito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deixou cair a certa altura que o BCE ia passar a emprestar directamente dinheiro aos bancos europeus à taxa de 1% e que esses bancos poderiam comprar dívida aos respectivos governos, o que obviamente teria inúmeras vantagens, em particular a de por à disposição dos governos em dificuldade taxas de juro muito mais favoráveis do que as que são praticadas pelos famigerados mercados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Nicolas disse isto entre as quatro e as cinco da manhã, hora portuguesa, mas esta versão não foi confirmada por mais ninguém. Deve, pois, ser treta explicável pelo adiantado da hora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesta sexta-feira negra anunciada como a da salvação do euro, o que eu ouvi, algumas horas depois da performance sarkosiana, é que o BCE ia emprestar até 200 mil milhões de euros ao FMI, para que, na posse de tão extraordinária quantia, essa venerável instituição se digne impor a alguns países europeus em dificuldades a oportunidade de se submeterem às draconianas condições, incluindo taxa de juros, do fundo da sra. Lagarde, sucessora do saudoso DSK.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ò Sarkozy, apesar de devidamente escanhoado e maçajado às 5 da manhã, hora de Bruxelas, não conseguiste, em directo para as televisões, disfarçar que estavas mesmo chateado. Tinhas razões de sobra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chateado, impotente e a fazer um triste papel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É inevitável, a cimeira desta negra madrugada de 9 de Dezembro de 2011 vai ser uma triste recordação para ti, Nicolas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Repara bem, a doutora em Física, ex cidadã RDA e actualmente chanceler alemã Angela Merkel conseguiu obter nesta infernal cimeira aquilo que nenhum outro chanceler alemão seu antecessor conseguiu. A mulher tem mérito, conseguiu pôr a Europa de joelhos. E tu ajudaste, Nicolas, é o teu karma!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Repara bem, Nicolas, não houve propriamente nada de novo quanto aos tratados europeus de que tanto se tem falado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que foi decidido nesta madrugada negra quanto ao essencial das punições, regras e consequências para quem não cumpre os pactos de estabilidade e crescimento, vulgo PEC’S, tudo isso já está previsto no tratado de Maastrich, cidade holandesa de triste memória.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros e únicos que prevaricaram contra esse tratado foram, aliás, a Alemanha e a França. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resumamos, Alemanha e França têm esta tradição de países com aspirações imperialistas que é a de imporem regras e castigos aos países menores que não sabem obedecer às regras. Obviamente, essas regras não são aplicáveis a quem tem autoridade para mandar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que há então de novo no novo projecto de tratado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que há de novo é que quem assinar o dito tratado vai assumir explicitamente e sem qualquer margem para dúvidas que doravante se submete ao domínio germânico sobre a Europa. Passa a haver uma lei, a lei de Berlim e em breve a língua dominante passará a ser o alemão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percebo que estejas chateado, Nicolas. Tens andado a fazer figura de parvo e, nas próximas eleições, em Abril vai-te acontecer o mesmo que aconteceu ao Lionel Jospin em 2002, quando ele ficou atrás do LePen e não foi à segunda volta das eleições com o Chirac.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez porque estava apanhado no meio da minha insónia televisiva, tive a sensação de que havia muitas coisas importantes que estavam a acontecer e sobre as quais não conseguia encontrar explicação. É natural, a televisão é apenas uma mise-en-scène para durar meia hora, é coisa que se usa e logo a seguir se deita fora, prazo de validade efémero.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, antes de voltar a adormecer, ficou a trotar na minha cabeça uma questão óbvia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os países que vão assinar, até Março, o tal de novo tratado – que, de facto, não é novo – aceitam ser punidos por incumprimento das regras estipuladas pelo tal tratado – regras que já existem desde Maastrich. As punições poderão ir desde o pagamento de multas até a perda de direitos de voto e coisas no género.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é que acontece se um determinado país chegar à conclusão que já não está interessado em continuar no euro ou na UE?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tratado é omisso sobre essa hipótese.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando foi da história do referendo grego do Papandreou, a Merkel e o Sarkozy deram a sua sentença: se a resposta grega fosse desfavorável, os gregos tinham que sair do euro. Ora isso, não estava previsto nos tratados e o primeiro a chamar a atenção para a incongruência franco-germânica foi o novo presidente do BCE, o italiano Mário Draghi. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que diz o novo trado sobre isso? É omisso, ou seja, se assinas o tratado germânico-francês, sujeitas-te para toda a vida a andar a pagar multas e a ser escravo, sem direitos, só obrigações, só punições. Ou obedeces, ou és invadido e ocupado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A União Soviética, ao pé disto, foi um império democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outras palavras, saberão os países europeus, que não pertencem à elite dos países nórdicos virtuosos que, no momento em que assinarem o supostamente novo tratado, estarão a assinar a sentença de morte da sua liberdade e da sua soberania? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perceberão que essa assinatura não lhes deixa qualquer margem de recuo em relação às imposições do euro e da ditadura germânica?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, a maior parte dos representantes dos países que estiveram na cerimónia da sexta-feira negra de Bruxelas não conseguem ou não querem perceber, fazem cálculos, fantasiam, para eles o euro é uma espécie de pai natal, acreditam, fazem sorrisos parvos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ò Nicolas, fizeste um triste papel e tens consciência disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que te custou mais a engolir foi que o Cameron inglês te tenha mandado dar uma volta a ti e ao teu tratado germânico. Será que pensaste em Vichy e no Pétain?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Cameron é o Cameron, é a burguesia conservadora britânica, a da Thatcher. Deus lhes perdõe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, no transe que estamos a viver neste para já desgraçado novo século e milénio, tal como em 1939, do que precisamos é duma frente de recusa de ditaduras continentais e de neo-fascismos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Valha-nos, pois, a velha Albion. God save the Queen!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7104335310216113190?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7104335310216113190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7104335310216113190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7104335310216113190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7104335310216113190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/12/god-save-queen.html' title='GOD SAVE THE QUEEN!'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4365919795249672357</id><published>2011-11-28T23:32:00.002Z</published><updated>2011-11-28T23:41:31.791Z</updated><title type='text'>FERIADOS E LITURGIAS DE SUBMISSÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta história dos feriados que o governo quer abolir é uma triste história. Triste história dum país cada vez mais triste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos um governo de direita dura, direita duramente neo-liberal. Há muitos governos desses por aí, por essa Europa à deriva e à beira do abismo do default.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje uma das célebres agências de salteadores internacionalmente reconhecidas e receadas, a Moody’s, veio anunciar que o tal de default, falência, bancarrota, falta de dinheiro é o que quer dizer a palavra inglesa, o tal default ameaçava toda a zona euro, incluindo obviamente a Deutschland über alles. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Moody´s não mencionou explicitamente os outros 10 países europeus da ex-CEE. Esqueceu-os, mas não devia esquecer, porque esses países estão todos na bicha (passe a palavra) do tal de default. Como por exemplo, a Inglaterra e a Hungria, já para não falar da Roménia e da Bulgária, mas estes são países onde 99% da população há muitos anos vive na miséria do default, ou seja, gente que não tem que comer. Adelante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos então o nosso democrático governo de direita, fidelíssimo governo de sua majestade frau Merkel, ela diz mata-se, o Coelho diz esfola-se (credo, sr. Coelho, que raio de ideia!). A sra. Merkel é contra os eurobonds, o sr. Coelho acrescenta: abaixo essa perigosa heresia! A sra. Merkel bate com o punho na mesa, o BCE apenas tem que se preocupar com a inflação e a estabilidade dos preços, o sr. Passos aplaude desmedido e eufórico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A CGTP e a UGT organizam a greve geral, muito povo segue, muito povo luta e até alguns vêm para a rua, o sr. Coelho não fica nada preocupado, sente que tem o dever cumprido, é um bom aluno mais merkelista e troikista do que os seus patronos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isto, esta história da euro-zona, da UE, está tudo a ir na enxurrada duma tempestade tsunâmica que ninguém já consegue evitar, nem o Obama, nem a Merkel, nem o Monti, nem o fantasma do Mao Tse Tung. E nada do que se passa aqui neste Portugal à beira do mar da palha e do fado património “mundial”, nada é relevante, tudo o que vier a acontecer vai acontecer vindo de fora. Vai vir de onde? Sabe-se lá? Do Olimpo dos deuses do rating, da especulação, da ladroagem, aceitam-se apostas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quantos viverão para contar tal história só digna de Ulisses e de Homero?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O primeiro-ministro português impõs o seu orçamento made by the troika, discutiu-se, mas só se falou dos cortes dos subsídios de natal e de férias, falou-se dos cortes contra os quais o novo líder do povo da esquerda popular e democrática PS concentrou os seus esforços tácticos de político que quer sobreviver. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não se falou do resto, dos cortes na educação, na saúde, na cultura, nos transportes públicos and so on e principalmente esqueceu-se o mais importante: por que hão-de ser os reformados e os baixos salários a pagar a crise?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trabalham ou trabalharam pouco, trabalham ou trabalharam mal e, por isso, têm que ser castigados?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A classe dominante tem todos os poderes, não apenas o de ter muito dinheiro e muito poder sobre o dinheiro, sobre os empregos, sobre os benefícios, sobre os tachos, sobre os subsídios, sobre as derrogações aos planos municipais para favorecer os amigos que querem construir um pequeno empreendimento turístico em zona ambiental protegida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Têm esses e muitos outros poderes, mas de todos o mais criminoso é o que consiste em conseguir convencer, através das suas televisões e outros mass media, aqueles que são a maioria da população, aqueles pobres desgraçados, que trabalharam uma vida inteira, que mal ganhavam ou mal ganham para se sustentarem a si próprios e à sua família, conseguir convencê-los que eles não trabalham ou não trabalharam o suficiente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Convencê-los que eles são os responsáveis do “empobrecimento” de que nos fala com voz meiga o sr. Coelho primeiro-ministro, e que, assim sendo, têm que se esforçar e que se sacrificar muito mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que poder o dessa gente que apenas tem sabido roubar e explorar, o poder de serem capazes de conseguir que os desgraçados que exploraram e que continuam a explorar se deixem convencer e assumir que têm a obrigação de aguentar e de se sacrificarem mais ainda. Tenho assistido a exemplos disso na televisão. Grau máximo da ignomínia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Têm que trabalhar mais tempo, é isso, têm que se sacrificar muito mais, Deus é grande!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais meia-hora diária, talvez uma ou duas horas daqui a uns meses, o patrão agradece, obrigado sr. Coelho!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar mais dias por ano, ter menos feriados, menos pontes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acabe-se, pois, com os feriados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Triste história, diria triste fado, este dos feriados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num estado laico, mas é um estado laico com muitas excepções vaticânicas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas cerimónias oficiais, lá temos quase sempre numa mesinha ao lado mas em cima do palco o sr. Bispo da diocese ou o sr. Cardeal. Tudo como no tempo do dr. Salazar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dos mesmos tempos, herdámos o Dia do Corpo de Deus – alguém sabe o que é que isso quer dizer? – e o dia da Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto). Nesse dia de ferragosto, pico do Verão, o povo fica a olhar para o céu tentando vislumbrar o foguetão que leva os anjos que seguram a Nossa Senhora em direcção ao céu. Valha-nos a Virgem Santíssima! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca percebi por que razão é que em vez deste dia 15 de Agosto, não se celebrava o dia anterior, 14 de Agosto, aniversário da grande batalha de Aljubarrota, que selou para sempre o destino de Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Dezembro temos mais um feriado religioso, em que se comemora a mesma senhora santa da dita assunção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas nesta data, a santa senhora chama-se Senhora da Conceição. Conceição, concepção, nunca percebi como é que a mãe de Jesus Cristo conseguiu ficar grávida no dia 8 de Dezembro e dar à luz passadas pouco menos de duas semanas. O Papa é infalível, deve ter uma resposta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A esta lista de feriados religiosos acrescem ainda a sexta-feira santa e a Páscoa (mas este é um feriado que calha sempre ao domingo), o dia de Natal e o 1º de Janeiro que também é um feriado religioso, dia da paz ou coisa parecida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todo este calendário de feriados religiosos já vem muito de trás. Não tenho nada contra, nada contra o direito à preguiça, como diria o ilustre Paul Lafargue, ilustre genro do ilustre Karl Marx.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, se querem acabar com os feriados e castigar o desgraçado povo que trabalha todos os dias úteis do anos, castigá-lo com a sem esperança de um pequeno feriado de tempos a tempos, então acabem com todos os feriados religiosos. Deixem-nos apenas o Natal, pois, além de feriado religioso, é um dia feriado que alimenta muitos empregos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, atenção srs. vassalos da Frau Merkel, não toquem nos feriados civis. Pequena excepção: porque se trata de um feriado concebido para que a nomenklatura que nos explora se possa pavonear em nome da nação que eles desprezam, não tenho nada contra que acabem com o 10 de Junho, dia da raça, Cavaco dixit, dia de Camões e de mais não sei o quê. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que correm, tempos de abismo euro-europeu, com as fronteiras que de novo de vão fechar e de nacionalismos à solta, não nos retirem os símbolos da nossa independência e da nossa identidade, não toquem no 25 de Abril nem no 1º de Maio. E, em homenagem à República laica de 1910 deixem em paz o 5 de Outubro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao 1º de Dezembro, dia da restauração, mais do que nunca se impõe que se mantenha esse símbolo da nossa sofrida história, para que continuemos independentes e orgulhosos da nossa soberania. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se querem ir mais longe na memória do país mais antigo da Europa, então substituam o 1º de Dezembro pelo dia 6 de Abril, dia que evoca o ano de 1385, quando o povo português, contra as pretensões do rei de Castela, proclamou nas Cortes de Coimbra o Mestre de Avis como Rei de Portugal e dos Algarves.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história deste antigo país recordar-vos-á, sr. Coelho e apaniguados, em três linhas de nota de pé de página. Resta-me, pelo menos, essa consolação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4365919795249672357?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4365919795249672357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4365919795249672357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4365919795249672357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4365919795249672357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/feriados-e-liturgias-de-submissao.html' title='FERIADOS E LITURGIAS DE SUBMISSÃO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-613896106013178574</id><published>2011-11-23T23:38:00.000Z</published><updated>2011-11-23T23:39:27.777Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-613896106013178574?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/613896106013178574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=613896106013178574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/613896106013178574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/613896106013178574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4335381655398986249</id><published>2011-11-23T23:28:00.001Z</published><updated>2011-11-23T23:48:22.276Z</updated><title type='text'>“NOVO RUMO” OU “RUMO À VITÓRIA”?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A política de esquerda à portuguesa, além de cansativa e demasiado previsível, parece-se cada vez mais com um recreio de escola, com os miúdos a brincarem e a agredirem-se uns aos outros, é verdade que dali não vem mal ao mundo, na pior das hipóteses, vai ficar tudo na mesma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A esquerda portuguesa, essa é a tradição, está cheia de boas intenções e de ideias gerais generosas. Com alguma frequência e ritmo ao jeito de um baile bem ordenado, lá vão aparecendo os eventos, como agora se diz, em que a dita esquerda manda mensagens supostamente dirigidas ao povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me estou a referir às procissões que desfilam aprumadas e gloriosas pela avenida da Liberdade abaixo. Gloriosa avenida da gloriosa liberdade!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procissões sindicais, na maior parte das vezes, procissões partidárias exclusivas do PCP pois nenhum outro partido tem capacidade para se aventurar por um espaço tão largo e interminável. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Procissões de professores ou de indignados cuja metafísica política nos deixa frustrados, porque não sabemos afinal quais são as causas que levam esta gente a vir para a rua atrapalhar o trânsito?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou a pensar numa simples folha A4, um daqueles espaços em branco que acabam por ser preenchidos por alguma mente de esquerda subitamente inspirada por uma ideia genial, agora é que vai ser. Gente inspirada, não diria pelo espírito santo, mas suficientemente motivada e disponível para reunir um pequeno grupo de apaniguados, de compinchas decididos a agitar as massas para as grandes tarefas urgentes e inadiáveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivemos hoje o último exemplo, muito interessante, desta vocação e destino do activismo português de esquerda em prol das grandes causas. O apelo dado à estampa na comunicação social de hoje, designado de &lt;em&gt;Novo Rumo&lt;/em&gt; começa por ser um documento sociológico. É encabeçado por Mário Soares e é subscrito por alguns ilustres uns mais desconhecidos que conhecidos, tanto quanto percebi, tudo gente da área socialista, ou seja, afecta ao grande partido socrático da esquerda popular e democrática.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer documento político que se apresente como apelo às massas, o tal de &lt;em&gt;Novo Rumo&lt;/em&gt; tem ditos e não-ditos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imagino a sua factura como o resultado de uma espécie de recreio inter-geracional, com miúdos acabados de sair da faculdade e que esperam tornar-se pessoas importantes altamente consideradas, secundados por gente já mais madura e bem instalada mas que continua a cultivar o hobby de uma sociedade melhor, tudo gente tutelada por alguns seniores sobreviventes e teimosos, senadores que não desistiram de se mostrar, de dar a sua opinião. Com plenos direitos de cidadania, quem é que vai contestar isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além do carácter de óbvio exercício de divertimento recreativo, o documento é uma espécie de pot pourri dirigido às crianças pagãs que frequentam aulas de catequese. Não se auguram muitas conversões à verdade e fé teológicas que são propagandeadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira…” proclamam os autores. Olhe que não, Dr. Mário Soares, olhe que não! Como é que vamos deixar de ser impávidos? Tem alguma solução miraculosa contra a impavidez? Olhos os olhos, diga-me lá, o que é que vai fazer para encerrar tal espectáculo? Aviões em zona de exclusão aérea?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percebi que o que preocupa os autores do apelo é principalmente que tal anarquia coloque “em causa a sobrevivência da União Europeia”. Criticam a dita união por ter acordado “tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tais preocupações são-me totalmente indiferentes, estou-me completa e definitivamente nas tintas quanto ao eventual futuro da união soviética europeia. As razões de tal indiferença já aqui foram explicadas, porventura com demasiada insistência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ò Dr. Soares, wake up! Dos políticos europeus no activo. V. Exa. é um dos últimos que teve a oportunidade de frequentar e de conhecer, diria eu intimamente, alguns dos principais líderes europeus. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, Dr. Mário Soares ainda não percebeu que esta história da crise das dívidas soberanas europeias que tem servido para justificar o cerco político-financeiro aos chamados países periféricos da Europa, tudo isso não passa afinal dum complot da frau Merkel e dos seus apaniguados germano-capitalistas para levar avante o velho sonho germânico para dominar a Europa e, através da Europa, o Mundo? Ainda não percebeu isso ou anda a dormir?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Novo Rumo&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Rumo à Vitória&lt;/em&gt;?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Abril de 1964, Álvaro Cunhal escreveu para o Comité Central do PCP, o &lt;em&gt;Rumo à Vitória&lt;/em&gt;. Dez anos antes do 25 de Abril. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez o Dr. Soares, que foi compagnon de route do dr. Cunhal ganhasse alguma coisa em reler agora este texto cunhalista. Porque isso de rumo, isso é uma palavra um bocado messiânica. Indiscutivelmente era messiânica na mente do líder comunista, acabado de sair da fortaleza de Peniche.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E messiânica continua a ser porque é provavelmente o texto que melhor suporta a originalidade ideológica e política da militância PCP. Uma espécie de bíblia de prosélitos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Messiânica porque apelava os mais crentes e os menos crentes à luta contra o fascismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contra quem apela agora o Dr. Soares e seus acompanhantes? Contra o capitalismo, contra as agências de rating, contra a frau Merkel?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Leia, Dr. Soares, o &lt;em&gt;Rumo à Vitória&lt;/em&gt;, ponha os seus jovens amigos a discutir as teses do Dr. Cunhal. O Dr. Cunhal era marxista-leninista, tinha muitas culpas no cartório. Mas tinha uma qualidade ímpar: o Dr. Cunhal não papagueava, não se limitava a dizer o que lhe vinha à cabeça, estudava, trabalhava muito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Álvaro Cunhal foi até aos dias de hoje o autor das análises mais certeiras acerca da sociedade portuguesa. Mas não se limitou a ser sociólogo, tirou daí consequências e conclusões nem sempre acertadas mas no essencial, em muitos casos, incontestáveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Relembremos algumas das coisas que, em 1964, Cunhal escreveu a propósito das consequências da adesão de Portugal à EFTA em 1960 e sobre a eventual adesão ao Mercado Comum (e aqui socorro-me da síntese do meu velho amigo XicoMelo):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— liquidação das pequenas e médias empresas, e cada vez maior domínio da economia nacional por um reduzido número de grandes grupos monopolistas;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— agravamento da exploração da classe operária, com a intensificação do trabalho, com o aumento do desemprego, com a diminuição dos salários reais;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— invasão do mercado interno por mercadorias estrangeiras com as quais as nossas indústrias não estão em condições de competir, com a consequente dependência de todo o nosso comércio externo;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— agravamento da crise da agricultura portuguesa, sujeita a medidas discriminatórias e de desfavor em relação aos produtos agrícolas, acentuando a dependência do comércio externo e piorando a situação económica geral;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— invasão renovada de capitais estrangeiros, interligando-se cada vez mais com o capital financeiro português, reforçando a dominação imperialista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto, claro, como sempre, em nome da concorrência e da competitividade! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Álvaro Cunhal advertia também sobre a eventual adesão ao Mercado Comum: não interessa a Portugal passar do domínio do imperialismo inglês no seio da EFTA para o domínio dos monopólios alemães-ocidentais e franceses no seio do Mercado Comum. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dr. Mário Soares, o que está em questão não é a procura de “um novo paradigma para a UE”. A UE é chão cujas uvas foram parar principalmente aos bolsos dos ladrões e dos corruptos que afundaram Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixem-nos em paz, não nos chateiem, metam-se na vossa vidazinha de gente rica do norte sem sol e sem clima digno desse nome. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A União dita europeia é uma criminosa utopia ao serviço duma ditadura germânica liberticida e neo-colonialista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode haver outra Europa? Pode, mas terá que ser uma Europa dos povos, sem burocratas, sem chanceleres. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comecemos por um mercado comum dos países do sul, sem tratados de Maastrich, de Nice ou de Lisboa e sem Comissões de Bruxelas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um mercado comum com livre circulação de pessoas e de mercadorias, mas com tarifas aduaneiras e regulação financeira que nos protejam dos abutres europeus, asiáticos e americanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma união baseada no respeito democrático e que funcione na base da livre negociação e da imprescritível soberania de cada povo e nação europeias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A velha esquerda não tem emenda, postas de pescada, grandes apelos às massas. Contra quem e a favor de quê? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na praça Trahir, luta-se pela liberdade e pela democracia, contra os generais e os seus privilégios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E em Portugal? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos amanhã o ritual de mais uma greve geral, vai dar em quê? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esquerda sem emenda, cansativa e previsível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4335381655398986249?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4335381655398986249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4335381655398986249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4335381655398986249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4335381655398986249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/novo-rumo-ou-rumo-vitoria.html' title='“NOVO RUMO” OU “RUMO À VITÓRIA”?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-3405701673056573491</id><published>2011-11-09T23:30:00.001Z</published><updated>2011-11-09T23:34:11.201Z</updated><title type='text'>TROÏKAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As palavras nunca são neutras. Ou têm história ou não têm, ou têm sucesso ou foram completamente esquecidas, ou são sinistras ou são ambíguas, ou são simpáticas, ou...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As palavras desafiam-nos porque mesmo quando nascem do acaso, elas podem atingir significados cuja importância ultrapassa origens porventura modestas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nestes infelizes dias de crise da dívida soberana, de austeridade, de cortes de salários, de aumento dos impostos, de desemprego e de miséria, todos os dias ouvimos falar de troïka. É uma palavra de desgraçado sucesso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma palavra russa. Troïka (em russo :тройка) designava um trio de cavalos que puxava uma viatura ou um trenó sobre patins.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este veículo cavalar apareceu por volta do séc. XVII na Rússia e servia de meio de locomoção no transporte de correio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A palavra continuou a ser exclusivamente russa durante muito tempo, mas a partir da “grande”revolução leninista, saiu do reino dos cavalos e transitou para o mundo humano dos políticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não foi uma transição pacífica. A palavra passou a ter uma conotação guerreira, significando guerra entre políticos que aparentemente se aliavam em vista dum objectivo comum, mas que de facto procuravam, cada um pelo seu lado, abater os aliados de ocasião. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A palavra troïka passou a designar uma aliança táctica entre três políticos concorrentes à tomada do mesmo poder em situações de vazio de poder. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O primeiro exemplo “moderno” de troïka política foi criação soviética aberta pela morte de Lenine. De facto, nesse processo de sucessão política não houve nada de novo a não ser a palavra russa. Ela veio substituir a palavra triunvirato dos romanos. O mais conhecido desses triunviratos foi a aliança para tomar o poder em Roma, após o assassinato de César, entre Marco António, Octávio e Lépido. É conhecido como é que este triunvirato acabou nas mãos de Octávio, o menos favorito dos triúnviros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a revolução soviética, o significado da palavra troïka ultrapassou definitivamente a época dos correios postais, tornando-se uma forte referência da história russo-soviética, durante os períodos pós-leninista e pós-estalinista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1923, Léon Trotsky, presumível sucessor de Lenine, foi implacavelmente laminado pela troïka arquitectada por Estaline, composta por Zinoviev, Kamenev e o dito Estaline. Obviamente, pela lógica troïkista, não demorou muito tempo para que chegasse a vez de Kamenev e de Zinoviev passarem à história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte de Estaline em 5 de Março de 1953, gerou-se naturalmente um vazio de poder bastante complicado, com vários candidatos que pretendiam à sucessão do homem dos bigodes, grande benemérito da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Formou-se uma primeira aliança, que não durou muito tempo, entre&lt;/span&gt;&lt;a name="1953"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Malenkov que passou a acumular os lugares de presidente do conselho de ministros e de secretário do comité central do partido comunista (PCUS), Beria, chefe do KGB desde 1938 e Molotov, o homem do pacto germano-soviético e durante muito tempo braço direito de Estaline. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas em Julho de 1953, Beria é preso e executado não se sabe bem quando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem do momento passa então a ser Nikita Khrouchtchev que se tornará secretário do comité central e denunciará no XX Congresso do PCUS, em 1956, os crimes do estalinismo, o que não o impedirá de ordenar a invasão da Hungria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A queda de Krouchtchev origina um novo período de instabilidade e facas na manga. Acabará por ganhar Leonid Brejnev, o qual se tinha aliado, primeiro com Kossyguine e Mikoyan e, depois antes de guardar o poder todo para si, substituindo o Mikoyan pelo Podgorny. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos então na contabilidade das troikas soviéticas, a primeira que levou Estaline ao poder, a segunda de Malenkov, após a morte de Estaline, que durou pouco tempo. A terceira e a quarta foram as troikas que deram o poder a Brejnev. Podemos ainda falar de uma quinta troika soviética, a aliança também efémera entre Krouchtchev, Bulganine e Kaganovitch, sobre os destroços da qual Nikita solidificou o seu poder de novo mestre do Kremlin pós-Estaline.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena falar destas coisas? Why not?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivemos uma fase muito complicada e incerta, as referências vão-se perdendo, o que é que está a acontecer? Não é descabido fazer comparações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhemos de perto os personagens que se movimentam actualmente na cena política europeia. Cena pré-apocalíptica de assalto poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este assalto ao poder euro-europeu não se distingue basicamente dos assaltos de Estaline, Malenkov, Beria, Krouchtchev, Brejnev ao poder soviético. É, no entanto, bem mais complexo porque envolve diferentes poderes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O seu desfecho é muito mais incerto, porque se bem que conheçamos o seu instigador, a incerteza quanto ao desfecho desse assalto aumentou substancialmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se conhece o desfecho, mas os peões do assalto estão bem identificados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos, no cimo da pirâmide, o instigador supremo, a chanceler Merkel com os seus germânicos acólitos e, a seu lado, o factotum Sarkozy.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos a troika institucional propriamente dita que junta o BCE, a Comissão Europeia e o FMI. Três cavalos que puxam a charrete da dívida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos o comité central de Bruxelas, com a Comissão Europeia e o Euro-Grupo dos ministros das finanças do euro, os quais obedecem ao instigador supremo e seus germânicos acólitos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos os plenipotenciários das entidades atrás citadas que, no actual estádio avançado de capitulação dos países atingidos pela chamada crise da dívida soberana, estão a ser enviados pelo comité central de Bruxelas para tomarem conta dos governos da Grécia, de Portugal e da Itália.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esses plenipotenciários têm nome: Vítor Gaspar, ministro das finanças de Portugal, ex-funcionário do Banco Central Europeu; Lucas Papademos, provável futuro primeiro-ministro grego, ex-vice-governador do Banco Central Europeu; Mário Monti, provável futuro primeiro-ministro italiano, ex-Comissário europeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A queda do muro de Berlim acabou com a União Soviética.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, Berlim acabará com a União Europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No fim, se saberá qual destas histórias de troikas foi a menos infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-3405701673056573491?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/3405701673056573491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=3405701673056573491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3405701673056573491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3405701673056573491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/troikas.html' title='TROÏKAS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-137169028439941758</id><published>2011-11-07T23:05:00.002Z</published><updated>2011-11-07T23:09:29.294Z</updated><title type='text'>A ESPIRAL DA FALÊNCIA EUROPEIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No essencial, os perigos da espiral de bancarrota europeia têm-se confirmado nestas últimas semanas. A novidade é que tudo está a ser muito mais rápido do que se imaginava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em teoria, pode-se analisar isto e aquilo, deduzir, pensar cenários, tudo teoricamente certo, mas depois quando a realidade se começa a revelar, descobrimos que afinal ela é muito mais dramática e pior do que o que tínhamos imaginado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas semanas, o teatro político europeu pôs a nu de maneira cruel o descalabro das fantasias de união europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As fracturas desse descalabro estão expostas, são claramente visíveis para quem quiser ver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma fractura nova, que andava na penumbra e é agora evidente, é a divisão entre países da zona euro e os países que não pertencem a essa zona. São duas europas dissociadas, que supostamente pertencem à mesma união. Dissociação confirmada pela reunião que os ministros dos dez países que estão fora da zona marcaram para amanhã em Bruxelas na embaixada checa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acentuou-se, para além de todos os limites imagináveis, a fractura entre o directório germânico-francês que, sem qualquer mandato, concentrou em si todas as decisões e os outros países da tal união. Perfeita antevisão do retrato do que seria a tão propalada europa federalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fractura entre os países do norte e do sul, que é o essencial de todas as fracturas euro-europeias, tornou-se hoje mais clara com a adesão da França ao clube dos países do sul candidatos à falência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegámos àquele ponto em que a geografia dos destinos geo-políticos europeus se tornou clara e as suas fronteiras perfeitamente cristalinas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos os países do norte que mantêm os seus triplos AAA, países que se mantêm excedentários principalmente graças ao euro e aos seus outros parceiros europeus. Enquanto, eles, países do norte, são excedentários, os países do sul são deficitários, logo bancarrota à vista para esses incómodos parceiros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos países do euro destinados à bancarrota e consequentes e merecidas punições, a principal novidade é que, sem esperar pelo desfecho da crise berlusconio-italiana, a França decidiu reforçar esse grupo. La boucle est bouclée.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há três meses, a França já tinha apresentado um plano de austeridade e um projecto de orçamento baseado em projecções de crescimento económico que se revelaram totalmente irrealistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o primeiro-ministro Fillon, em tom solene, veio dar conta de um novo plano de austeridade. Como é extraordinária esta monótona sucessão de PECS, de planos de austeridade dos países do sul!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fillon falou de bancarrota, de rigoeur, de faillite, tudo palavras proibidas no léxico político francês. Estamos a seis meses das eleições presidenciais francesas, por alguma razão o Fillon foi enviado para o matadouro pelo seu patrão Sarkozy. O marido da Carla Bruni – que mal empregada! - quer ganhar as eleições e sabe que as coisas vão estar cada vez mais pretas…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos então na amálgama das grandes manobras pelo poder europeu, de um lado, a lista de candidatos à bancarrota alinhados em ordem de partida, não apenas os candidatos já bem conhecidos que são a Grécia, Portugal e a Espanha mas também os outros dois candidatos teoricamente mais improváveis, candidatos de última hora, a Itália berlusconiana e a França sarkozysta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do lado oposto, lá estão, aparentemente imperturbáveis a Alemanha e os seus aliados nortistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre estas duas matilhas, vão rosnando os países que estão fora da zona euro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como é que esta gente se vai entender, depois do divórcio do casal franco-alemão?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quem insista em querer controlar a Europa, mas os meios para lá chegar tornam-se cada vez mais problemáticos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não admira que, para além da agitação e das encenações mediáticas dos principais tenores, prevaleça a sensação de que tudo parece estar a ficar fora de controle, rumo ao inevitável abismo da bancarrota euro-europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-137169028439941758?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/137169028439941758/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=137169028439941758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/137169028439941758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/137169028439941758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/espiral-da-falencia-europeia.html' title='A ESPIRAL DA FALÊNCIA EUROPEIA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-3448829133730296853</id><published>2011-11-01T23:11:00.002Z</published><updated>2011-11-01T23:16:45.740Z</updated><title type='text'>REFERENDO A PEDIR SOCORRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A notícia do referendo grego foi sentida pelos políticos e governos que mandam no euro e pelos banqueiros e os especuladores que vão acumulando milhões à custa da miséria alheia como um murro no estômago de que aparentemente não estariam à espera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ficaram embasbacados, estupefactos, o que, a ser verdade, mostra que essa gente tem andado entretida com brincadeiras muito perigosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tudo o que está a acontecer na cena europeia confirma que a chanceler Merkel, o sr. Sarkozy e os seus pares não passam de políticos de meia tigela, que andam perdidos entre o deslumbramento pelas suas pequenas ambições pessoais e o fascínio letal pelos tubarões da finança que enxameiam à sua volta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Políticos medíocres, sem visão estratégica, sem capacidade para prever o que é que vai acontecer depois de amanhã ou daqui a um ano. Incompetentes, medíocres, o que é que eu vou fazer, perguntaram eles perante a história do referendo grego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, esta cena do referendo, o seu contexto e dinâmicas sociais e políticas e respectivas consequências estão à vista desde há muito tempo. Essas cenas já foram, aliás, aqui anunciadas repetidamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De que é que estamos a falar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falamos do fim do euro, da moeda única introduzida à força, sem qualquer consulta popular e sem estudos sérios que a justificasse. Fim anunciado desde a sua criação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falamos da destruição inevitável das economias europeias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As vítimas desta destruição são agora os países do sul, mas o que se anuncia é um processo imparável a que não escaparão os países do norte que assistem regalados nas primeiras filas da primeira plateia ao massacre dos PIGS. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, são esses países regalados na sua arrogância racista que são os responsáveis pela destruição. Foram eles que, em nome da criminosa ideologia neo-liberal e dos seus pequenos interesses nacionais, impuseram as políticas de austeridade e os PEC’s que paulatinamente têm vindo a destruir a economia e a vida de milhões de pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Princípio de realidade: cá se fazem, cá se pagam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na sua arrogância cega e criminosa, o directório europeu dominante foi impondo, foi exigindo cada vez mais austeridade à Grécia. E, desse modo, o dito directório encostou o Papandreou à parede, não lhe deixando qualquer porta de saída.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cego e surdo ao que estava a acontecer na sociedade grega, sem qualquer respeito pela dignidade desse país e sem reflectir minimamente sobre as consequências globais dos seus jogos de poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como interpretar o anúncio do referendo grego?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais provável é que não vá haver referendo nenhum.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que me parece indesmentível pela lógica das coisas é que a margem de manobra do primeiro-ministro grego se tornou de tal maneira nula face à pressão dos militares que o homem teve que lançar um SOS sob a forma de referendo dos cidadãos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pretende dar voz ao povo, antes que os militares tomem o poder em nome da dignidade nacional e da resistência ao neo-nazismo alemão. Esse é o discurso militar que está na ordem do dia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto era previsível desde há muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a hora da tropa que se anuncia, cena de tragédia grega com o seu cortejo de misérias e o inverno da democracia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Danke schöne frau Merkel, merci monsieur Sarkozy, obrigado sr. Barroso…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que seja o povo quem mais ordena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-3448829133730296853?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/3448829133730296853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=3448829133730296853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3448829133730296853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3448829133730296853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/11/referendo-pedir-socorro.html' title='REFERENDO A PEDIR SOCORRO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2983243210873485675</id><published>2011-10-28T22:22:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T22:27:24.236+01:00</updated><title type='text'>LA CINA È VICINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre os intelectuais europeus e políticos de tous bords e a China maoista, proletária e comunista, criou-se há muito tempo uma espécie de atracção fatal. É uma velha história que não terminou, pelo contrário, ela tem todo o futuro à sua frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1967, o italiano Marco Bellocchio retratou com mão certeira o fascínio dos jovens burgueses em crise de identidade pela revolução cultural maoista. Fora do maoismo, pas de salut, era a mensagem do filme &lt;em&gt;La Cina è Vicina&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se o que é que deu esse fascínio pelo exotismo maoista, as Brigate Rosse, mortes, terrorismo, crimes, vítimas inocentes. Foi esse maoismo europeu e burguês fascinado pela grande marcha e os genocídios perpetrados pelo Mao e seus subordinados que assassinou Aldo Moro, político demasiado avançado e demasiado honesto para o seu tempo. Político honestamente burguês, alheio às fantasias exóticas dos jovens das boas famílias italianas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será que a China deixou, entretanto, de estar próxima do espírito dos europeus que mandam nesta coisa patética chamada união europeia?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivemos a cimeira para salvar o euro, a segunda no espaço de menos de uma semana a qual, aliás, esteve para ser a terceira antes da quarta. Parece que, no ballet dos sombrios bastidores da reunião, tudo se terá decidido entre a meia noite e meia hora de quinta-feira, quando os bancos disseram que não iam aceitar o perdão de 50% da dívida à Grécia e as 4 da matina quando a chanceler Merkel veio anunciar que havia um acordo sobre a dívida grega, a recapitalização dos bancos e a multiplicação do valor do FEEF.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passadas algumas horas, com os primeiros telejornais e as primeiras edições matinais dos jornais, os mercados e as bolsas entraram em euforia. Quantas fortunas, quantos especuladores felizes?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo de casino, aqui estamos e daqui não sairemos tão cedo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passadas as primeiras euforias, percebeu-se que, afinal, a parte substancial do acordo da madrugada de Bruxelas depende da China. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o futuro do euro e da união europeia na corda bamba na tal de cimeira, à beira do abismo, em desespero de causa e à falta de melhor solução, a Merkel, o Sarkosy e o Barroso imploraram os bons ofícios da China maoista. Aconteceu um milagre da mundialização, da globalização, chamem-lhe o que quiserem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Milagre da declaração de falência do capitalismo histórico nascido na Europa ocidental.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São os novos amanhãs que cantam. Os amanhãs maoistas, a luta de classes acabou, a democracia é uma fantasia burguesa, os indivíduos não existem, apenas conta o colectivo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os amanhãs que nos esperam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta cimeira da salvação do euro foi genial principalmente porque fechou o ciclo das fantasias daqueles que no final dos anos 60 eram jovens burgueses fascinados pela revolução cultural e que agora, chegados à idade de razão e das altas responsabilidades, têm a grata surpresa de poderem confirmar quanto os seus devaneios juvenis estavam certos. Confiavam no pensamento do presidente Mao, descobrem agora que o grande profeta continua a ser o grande líder do futuro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os povos europeus, os empregados e os desempregados, os pobres e os remediados agradecem a clarividência dos burocratas neo-capitalistas que tiveram a coragem de permanecer fiéis aos seus ideais de juventude.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2983243210873485675?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2983243210873485675/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2983243210873485675' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2983243210873485675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2983243210873485675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/10/la-cina-e-vicina.html' title='LA CINA È VICINA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-5318507083531368525</id><published>2011-10-19T23:28:00.002+01:00</published><updated>2011-10-19T23:36:39.735+01:00</updated><title type='text'>AS INIQUIDADES DO ORÇAMENTO SEGUNDO O DOUTOR CAVACO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O doutor Cavaco falou, pelo que percebi a ocasião foi o congresso da Ordem dos Economistas, essa venerável ordem responsável por tantas desordens. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falou e, pela primeira vez em muitos e muitos anos, concordei com duas coisas que disse, e estou-me a referir à versão televisiva do discurso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeira coisa, que seria aliás óbvia se vivêssemos em tempo de racionalidade e de normalidade política, o que não é o caso da situação presente, o presidente classificou de iníqua a distinção, introduzida na proposta de orçamento para o próximo ano, entre as obrigações fiscais dos assalariados do sector público e as dos colegas do sector privado. Os do público ficam sem subsídios de natal e de férias, na melhor das hipóteses durante os próximos dois anos, o pessoal do privado é “perdoado”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A iniquidade de tudo isto salta à vista, bravo, sr. presidente, foi muito oportuna a sua intervenção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O governo e o primeiro-ministro já tentaram justificar esta discrepância de critérios ditados pela metafísica ideia de austeridade, mas o presidente, pelos vistos, não ficou convencido. Dou-lhe todo o meu apoio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De todas as explicações que os donos do governo avançaram em dias recentes, a única que me parece ter algum substracto é a do dr. Coelho quando ele explicou que os salários dos funcionários públicos são simultaneamente receita e despesa do Estado e que, assim sendo, os ditos funcionários tinham que pagar a dobrar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, presos por ter cão e presos por não ter, os funcionários são a vítima natural de todo o frenesim do orçamento-punição engendrado pela direita portuguesa no poder que quer ser mais troitkista do que a troika. Como perguntaria o Karl Valentim, para esta direita, os funcionários públicos, essa gente, será que não se pode exterminá-los? Ódio de classe? Vá-se lá saber, o dr. Salazar sempre tratou muito bem os seus funcionários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A segunda observação do meritíssimo presidente, igualmente muito pertinente, refere-se aos sacrifícios que estão a ser exigidos aos reformados, sacrifícios que na sua opinião já foram para além dos limites. Mais uma vez, bravo, sr. presidente!&lt;br /&gt;A questão dos reformados não é coisa pouca, é muito vasta, tem repercussões muito mais extensas e graves e não se resume a um problema de iniquidade, o que já seria muito grave. Vou apenas fazer algumas observações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por definição, o reformado sempre foi e parece que continua a ser aquele que já deu tudo o que tinha para dar e que, assim sendo, o melhor que tem a fazer é ficar sentado no seu canto enquanto não desaparece rapidamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O reformado não tem sindicato, não tem partido, não tem qualquer peso negocial nem reivindicativo, as pernas pesam demasiado, não vem para a rua manifestar, quando muito sai um bocadinho para jogar uma sueca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vítima designada, pois, ao reformado podem-lhe cortar na sopa, podem-lhe tirar os remédios, o médico, o hospital, ele vai continuar sentado no seu canto à espera que o levem para o crematório.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que correm, muita gente aspira a reformar-se porque está cansada, está farta do trabalho e dos chefes, mas não consegue, porque não tem a idade, porque não tem suficientes anos de serviço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outras pessoas, pelo contrário, gostariam de continuar a trabalhar, porque gostam do trabalho que fazem, porque não lhes apetece serem atirados para o caixote do lixo, porque se sentem motivados para continuar activos. Mas há uma lei inexorável que impede os funcionários públicos de continuarem, a trabalhar a partir duma certa idade. É a reforma-guilhotina, metes lá o pescoço e a lâmina cai-te em cima.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa idade da reforma-guilhotina continua a ser a mesma do tempo do saudoso dr. Salazar. Nessa época a esperança de vida no nascimento era de cerca de 50 anos, hoje é de quase 77 anos para os homens, mais de 82 para as mulheres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta história do aumento da esperança de vida foi, aliás, aproveitada pelo governo do saudoso eng. Sócrates para cortar nas pensões de reforma e aumentar a idade mínima para se ter direito à reforma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, o governo socrático desencadeou uma vasta propaganda sobre uma coisa chamada de envelhecimento “activo”, uma coisa cuja principal finalidade era justamente justificar o aumento da idade da reforma. Em resumo, a ideia, vamos lá meus senhores, mantenham-se activos, trabalhem mais anos, isso é bom para vocês e, de qualquer das maneiras não há alternativa, pois que a população portuguesa está muito envelhecida e nós precisamos de gente a descontar para a segurança social, blá, blá, blá…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão é que temos aqui vários embustes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro embuste, o sr. Sócrates, ao mesmo tempo que nos vinha com esta treta do envelhecimento “activo”, proibiu os reformados da função pública de exercerem qualquer actividade remunerada no sector público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo embuste, o mesmo sr. Sócrates decretou cortes nas pensões dos reformados, cortes que agora estão a ser agravados pelo governo dos ayatollas troitkistas que tomaram conta disto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja e resumindo, esta gente que nos desgoverna e que no seu íntimo de classe dirigente nos despreza profundamente, anuncia aos futuros reformados, mantenham-se activos, trabalhem mais anos, isso vale a pena porque depois vão ter uma bela reforma. Bela reforma, sim, reforma esburacada como o casaco dum mendigo, é este o futuro ao alcance de quem passou uma vida inteira a trabalhar e a descontar para a tal de reforma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo embuste, diz o sr. Coelho e os seus antecessores e os seus correligionários, desculpem lá, nós achamos que o envelhecimento activo é uma ideia óptima mas, quem estiver reformado não pode continuar a trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Denegação do direito ao trabalho, tão simples como isso, discriminação social baseada na idade. Não é cor da pele, não é sexo, é a idade, estás velho, não podes continuar a trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E aqui voltamos à tal iniquidade, justamente denunciada pelo nosso presidente, entre gente do sector público e gente do sector privado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um reformado do sector público não pode auferir remunerações por trabalho honesto prestado a entidades do dito sector público. Se quer trabalhar, que vá para o privado. Um reformado do sector privado pode continuar a trabalhar onde lhe aprouver. Aliás, nenhuma lei o obriga a reformar-se, a reforma-guilhotina é apenas para os funcionários públicos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este ataque aos reformados é sintomático do retrocesso civilizacional que vai tomando conta deste país que um dia fez uma revolução cheia de ideais humanistas.&lt;br /&gt;Os reformados descontaram durante anos e anos, na expectativa de uma vida de lazer e de descanso sem preocupações. Estavam enganados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que o doutor Cavaco se pronunciou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pronunciou-se de maneira muito crítica sobre os limites que, no seu entender, foram ultrapassados quanto a uma área tão sensível como é a dos direitos dos reformados. Área sensível em muitos aspectos, a principal das quais é que a imagem mais forte que pode ser dada por uma sociedade é a que nos é transmitida quanto ao modo como essa sociedade trata os seus seniores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De maneira igualmente crítica, o doutor Cavaco rejeitou as desigualdades de tratamento entre assalariados do público e do privado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não acrescenta nada ao meu juízo acerca dos fundamentos dessa intervenção a eventual hipótese de que as preocupações que hoje exprimiu o sr. presidente, possam ter alguma relação com o facto de o doutor Cavaco Silva ser, além de presidente, antigo funcionário público e actual reformado do sector público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-5318507083531368525?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/5318507083531368525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=5318507083531368525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5318507083531368525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5318507083531368525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/10/as-iniquidades-do-orcamento-segundo-o.html' title='AS INIQUIDADES DO ORÇAMENTO SEGUNDO O DOUTOR CAVACO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6930703821842548767</id><published>2011-10-18T00:03:00.002+01:00</published><updated>2011-10-18T00:08:47.019+01:00</updated><title type='text'>A INDIGNAÇÃO E OS SEUS LIMITES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não embarquemos em fantasias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No último Sábado, 15 de Outubro, tivemos a manifestação dos “indignados”. Desfilaram do Marquês à Assembleia de S. Bento, deviam ser 30 mil, o que não é mau. Há sete meses, a avenida da Liberdade foi calcorreada por cerca de 100.000 peões da “geração à rasca”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Geração à rasca, indignados, alguma coisa mudou entretanto?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve mudanças, claro, há sempre mudanças e nos tempos que correm seria um verdadeiro milagre se tudo continuasse na mesma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 12 de Março, estranhamente havia um ar de festa, uma espécie de happening. A maior parte dos desfilantes, que provavelmente vinham para a rua pela primeira vez, manifestavam-se principalmente contra o Sócrates, ponto final. Palavras de ordem, projectos políticos, ideologias, objectivos? Sequência, consequências políticas? Foi toda a gente para a casa, a maior parte ficou à espera do Passos Coelho, o novo salvador da pátria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 15 de Outubro, o percurso foi alterado, o pessoal marchou em direcção ao Rato e desceu para S. Bento manifestar a sua indignação. Indignação contra quê, contra quem?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhei com toda a atenção o desfile, as pessoas com as suas mensagens, pareceu-me tudo muito difuso, à frente da manifestação vinha uma grande cartaz com a fatídica percentagem dos 99% que tem sido brandida pelos manifestantes americanos do ocupy Wall Street, um cartaz proclamava a greve geral, não pagamos, ladrões, metam a troika no cu, quero trabalhar, lista interminável disto e daquilo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao exemplo americano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O adversário contra o qual manifesta o pessoal de Nova Yorque é Wall Street, o sistema financeiro americano e as injustiças sociais e a miséria de que são responsáveis. O adversário está perfeitamente identificado, e isso só traz vantagens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1960, os jovens americanos que vinham para a rua eram contra a guerra do Vietname. É sabido que este movimento venceu em toda a linha. Não apenas obrigou o governo do Nixon a acabar coma guerra e a fazer a paz com os vietnamitas, como mudou para sempre a sociedade e a cultura americanas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será que o movimento dos que querem agora ocupar Wall Street vai conseguir mudanças tão profundas como as que conseguiram os jovens americanos dos anos 60? Está tudo em aberto, o que é certo é que este movimento de 2011 não vai acabar depois de amanhã e vai, no mínimo, condicionar a evolução da política na cena americana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por analogia, perguntemos para nós próprios: qual o peso que poderá vir a ter o “movimento geração à rasca/indignados” na cena política portuguesa?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeira dúvida que nos vem à cabeça: trata-se dum movimento social ou dum movimento político?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma dúvida aparentemente sem sentido, porque pode haver movimentos sociais sem expressão política, assim como movimentos políticos sem expressão social. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Admitamos então que existem neste momento em Portugal movimentos sociais com uma forte base de sustentação, que tem a ver com a pobreza e o empobrecimento acelerado de vastos sectores sociais, o aumento do desemprego e da precariedade e a falta de perspectivas para a inserção dos jovens numa vida com futuro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando é que esses movimentos passarão a reunir condições para se transformarem em movimentos políticos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A resposta é simples, essa passagem só acontecerá quando os protagonistas, os dirigentes e actores daquilo que emergiu de repente como um vago movimento informal de massas, descobrirem qual a política que defendem concretamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Política no concreto, isso implica em primeiro lugar, identificar os adversários, o que remete na situação actual para se saber quem são os responsáveis pelo massacre social que está a ser cometido em Portugal e no espaço europeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensar o massacre social, económico e financeiro em Portugal e no espaço europeu. Comecem, então, por aí.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensar sobre as responsabilidades políticas de todos os protagonistas que têm gerido esse espaço nas últimas décadas. Pensar acerca dos projectos que estão neste momento em jogo e em confronto perante a iminência das falências em dominó dos países europeus do euro. Pensar sobre o fim inevitável do euro, pensar para além do imediato e do curto prazo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensar sobre as responsabilidades à esquerda e à direita, definir alternativas que não sejam justificadas em nome de vagos consensos e interesses nacionais. O sr. Passos Coelho tem obrigação de saber que, no estado de miséria e decrepitude a que chegamos, isso dos consensos nacionais não existe. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe bem disso e a sua agenda política é muito clara.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Coelho sente-se na pele do Lénine quando este em 1917, diante dos efeitos devastadores da primeira guerra mundial e da deliquescência da monarquia czarista, percebeu que podia dar o golpe e tomar o poder em nome da revolução socialista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. Passos assume no seu íntimo, em nome da revolução neo-liberal e neo-capitalista que ambiciona para Portugal, o glorioso papel do revolucionário Lenine. O sr. Coelho aspira a ser reconhecido pelos seus patrões europeus nesse papel com todas honras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fantasias ingénuas e criminosas, estas que alimentam o espírito do sr. primeiro ministro. Nos seus devaneios neo-capitalistas, ele anda a fabricar amanhãs apocalípticos, não apenas para ele e para os seus correligionários e indefectíveis, mas principalmente para o exército dos tais 99% da população, que são os reféns desses devaneios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para os pobres, os muito pobres, para a gente daquilo que era chamado de classe média e agora é uma classe cada vez mais abaixo de cão. Tudo gente obrigada pela Sra Merkel e os seus lacaios Coelho e Gaspar a pagar os desvarios dos tenores do capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensar a política no concreto, os rebeldes americanos que estão na rua, são os únicos a fazê-lo e, por isso, têm hipóteses de sucesso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejo os manifestantes de 15 de Outubro desfilar e concluo isso da “indignação” tem os seus limites. É uma atitude moral, legítima, mas demasiado vaga, não se percebe qual é o inimigo que se pretende afrontar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se faz política com sentimentos morais, tem que haver objectivos, tem que se saber quais são os adversários, tem que haver uma estratégia e um plano de acção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O combate contra o massacre social que está a ser perpetrado pela direita que governa a união europeia e o euro precisa dum exército de autênticos combatentes armados de ideias claras, concisas e eficazes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podem ser combatentes indignados, a indignação alivia. Mas precisam de armas eficazes, armas que façam mal aos poderes que controlam o dinheiro e os seus circuitos. Armas que atinjam o coração da besta, o coração do capital.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na guerra insidiosa que está a ser travada nesta época dramática, passa tudo pelo dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De boas intenções está o inferno cheio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6930703821842548767?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6930703821842548767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6930703821842548767' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6930703821842548767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6930703821842548767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/10/indignacao-e-os-seus-limites.html' title='A INDIGNAÇÃO E OS SEUS LIMITES'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-735669866471957849</id><published>2011-10-14T23:21:00.004+01:00</published><updated>2011-10-14T23:33:27.839+01:00</updated><title type='text'>CAPITALISMO, MUNDO LIVRE E LIBERDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No mercado reservado aos intelectuais, sempre houve serventuários mais ou menos aplicados, mais ou menos encapotados, desta ou daquela capela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como avaliar o mérito dos contributos desses prosélitos? A notabilidade intelectual, a qualidade literária, a coerência e a continuidade das ideias?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos velhos tempos do PREC, a certa altura o &lt;em&gt;Diário de Notícias&lt;/em&gt; passou a ser controlado pelo partido comunista. Lembro-me que não veio daí mal ao mundo. É que, graças ao putsch comunista, aquele “venerável” jornal, que até então apenas se tinha notabilizado por ser uma instituição sempre obediente aos poderes estabelecidos, ganhou o seu momento áureo na história do jornalismo em Portugal. Os editoriais do dito jornal passaram a ser escritos por um tipo pouco conhecido chamado José Saramago.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saramago não era um intelectual propriamente dito no tal mercado dos intelectuais. Era um assalariado, ia escrevendo onde o deixavam escrever, era um trabalhador da palavra. Era comunista, mas não era pago por isso, ganhava para comer, trabalhando com as palavras. Era um génio da palavra escrita e o DN nem sequer se deu conta do quanto isso era extraordinário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As palavras podem ser armas, armas de destruição maciça, ou armas de justiça, vá-se lá saber.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um cavalheiro que já foi director do &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt; e que por lá continua a escrever, é um desses intelectuais que, no nosso mercado mediático onde se manipulam as palavras, consegue, pelo menos ter como mérito o da coerência. Quando era mais jovem, o distinto comentador acreditava no Mao-Tsé-Tung. Hoje, passados anos e caminhando a história para o seu fim, mantém-se na mesma linha e está pronto para defender por todos os meios o capitalismo, de Estado ou qualquer outro. Continuidade e coerência nas ideias, não o podemos censurar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No jornal onde escreve, deixou-nos hoje a pérola literária que se transcreve a seguir. “Os que querem manifestar-se contra tudo o que o capitalismo fez de mal ao mundo livre devem lembrar-se que, sem capitalismo, não haveria mundo livre. E que sempre que se quis acabar com o capitalismo também se acabou com a liberdade.”&lt;br /&gt;Examinemos, na sua respectiva ordem, as palavras que inspiram a sua diatribe contra aqueles que designa de “indignados” e outros “ocupas”: capitalismo, mundo livre, liberdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caro senhor, o que é que tem o cu a ver com as calças?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo não é um deus do Olimpo, inacessível, sentado no seu trono e imune às tempestades que sopram. Como todas as criações humanas, o capitalismo tem os dias contados. Assusta-o, caro senhor comentador, a ideia de poder acordar um belo dia e descobrir que esse extraordinário mamute multi-secular e multi-poderoso que tanto admira, de repente, se desfez nas tormentas das guerras sociais provocadas pela voracidade suicidária da ganância sem limites dos tenores capitalistas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo tem uma história conhecida, sobre isso não subsistem grandes mistérios por desvendar. Começou por ser uma criação rebelde da legítima e humana ambição dos intelectuais, cientistas, filósofos, mercadores, banqueiros e industriais burgueses. Uma história extraordinária de séculos, mas uma história que não é de todo linear. Não existe capitalismo em sentido teológico, o tal de capitalismo é apenas uma sucessão histórica em que se têm conjugado altos ideais e extraordinários progressos materiais e sociais com crimes hediondos, crimes sociais e crimes de extermínio contra os seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, chegámos provavelmente a um desses extremos, em que uma grande parte da humanidade está ameaçada de perder, no mínimo, a última parcela da sua dignidade. &lt;br /&gt;Situação limite, em que os que conseguem ainda ter um emprego ou os que o perderam de vez têm que expiar os crimes das dívidas soberanas devidas pelos tenores do tal de capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo é a história das crianças que trabalhavam como escravos nas minas inglesas e em muitas outras, é a história da Krupp e da BMW que construíram a poderosa indústria alemã, que agora manda na Europa, graças ao trabalho dos escravos recrutados pelo império nazi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Relembremos, na nossa memória, que o capitalismo é a miséria da exploração da mão-de-obra barata, tal como sempre a conhecemos em Portugal. O capitalismo são as empresas de construção civil que se alimentam dos negócios com o Estado, das parcerias público-privadas, da corrupção generalizada, das grandes obras públicas, dos hospitais empresa, das auto-estradas, das scuts, dos contentores do porto de Lisboa, dos túneis e das marinas da Madeira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo em Portugal teve alguns capitães de indústria, Alfredo da Silva é o melhor exemplo, mas nunca teve um capitalista que defendesse a liberdade. Não teve, não tem e não terá. Capitalismo igual a liberdade? Claro, liberdade para explorar o trabalho de quem precisa de trabalhar, sobre isso estamos de acordo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As oligarquias dos interesses dominantes dominam e controlam os partidos e os governos, dominam a imprensa e a televisão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em democracia e, assim sendo, teoricamente deveríamos ter direito à liberdade de expressão e de imprensa. Fantasia patética, só acredita nisso quem quer, só acredita quem não está para se chatear.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não fiquemos, então, sentados no sofá a admirar todo esse teatro, o Passos Coelho com o seu orçamento de estado, os economistas a comentarem que sim senhor, a austeridade inevitável e a salvação nacional, a Grécia, a Merkel, o Sarkozy e o G-20.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Admirável mundo novo, chamado mundo livre pelos irredutíveis prosélitos da religião do deus capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, o capitalismo há muito tempo que não tem nada a ver nem com liberdade, nem com prosperidade, nem com justiça, nem com direitos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somos todos gregos, indignemo-nos contra as indignidades do capitalismo e dos seus mandatários, ocupemos as ruas amanhã e todos os dias depois de amanhã!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Venham para a rua, acordem, passem palavra!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-735669866471957849?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/735669866471957849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=735669866471957849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/735669866471957849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/735669866471957849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/10/capitalismo-mundo-livre-e-liberdade.html' title='CAPITALISMO, MUNDO LIVRE E LIBERDADE'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1773084026013553832</id><published>2011-10-03T23:58:00.002+01:00</published><updated>2011-10-04T00:03:35.340+01:00</updated><title type='text'>CRISE EUROPEIA E DEMOCRACIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No quotidiano dos nossos descontentamentos, vamos vivendo as peripécias da crise, crise do euro, crise da Grécia, crise dos países periféricos, crise da dívida soberana. Afinal, que crise é esta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o Marx fosse vivo, provavelmente diria que se trata da crise final do capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto a minha memória alcança, o único cenário aceite há séculos por muita gente para o destino final da espécie humana é o do apocalipse, uma ideia catastrofista que nasceu do fundamentalismo cristão medieval. Não falemos então de cenários finais. Como disse o Pinheiro de Azevedo, o povo é sereno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Serenidade à parte, o que é que esta crise nos revela?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é uma pequena crise, tudo indica que se trata duma verdadeira bomba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Crise do capitalismo? Sim, mas o capitalismo, desde que começou a ganhar o poder em alguns países europeus no séc. XVII, conheceu até hoje muitas crises e foi sempre capaz de as aproveitar em seu benefício. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A principal novidade da crise que estamos a viver é que o centro de decisão dos poderes financeiros, comerciais e económicos do capital se está a deslocar cada vez mais da Europa e do seu filho USA para o Pacífico e suas proximidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta deslocação não é uma pequena mudança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Europa e os USA perderam a sua capacidade de manobra e as consequências, no que diz respeito principalmente à Europa, vão ser tremendas e já estamos a ser atingidos por elas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O resultado mais visível da nova correlação de forças mundial entre potências do Pacífico e do Atlântico é que o Estado Social europeu parece ter os dias contados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não está em causa apenas o Estado Social das prestações sociais, do subsídio de desemprego, do serviço nacional de saúde, da educação pública e ensino para todos.&lt;br /&gt;Trata-se principalmente de democracia e de direitos sociais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A democracia e os direitos de cidadania que lhes estão associados entraram em processo de dissolução. Entrámos num processo de desvario, em que tudo é permitido, tudo se justifica em nome dos superiores interesses da nação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Paulatinamente, voltamos ao tempo do Salazar, tornam-se consensuais as referências e os valores de submissão perante os poderes constituídos, perante quem manda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao ponto de o chefe do governo nos ameaçar de dedo em riste, atenção, ele não quer tumultos. Ameaça séria: duas semanas depois do dedo em riste, a PSP e o SIS vêm divulgar um relatório sobre o que essas “veneráveis” instituições vão fazer perante a ameaça dos ditos tumultos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Questão completamente a propósito e que ninguém colocou: por que razão é que a PSP faz um relatório sobre os tais riscos de tumulto juntamente com o SIS. Nova PIDE? PIDE social-democrata, mandatada pela troika? Onde é que vamos parar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Marx teve razões em algumas coisas. Uma delas foi quando, por volta de 1870, escreveu que a Rússia e a China não tinham condições, de um ponto de vista objectivo, para fazerem a chamada revolução socialista. Razões óbvias, estes dois países continuavam a ser completamente refractários e alérgicos ao capitalismo e, assim sendo, não estavam em condições de ser socialistas. Neste aspecto, o pensamento de Marx era coerente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que o nosso amigo Karl não foi capaz de prever é que, passado menos de século e meio, a China se iria transformar em paradigma dominante do capitalismo mundial. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A crise, a crise que estamos a viver e que não sabemos como vai acabar poderá ser apenas uma crise de crescimento do capitalismo na perspectiva da sua mundialização.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, se assim for, pode-se antever que, enquanto que o século XX, com todas as suas tragédias e morticínios nazis e fascistas, foi um século de afirmação de um certo capitalismo, circunscrito principalmente à Europa, implicado no progresso social, o século XXI será confrontado com o poder de um novo paradigma, o do capitalismo de Estado triunfante, com os seus burocratas, os seus exploradores de mão-de-obra barata, os seus polícias, as suas prisões, os seus comités centrais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta é a crise que mais me assusta. A união europeia e a sua moeda única, já o escrevi aqui várias vezes, são uma perigosa utopia que nos encurralou numa espécie de união soviética, que foi a primeira versão, felizmente falhada, do capitalismo de Estado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É evidente que já entrámos na fase da desregulação da própria crise, não se sabe aonde é que isto vai parar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os valores da democracia, os direitos individuais, os direitos sociais entraram em processo de liquidação. Primazia aos bancos, primazia às finanças, primazia aos ricos, primazia aos poderosos. Chegámos a um ponto em que os euro-burocratas, e os empregados deles que mandam em nós, já não se dão ao trabalho de disfarçar as suas verdadeiras intenções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta olhar o exemplo quotidiano do que passa com a Grécia para percebermos o estado de dissolução democrática a que chegou a Europa que inventou o capitalismo.&lt;br /&gt;Crise do capitalismo, apocalipse now, Wall Street?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não nos confrontamos apenas com questões de longo prazo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para já, no nosso esforço de percebermos o que está a acontecer, temos que nos preocupar com o presente e o futuro da democracia na Europa e arredores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-1773084026013553832?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/1773084026013553832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=1773084026013553832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1773084026013553832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1773084026013553832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/10/crise-europeia-e-democracia.html' title='CRISE EUROPEIA E DEMOCRACIA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-5776406059559390407</id><published>2011-09-22T23:58:00.002+01:00</published><updated>2011-09-23T00:09:56.785+01:00</updated><title type='text'>ELEIÇÕES NO EIXO FRANCO-ALEMÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Faltam menos de oito meses para as eleições presidenciais em França. Alguns meses depois, terão lugar as eleições legislativas na Alemanha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O eixo franco-alemão irá, pois, a votos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é coisa de menor importância. É que o dito eixo tem mandado na União Europeia desde que ela existe sob sucessivas denominações, tanto quanto me lembro, Comunidade do Carvão e do Aço, Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia nomes que nunca disfarçaram as verdadeiras razões geopolíticas e estratégicas que conduziram à invenção dessa perigosa utopia a que hoje chamamos união europeia. Perigosa utopia parente duma outra, felizmente já falecida, chamada união soviética.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal utopia foi inventada, a seguir ao fim da 2ª guerra mundial, com o objectivo nunca explicitado de impedir uma quarta guerra entre franceses e alemães.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto, quando, nos anos 50, franceses e alemães decidiram esboçar uma estratégia de entendimento e de aproximação, entre ambos os países já tinha havido não duas mas três guerras, guerras devastadoras no curto espaço de menos de setenta anos: 1870, 1914-18 e 1939-45.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na primeira dessas guerras, os franceses foram esmagados pelo Bismark. Na segunda, com a ajuda dos britânicos e dos americanos, conseguiram ganhar e na terceira perderam mal a guerra começou, não tinham qualquer hipótese face ao poder bélico nazi. Foram ocupados, o Hitler desfilou sob o Arco do Triunfo, desceu os Campos Elísios. Depois, alguns franceses resistiram e, com a ajuda dos aliados, lá conseguiram pôr o Hitler a andar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo somado, a memória dos franceses em relação à “convivência” com os seus bélicos vizinhos germânicos sempre tem sido, no mínimo, completamente problemática e o povo francês, estou a falar do francês comum, mantém até hoje sentimentos muito problemáticos em relação aos alemães. Têm medo deles, os alemães não lhes inspiram especial confiança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A política francesa de apaziguamento e de aproximação em relação aos alemães durante estes últimos cinquenta anos tem a sua origem e justificação nessa desconfiança popular em relação às potenciais ameaças alemãs. Os políticos franceses fizeram os possíveis e os impossíveis por pacificar e desarmar essa desconfiança. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos alemães, eles entraram na lógica de aproximação com os franceses e com os europeus por razões óbvias: depois dos crimes e das guerras nazis, eles precisavam de ser “reintegrados” no mundo civilizado, chamemos-lhe assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grosso modo, o eixo franco-alemão que continua a mandar na chamada união europeia, nasceu dessa convergência de medos e de desconfianças entre os dois grandes vizinhos europeus divididos pelo Reno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isto e pelo estado comatoso a que chegou a dita união, as eleições francesas e alemãs do próximo ano e picos é uma variável da maior importância quanto ao desenlace de toda esta tragicomédia, desta farsa trágica europeia das bancarrotas, dos défices, das dívidas públicas, das guerras sociais que se aproximam, do euro e da tal união europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha de hoje, país reunificado e economicamente poderoso, país cujos complexos de culpa nazis foram mandados para detrás das costa, país seguro de si e arrogante graças à hegemonia que conquistou face a países debilitados economicamente, países que, aliás, despreza, países meridionais de outras culturas e modos de vida, a nova Alemanha sente que já não precisa de se submeter aos rituais e obrigações da “reintegração”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a Alemanha só não manda no Reino Unido e na Rússia. Nas Ilhas Britânicas nunca mandará, aceitam-se apostas. Na Rússia, seu alvo a médio prazo, sabe-se lá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ex-Alemanha nazi continua a aspirar ser uma potência mundial, é o seu velho sonho. Sonhos que não passarão talvez de pesadelos, provavelmente os germânicos apoiantes da sra. Merkel mais uma vez escolheram a opção errada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema é que as opções erradas da Alemanha sempre causaram sofrimento e desastres a vítimas inocentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperemos então, confiemos nos deuses, façamos bons prognósticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos que a Alemanha volta a ser governada por alguém estilo Willy Brandt ou mesmo Helmut Kohl. Imaginemos que os socialistas franceses mandam - esperemos que não seja a dona Marine Le Pen a fazê-lo - o sr. Sarkozy para casa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos imaginar cenários positivos, mas estamos numa corrida contra o tempo. Os jogos políticos podem ser muito interessantes, mas quando está em jogo a vida de milhões de pessoas e de famílias, tudo se pode tornar trágico e imprevisível.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuemos optimistas, acreditemos que se consegue chegar sem prejuízos de maior até às ditas eleições no eixo franco-alemão e que os resultados destas eleições poderão abrir novas perspectivas para a Europa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos que até a essas eleições, não haverá bancarrota na Grécia, não haverá efeitos de dominó sobre a Itália, Portugal, Espanha, França, Irlanda…Uma espécie de miraculoso compasso de espera…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A grande incógnita é que daqui até às ditas eleições ainda falta muito tempo, que até lá muita coisa que não conseguimos imaginar poderá vir a acontecer e que as ditas eleições muito provavelmente já não virão a tempo de mudar seja o que for no pântano europeu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-5776406059559390407?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/5776406059559390407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=5776406059559390407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5776406059559390407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5776406059559390407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/09/eleicoes-no-eixo-franco-alemao.html' title='ELEIÇÕES NO EIXO FRANCO-ALEMÃO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7824227662259302975</id><published>2011-09-15T00:02:00.002+01:00</published><updated>2011-09-15T00:11:23.334+01:00</updated><title type='text'>BANCARROTAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A palavra mais soletrada ultimamente tem tido a antiga palavra bancarrota.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Palavra soletrada todos os dias a propósito da Grécia, considerada a ovelha mais ranhosa duma coisa que não existe e que se chama união europeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fala-se na bancarrota grega, mas pensa-se sobretudo noutras bancarrotas principalmente mais a sul. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estas lengalengas mediáticas quotidianas são curiosas e muito sintomáticas do racismo que criou a fronteira entre países do norte e do sul deste problemático continente europeu a que pertencemos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se fala da Bélgica, que está em colapso político e que, muito provavelmente será o primeiro país da CEE a entrar realmente em bancarrota, nem da Irlanda que é o país apontado desde há muitos séculos na Europa como o protótipo do país europeu pobre e sem hipóteses. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estas duas raridades sócio-histórico-geográficas têm a seu favor o facto de serem países do norte e, assim, são protegidas pelo preconceito dos outros países nortistas actualmente dominantes com a sua soberba de países supostamente ricos ou muito ricos, imunes a essa conversa de bancarrotas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pura vigarice nórdica xenófoba e racista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que a história das bancarrotas dá para escrever vários livros e dessa história não escapa ninguém. Não vou pormenorizar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apenas olhar um pouco para trás.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na Europa, as bancarrotas de Estado foram frequentes e quase normais durante os últimos séculos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A França, por exemplo, entre os séculos XIV e XVIII, faliu por oito vezes. No séc. XIX, a Espanha faliu sete vezes. A Grécia também não se portou muito bem. Desde que se tornou independente em 1830, a maior parte do tempo esteve falida, influências otomanas. O Reino Unido entrou em falência não sei quantas vezes, perdi-lhes a conta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na época da Grande Depressão, entre os numerosos estados europeus que mergulharam no abismo, o recordista foi de longe a Alemanha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concentremo-nos em pormenores que nos interessam agora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os Estados podem falir e, muitas vezes isso é óptimo para eles. “Falecem” e não pagam. Quem paga o prejuízo? Há a considerar dois tipos de pagantes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais dramático é o dos desgraçados que entram no desemprego ou perdem as suas pequenas economias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há o outro caso, evidentemente muito mais influente, que é o dos credores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Credores, credores é a quinta coluna dos gajos que especulam com a dívida pública, que financiam a compra de aviões, de submarinos, de mísseis, de armas, gente que empresta milhões para negócios mafiosos, essa gente não gosta de falências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Estado falece e essa malta não recupera nem metade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apetece dizer que é justo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Certeza, certeza é que na longa duração histórica, raramente, os Estados cumpriram os seus compromissos financeiros. Os banqueiros e outros prevaricadores tinham obrigação de saber isso, não são enfants de choeur. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caso da bancarrota anunciada da Grécia, o cenário está à vista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dum lado, os desempregados ou futuros desempregados, que é o principal. No mesmo campo, os pequenos aforradores que vão perder grande parte das suas economias, no caso de a bancarrota se confirmar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do lado extremo, temos o capital, os capitalistas internacionais no seu melhor, que, ao contrário do que diz a imprensa, são principalmente alemães. Andaram durante estes anos todos a fazer grandes negócios e agora descobrem que, afinal de contas, talvez devessem ter controlado a sua ganância. Ora, capitalista, se há coisa que não consegue controlar é a ganância…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em que é que ficamos?&lt;br /&gt;Olhando a história, percebe-se que as falências sempre foram inevitáveis acidentes de percurso, a que ninguém escapou. Portugal, 1892, 1926, só para dar dois exemplos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Erros de percurso político, mas com consequências sociais tremendas. Particularidade, os capitalistas foram sempre capazes de tirar a seu proveito as castanhas do lume.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que há de novo na actual crise anunciada da bancarrota dos países mediterrânicos é que o capital financeiro elevou a fasquia, passou a um estádio superior. Tendo perdido o medo das bancarrotas, uma parte do capital internacional aposta agora na falência em cadeia dos Estados do euro. Pensa essa gente que têm muitos lucros em perspectiva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Têm expectativas, a principal é que alguém há-de pagar. São mercenários sem escrúpulos. Gente perigosa, não se vê quem é que os pode travar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Europa, versão união europeia tornou-se um sítio muito perigoso, um sítio indefeso. Um sítio rodeado de ameaças. Consideremos alguns cenários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais óbvio, a ameaça da intervenção da tropa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Grécia está a ser atacada por todos os lados, a Grécia que é um arquipélago, actualmente está reduzida a ser uma ilha no centro dum furacão conduzido pelo capital financeiro internacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem defende a ilha contra o furacão?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha? Faut pas rigoler avec des choses sérieuses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A França, Sarkozy?...&lt;br /&gt;A Itália, a Espanha, Portugal?...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos dois cenários, sejamos claros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou a Europa, cuja versão união europeia não se vislumbra, decide declarar nula a hipótese da falência dum país do euro, toma as decisões apropriadas e põe os mercados e os especuladores capitalistas na ordem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou a Europa continua a política germânica do blá-blá, quanto pior melhor, com esses senhores alemães a mandarem pôr as bandeiras dos gajos do sul a meia haste em Bruxelas e logo se vê. Pensam eles que não têm nada a perder, antes pelo contrário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos que, depois de todas as misérias que o actual governo Coelho e o anterior nos impuseram, entramos na engrenagem duma inevitável falência idêntica à que se anuncia agora para a Grécia. O que é que poderá acontecer quer no caso da Grécia quer no nosso caso?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A minha hipótese, hipótese que penso ser a mais provável e consistente, é a seguinte: pela minha parte, preparo-me mentalmente e fico à espera que a tropa intervenha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não foi isso que o Louçã anunciou para Outubro, um novo 25 de Abril?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que seja um 25 de Abril e não um 28 de Maio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O clima de guerra inter-europeu está cada vez mais audível. Anda para aí muita gente a brincar com o fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe paz perpétua. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7824227662259302975?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7824227662259302975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7824227662259302975' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7824227662259302975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7824227662259302975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/09/bancarrotas.html' title='BANCARROTAS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-3813133877789206978</id><published>2011-08-05T23:43:00.002+01:00</published><updated>2011-08-05T23:55:41.042+01:00</updated><title type='text'>TRAIÇÕES E JUSTIÇA DE CLASSE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já dura há duas ou três semanas o folhetim das secretas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi o &lt;em&gt;Expresso&lt;/em&gt; que começou com a história, o primeiro-ministro Coelho foi desmentindo, o jornal foi insistindo e lá vai conseguindo vender imenso papel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta história continua a ser o principal tema da actualidade nacional, os jornalistas locais não pensam noutra coisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A crise apocalíptica do euro, do dólar e das suas consequências para tantos países e tanta gente mal se dá por ela. Vivemos noutro mundo, é um mundo de pacóvios orgulhosamente virtuais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos as secretas, os média entretêm-se com pormenores inócuos e repetitivos. Factos há poucos, explicações, conclusões, nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de tanta insistência, a questão acabou por ser levada ao parlamento e um senhor que já foi deputado, mas que agora já não é, apareceu na televisão a dar explicações, não percebo quem é que o nomeou ou elegeu para aquele lugar. Deu a entender do alto da sua responsabilidade que não percebi qual é que que sim, que houve fugas. Mas não adiantou mais nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas entrelinhas, pode-se perceber que o homem tem os calos apertados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não diz textualmente, por exemplo, sim esse gajo que era director do SIEM (ou SIDEM, pouco importa o nome) arranjou emprego com um grupo de capitalistas altamente especuladores e atirados para a frente, é gente que não é para brincadeiras. E vai daí, esse tal director, para merecer o seu novo emprego, deu umas dicas, passou informações à empresa privada que depois o contratou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não afirmou, não desmentiu, nem sim nem sopas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, aqui, neste ponto, se tivéssemos gente séria, intelectuais, políticos, jornalistas, este assunto já deveria estar, no mínimo, plenamente esclarecido quanto às suas implicações e futuras e prováveis consequências jurídicas e políticas em relação aos presumíveis implicados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tal director deu ou não deu as informações à tal empresa para a qual actualmente trabalha? Apure-se rapidamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se deu, qual é o crime, qual é a pena em que incorre? Trata-se apenas duma lastimável fraqueza humana, dum delito menor, duma distracção, ou será que a coisa é muito mais grave?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por mim, que não sou jurista, mas pago impostos, voto, sou um cidadão muito preocupado com o seu país, por mim, não tenho quaisquer dúvidas. Se o presumido implicado deu as tais informações, trata-se dum caso de alta traição ao Estado, à Democracia e ao país. Ponto final parágrafo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se tal é o caso, isso terá que meter prisão imediata, tribunal marcial, não sei bem, uma alta jurisdição., pesadas penas. E porquê?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Serviços secretos é uma coisa que não deveria existir, mas se existe, essa existência deve ser justificada por uma necessidade inadiável, premente, em suma, uma necessidade absolutamente necessária. E qual poderá ser essa necessidade? Necessidade óbvia e exclusiva, a de proteger o Estado dos seus inimigos exteriores, digo exteriores, não estou a falar em inimigos interiores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para isso, para defender o Estado contra os seus inimigos interiores, para essa função tivemos durante anos e anos uma coisa que se chamava Política Internacional de Defesa do Estado. A PIDE era internacional, sim, ela perseguia os dissidentes e oposicionistas ao regime fascista que viviam refugiados no estrangeiro. Defendia o Estado? Sim, defendia o Estado Novo. Defendia este Estado dos seus adversários interiores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, as secretas actuais inovaram em relação à PIDE. Elas aparentemente não se limitam apenas a defender o Estado dos seus inimigos interiores. Há razões para pensar que se dedicam a uma outra actividade, certamente muito lucrativa para quem a ela se dedica, que é a de fornecer informações valiosas a grupos económicos interiores que procuram conquistar negócios e posições de poder a desfavor dos seus outros concorrentes interiores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que defendem hoje as secretas, são várias para disfarçar mas fazem todas o mesmo trabalho, o que é que elas fazem? Escutam, perseguem os inimigos do interior, sindicalistas, políticos da oposição, gente que contesta os governos. É para isso que são pagos os espiões que temos, e isso sempre foi assim desde que esses serviços foram criados para suceder à PIDE.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espiam pessoas, espiam principalmente aqueles que têm algum poder e influência. E para que é que isso serve? Para várias coisas, depende, as informações são seleccionadas conforme os destinatários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há o governo, há os partidos de poder, há os grupos económicos e financeiros, o pessoal da pesada, o pessoal que tem de facto poder, que ganha dinheiro, muito dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os grupos que podem pagar informações a directores de secretas, que têm todo poder e meios para os comprar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comprar informação, comprar informadores, tudo isso faz parte do esquema da corrupção que manda no país, tudo isso é utilizado e controlado pelo sistema que afundou Portugal na miséria actual. As secretas são uma peça-chave das máfias que sugam o país, voilà la vérité de que ninguém fala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, meus senhores, já que vão à televisão, já que escrevem nos jornais e dão as vossas notícias e tecem os vossos comentários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vá lá, não sejam mais corruptos do que esses funcionários que fazem panelinha com os poderosos corruptores que nos destroem como país e como democracia. Não sejam mais corruptos do que esses altos funcionários que se vendem. Saibam distinguir, apontem, estas coisas são demasiado sérias e graves, não são show business.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Haverá ainda, nos escalões mais altos da administração e do Estado, responsáveis honestos e devotados ao serviço público e à defesa do Estado democrático? Deverá haver alguns, acredito que há aí gente inteiramente séria e devotada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o pessoal das secretas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um mundo obscuro, é um mundo opaco em que cada comparsa pode tirar as castanhas do lume, ninguém os controla, a não ser que se seja para “pequenos” trabalhos de conspiração bem remunerados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se se confirmar que esse tal director duma secreta passou informações à tal empresa, prejudicando com isso outros concorrentes da dita empresa, se esse tal de director se serviu das suas funções para ganhar dinheiro e poder e se “esqueceu” das obrigações que o ligavam ao Estado, se tudo isso se confirmar, esse cavalheiro e todos os que com ele colaboraram nessa conspiração, todos devem ser acusados de alta traição ao Estado português e condenados na devida proporção da gravidade dos seus crimes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque, meus senhores - se é que alguém vai ler esta legítima diatribe - tudo isto começa a ser demais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por coincidência, soube hoje já quase no fim do telejornal, depois de todas as tretas a propósito do caso das secretas, que uma mulherzinha, uma camponesa de Tràs-os-Montes de 60 anos, anos que, imagino, passou a trabalhar no duro, essa senhora foi hoje inculpada pelo tribunal porque a guarda republicana descobriu em casa dela umas carabinas, umas armas e umas munições. Não a apanhou a dar tiros ou a assaltar um banco ou pessoas. Não, a mulher tinha lá em casa o tal material bélico que nem sequer lhe pertence, parece que é dum filho emigrado em França. Foi inculpada, a justiça tomou conta dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cada país tem a Justiça, os governantes e os altos responsáveis que merece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apostam que, daqui até ao fim do mês, não se vai voltar a ouvir falar da história das secretas? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As secretas não passa duma ligeira febre de verão para alimentar as notícias. Rapidamente, vai ser esquecida. Outras razões para que isso aconteça, aliás, não faltam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se esqueçam, o mês de Agosto é um mês muito perigoso. Praga 1968, Polónia 1939, Moscovo 1991, só três exemplos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Agosto 2011 cheira cada vez mais a crise global a sério.&lt;br /&gt;Os mediáticos de serviço terão, pois, mais com que se preocupar e nós também.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quanto à velhota apanhada pela GNR? Provavelmente, vai apanhar alguns anos por ameaça à ordem e segurança públicas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Justiça de classe, república das bananas, não saímos disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-3813133877789206978?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/3813133877789206978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=3813133877789206978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3813133877789206978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3813133877789206978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/08/traicoes-e-justica-de-classe.html' title='TRAIÇÕES E JUSTIÇA DE CLASSE'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1711264734815581358</id><published>2011-08-04T00:24:00.002+01:00</published><updated>2011-08-04T00:32:59.966+01:00</updated><title type='text'>ÓDIO AOS POBRES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Banco Mundial vai fabricando estatísticas, isso está no seu pedigree, há muito que estamos habituados às suas falsificações, manipulações e outras propagandas criminosas. O Banco Mundial é um bando de salafrários, fazem circular as estatísticas que lhes convêm. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Banco Mundial é o parceiro fraterno do FMI.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe, compete ao Banco Mundial, de acordo com a divisão e tarefas que as potências do grande capital mundial fixaram já há bastante tempo, tratar em especial do chamado Terceiro Mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este conceito de terceiro mundo foi inventado por alguém cuja memória muito prezo. Alfred Sauvy, conheci-o, andava de bicicleta em Paris, com a sua boina, sempre optimista e crítico, para mim o Sauvy era uma espécie de Einstein. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grande impulsionador dos estudos demográficos, economista, espírito aberto, crítico e super lúcido, nos tempos da guerra fria, inventou essa história do terceiro mundo, ou seja, tínhamos o primeiro mundo, o capitalista propriamente dito e, do outro lado, o mundo do socialismo real, estalinista. Logicamente, o terceiro era o mundo dos completamente deserdados, o mundo daqueles que estavam naturalmente destinados a ser as presas fáceis da guerra entre os dois primeiros mundos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sauvy, aliás, confessou que na sua ideia, o mundo capitalista poderia ser assimilado à nobreza e o mundo comunista ao clero. O Terceiro Mundo, claro, seria o Terceiro Estado, aquele que, em França, fez a Grande Revolução.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, até hoje, o tal terceiro mundo não fez revolução nenhuma, antes pelo contrário. O Sauvy enganou-se, é pena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As ex-colónias portuguesas, por exemplo, são um exemplo flagrante do que é ser apanhado no meio da guerra entre os dois mundos e não ter alternativa a não ser submeter-se a um dos contendores. Angola, por exemplo, amargou com a disputa entre USA e URSS, trinta anos de guerra civil, milhares e milhares de mortos e de estropiados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O terceiro Mundo, a sua vocação tem sido sempre a de ser um mundo de vítimas e continua a liderar o ranking dos mais pobres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa expressão terceiro mundo hoje já não se usa, usam-se outras, países em desenvolvimento, países menos desenvolvidos, é disso que falam as estatísticas oficiais das Nações Unidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao tal de Banco Mundial. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Periodicamente esta melíflua e subserviente instituição do capital internacional apresenta os seus relatórios. Relatórios supostamente sobre a situação mundial, sobre as economias mais difíceis. Mas o que Banco Mundial invariavelmente nos diz é que, graças ao seu empenhamento, à sua intervenção e aos seus programas, os países muito pobres se vão tornando menos pobres e, assim sendo e graças à sua desinteressada militância, o número de pobres vai diminuindo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, em 2008, o dito banco veio-nos anunciar que o número de pessoas que vivem abaixo do limiar de extrema pobreza no mundo reduziu-se, entre 1981 e 2005, de 1,9 para 1,4 mil milhões. Quaisquer que sejam os números, a verdade é que são muitos e muito demasiado pobres, cujo limiar de extrema pobreza é fixado em 1,25 dólares americanos por dia e por habitante (como é que se consegue viver com um 1 euro por dia?).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o tal de Banco Mundial exulta: durante todo esse tempo, pouco mais de vinte anos, a população mundial aumentou e, assim de repente, por artes mágicas, a taxa de pobreza extrema foi reduzida para metade : terá passado de 52 para 26 % da população mundial!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Consulto outras fontes, outros dados também relativos a 2008. Pequeno pormenor a ter em conta neste exercício contabilístico: 2008 é o equivalente ao ano de 1929, é o ano do crash de Wall Street sorteado para o 2º milénio da era cristã. É o ano do nosso crash, aquele que está em curso e que ainda não sabemos como é que vai acabar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, segundo as Nações Unidas, nesse fatídico ano, haveria nessa altura perto de três mil milhões de homens e de mulheres a viver com menos de 2 dólares por dia, grosso modo, isso quer dizer cerca de cinquenta por cento da população mundial. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Questões inexoravelmente pertinentes que vêm a propósito: qual a diferença entre 1,25 e 2 dólares, qual a diferença entre 50% e 26% de pobres? Ò banco dito Mundial, explica-nos lá estes pormenores?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No ano de 2008, antes do crash, cerca de 8 milhões de crianças morriam de pobreza e 150 milhões de crianças com menos de 5 anos sofriam de má nutrição. Perto de 100 milhões viviam na rua entregues a si próprias, muitas vasculhando provavelmente nos caixotes do lixo ou nas lixeiras, como na Cisjordânia, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo Kofi Annan, que na altura era o secretário-geral da ONU, seriam necessários cerca de 40 mil milhões de dólares por ano para garantir ao exército dos pobres deste mundo o acesso aos serviços sociais de base, tais como, instrução, saúde, alimentação, água e salubridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;40 mil milhões é um orçamento inferior ao que os europeus gastam em cigarros – não tenho nada contra os cigarros – e, principalmente, é três vezes menos do que aquilo que gastam os países não-industrializados - ressalvemos, que estes países não são os únicos onde há pobres a tentar sobreviver com 1,25 dólares - em despesas militares, Armas, my God, precisam de armas para quê? Para matar os mosquitos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos o corno de África, a Somália, a Etiópia, temos o Afeganistão, temos a Síria, temos o Conselho de Segurança da ONU, temos a corte dos especialistas que se ocupam do exército mundial de pobres, o exército de reserva de mão-de- obra de que falava o Marx. Mão-de-obra pronta para servir o capital internacional, precisam de emprego, precisam de salários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos também o exército mundial dos que lutam por manter o seu emprego, o exército dos que vão sobrevivendo até chegar a vez de, eles próprios, irem vasculhar nos caixotes do lixo ou tratarem de reunir a trouxa e porem-se a caminho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Crazy world.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história disto a que chamamos humanidade é uma história de ódio aos pobres.&lt;br /&gt;E daqui não vamos sair.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-1711264734815581358?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/1711264734815581358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=1711264734815581358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1711264734815581358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1711264734815581358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/08/odio-aos-pobres.html' title='ÓDIO AOS POBRES'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7655545206135173451</id><published>2011-08-02T23:54:00.002+01:00</published><updated>2011-08-02T23:57:23.230+01:00</updated><title type='text'>SINGAPURA À VISTA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A regra não mudou e provavelmente nunca mudará, cada um de nós tem uma margem de liberdade muito limitada. Dependemos da lógica dos Estados e dos interesses que os dominam, não podemos fazer nada, não temos poder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As nossas vidas, nós os que estamos aqui agora, nós os que já cá estiveram, nós os que vão vir ou que vão nascer, todos nós somos, fomos e seremos manipulados em nome dos superiores interesses dos Estados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À manipulação de interesses que determinam as relações de força entre Estados é costume chamar-se ordem internacional. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesta matéria, o problema principal que vivemos hoje é que não existe propriamente uma ordem internacional. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num período de transição e de incertezas entre a velha ordem baseada no equilíbrio do terror, aquele equilíbrio que existia até à queda do muro de Berlim entre duas superpotências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dum lado, a “cortina de ferro” da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, do outro, o “mundo livre”, o mundo dos pintainhos dormitando sob as asas da mãe América e da Nato.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivemos agora, desde há alguns anos e não há sinais de melhoria, numa transição entre qualquer coisa que já não existe e outra que muito provavelmente vai ser muito pior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os sinais desse admirável mundo novo estão à vista, precisamos de nos esforçar em perceber o que é que aí vem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A América está falida, a América perdeu o controle de si própria, nas antigas pradarias das guerras entre brancos e peles-vermelhas prepara-se uma guerra social tremenda, uma guerra que não será apenas entre americanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sejamos optimistas, dessa guerra, sabe-se lá, podem resultar coisas boas. Mas uma guerra é sempre uma guerra e haverá forçosamente muitas perdas. Talvez se avance para a profecia de Marx. E, das ruínas do capitalismo avançado, talvez possa nascer uma nova sociedade sem exploradores nem explorados. Adelante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto à Europa, a chamada união europeia é uma ficção, está perdida, não tem poder, não tem influência, a Europa auto-devora-se numa espécie de guerra civil conduzida pelos especuladores do capitalismo financeiro do norte contra os países do sul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os mercados é quem mais ordenha, os mercados sabem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Obama assinou o acordo com o Tea Party e Wall Street terminou a sessão em forte baixa. O mesmo aconteceu com todas as praças europeias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sarkozy convocou uma reunião extraordinária do parlamento francês para princípios de Setembro, por causa da “crise grega”, leia-se a crise do euro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Zapatero, coitado, teve que anular as suas férias, os juros da dívida soberana espanhola voaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Berlusconi convocou uma reunião de emergência dos seus peritos financeiros, não sei se anulou as férias, em todo o caso, ele tem sempre o ar de quem está de férias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os chineses assistem a tudo isto, riem-se discretamente, mas não é um sorriso amarelo. É um sorriso que não disfarça o seu contentamento, principalmente por causa das cenas do Capitólio americano entre democratas e republicanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O russo Putin, com o seu ar de superman falhado, acusa a América e os americanos de viverem à custa da economia mundial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O franco suíço chega praticamente à paridade com o euro, o euro começou a sua descida aos infernos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece que voltámos a 1939.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Onde está aquele ponto fixo e credível que nos diz onde é que estão a ordem internacional e os lugares e as relações entre Estados, economias e mercados? Quem não sabe o que fazer e tem bastante dinheiro de lado, volta-se para um país neutral, volta-se para a neutralidade suíça, compram francos suíços.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os suíços ficam preocupados, os europeus levam as mãos à cabeça, não sabem o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Querem melhor sinal da nova desordem internacional e de tudo o que se avizinha?&lt;br /&gt;Por enquanto, ainda temos a Suíça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não faltará muito, os “nossos” capitalistas viajarão com as suas poupanças para Singapura. Sempre estarão mais próximos da China. Nunca se sabe!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7655545206135173451?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7655545206135173451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7655545206135173451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7655545206135173451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7655545206135173451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/08/singapura-vista.html' title='SINGAPURA À VISTA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2162348947217339889</id><published>2011-08-01T23:47:00.002+01:00</published><updated>2011-08-01T23:53:10.684+01:00</updated><title type='text'>TEA PARTY E O QUE SE SEGUE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No último momento, como num filme de suspense, os políticos americanos chegaram a acordo sobre a questão do tecto da dívida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um acordo entre gente sem escrúpulos, entre políticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por maiores tretas e justificações de circunstância que se possam inventar, infelizmente, a actividade política nos tempos que correm tem cada vez mais a ver com a ópera do malandro. Façam uma coisa ou optem pelo seu contrário, os políticos pensam antes de mais nos interesses da sua carreira, nas próximas eleições e por aí adiante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O povo, os mais fracos, os interesses colectivos, tudo isso fica para o blá blá das eleições e do marketing. E o povo, ocupado com as tarefas da sobrevivência, deixa passar, o povo agradece. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Obama assinou um acordo em que capitulou em toda a linha perante os republicanos do Tea Party, que é uma seita fundamentalista cristã neo-liberal capaz das piores infâmias em nome da sua fé de povo e raça branca cristã superior. A história e o futuro compararão esse bando de malfeitores com os esclavagistas do tempo da guerra civil, com os supremacistas terroristas brancos da estirpe do Timothy Mc Veigh ou do norueguês cujo nome me recuso a pronunciar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na minha opinião, esses praticantes de encontros de chá são terroristas filiados numa velha genealogia, que se tem reproduzido ao longo do tempo, Hitler, Mussolini, Bin Laden. Essa gente, que é suposto ser amante de chá, na realidade ama apenas os seus privilégios e odeia a humanidade, principalmente os pobres e aqueles cujas cor de pele ou maneira de vestir são diferentes. Pensam exclusivamente nos seus privilégios e entendem que os pobres o melhor que têm a fazer é tornarem-se ricos. Se não o conseguirem, they must die.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Tea party venceu o Obama, obrigou-o a assinar um acordo que destrói todos os nobres objectivos que o presidente negro americano assumiu desde que se tornou President of the United States, título que lá por aquele lado do Atlântico é considerado como o supra-sumo da democracia e do sonho americanos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Essa capitulação foi confirmada pelo New York Times, segundo o qual, para evitar o caos, Obama assinou “um acordo terrível”, que representa uma vitória total do Tea Party. É “uma capitulação total às pressões mais extremistas dos republicanos”, que destruirá “os programas para a classe média e os pobres e travará a retoma económica”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Obama foi vencido. O Obama não é Abraham Lincoln, that’s a pity.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A questão é que tudo o que acontece nos USA, por enquanto, tem repercussões imediatas no resto do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pensemos, então nas consequências globais da submissão do Obama aos fundamentalistas supremacistas neo-liberais cristãos brancos do Tea Party. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mundo e o que resta da democracia caminham inexoravelmente para o caos, caos inevitável, ajustes de contas entre fundamentalistas de todas as tendências de um lado e de outro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ambiente de guerra, e as usual, não haverá vencedores, apenas vencidos e loucos à solta, muita desgraça e miséria. Estarei a exagerar na dramatização?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Infelizmente, não vejo razões para alimentar dúvidas razoáveis. O mundo é um lugar cada vez mais perigoso, em transição para o caos e o triunfo do irracional e das seitas emergentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Terminemos este dia preocupante com um pensamento muito preocupado para com os mártires da Síria e a indiferença das “democracias”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mundo global, caos anunciado, só más notícias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2162348947217339889?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2162348947217339889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2162348947217339889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2162348947217339889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2162348947217339889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/08/tea-party-e-o-que-se-segue.html' title='TEA PARTY E O QUE SE SEGUE'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4877591589760266556</id><published>2011-07-26T01:03:00.003+01:00</published><updated>2011-07-26T01:10:42.321+01:00</updated><title type='text'>NÃO SE PODE EXTERMINÁ-LOS?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Moody’s baixou o rating da Grécia para o limiar absolutamente mínimo, abaixo do qual se deixa de estar no lixo e se entra na falência. Decreto de morte para a Grécia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto acontece uma semana depois de as instâncias que mandam na união europeia terem acordado conceder à Grécia um empréstimo de quase cento e sessenta mil milhões de euros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena tirar daqui algumas consequências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo financeiro internacional chegou a um limite de total abjecção. Abjecção que nos cerca e nos quer destruir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o poder absoluto que conseguiu conquistar, este supremo estádio do capitalismo digno do tribunal de Nuremberga, passou a usufruir da suprema e criminosa legitimidade que lhe permite decretar o genocídio eugenista de todos quantos considera serem incumpridores das regras neo-liberais que estão inscritas em letras de ouro na sua cartilha. A fase da absoluta hegemonia da moeda, do dinheiro, da especulação e do lucro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo que temos hoje passou à fase 1984 do Orwell, aquela fase que o Orwell tinha atribuído ao poder estalinista soviético e que é a do poder inteiramente discricionário, autocrático e obscuro que controla tudo e todos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O próprio presidente dos USA está neste momento na mira do fogo das agências que servem o poder obscuro da ditadura do capital financeiro, o homem foi ameaçado pelas agências de rating.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que vem acontecendo desde há três anos aponta para um novo espectro que ameaça muitos países, principalmente, os países europeus que foram inscritos na lista de futuros países prontos para a bancarrota.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É esse espectro que agora decide sobre os nossos salários, sobre o nossos direitos, que nos retira os subsídios de desemprego, o abono de família, que decide quantas freguesias e concelhos e que é podemos ter, que decide quem é que pode mandar os filhos à escola, que decide quem é que tem direito a um hospital ou a um médico, que decide quanto é que vamos pagar para andar de metro, de comboio ou de autocarro, que decide o que é que podemos ver na televisão ou ler nos jornais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um espectro, são deuses desconhecidos cujo poder omnisciente decide quem vai viver e quem vai morrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse poder omnisciente acaba de decretar, pela voz dos lacaios das agências de rating, quantos gregos deverão ser sacrificados, decidiu que a Grécia não tem futuro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em breve, esse decreto poderá alargar-se às vítimas que estão na lista dos futuros insolventes, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha, Bélgica, Irlanda, Estados Unidos…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguém anda a conspirar, alguém anda a empurrar tudo isto para uma nova guerra de grandes proporções e não me parece que seja aquele louco assassino da Noruega. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Serão loucos, serão assassinos, mas têm outros meios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que nós vamos fazer quando esses gajos nos atirarem para o último dos últimos níveis, abaixo do qual somos declarados falidos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pagamos impostos, trabalhamos, não causamos distúrbios, respeitamos os direitos deste e daquele. Nem sequer manifestamos na rua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somos brancos, somos pretos, indianos, cristãos, muçulmanos, europeus, africanos, homens ou mulheres, crianças ou adolescentes, gays or not, trabalhamos, quando temos emprego. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Levamos os filhos à escola, à creche quando ela existe, pagamos bilhetes no autocarro, compramos o passe, pagamos as contas no supermercado, não andamos a roubar nem a matar e, então, como é que vêm estes gajos que ninguém conhece, que ninguém sabe donde é que vêm, nem quem é que os elegeu, como é que vêm esses gajos mandar na nossa vida, como é que eles nos vêm punir, castigar, reduzir-nos à miséria?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será apenas porque resolvemos entrar para a CEE e para o euro?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Grécia é atirada para o limiar da bancarrota pela Moody’s. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concentremo-nos nessa gente. Quem são, quem é que os controla, o que é que os banqueiros e os capitalistas da nossa praça ganham com eles. Por alguma razão lhes pagam, devem ter algum interesse nas cabalas em que esses gajos andam envolvidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há por aí cumplicidades criminosas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De que é que serviu a cimeira europeia?&lt;br /&gt;Não resolveu o problema dos gregos, é o que parece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deu-nos a ilusão de que talvez a crise tenha solução, de que talvez não sejamos empurrados para um lugar escuro no centro da terra sem luz e sem oxigénio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão é que nós portugueses, nós gregos, irlandeses, espanhóis, italianos, nós soi disant europeus, nós não decidimos nada, não controlamos nada, estamos apenas a correr atrás do prejuízo e não fazemos ideia sobre o que é que vai acontecer amanhã.&lt;br /&gt;A Europa! A união europeia é uma perigosa e redundante utopia, a união europeia é um laboratório de criminosas experiências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Larguemos a Europa e concentremo-nos em objectivos mais realistas e inteligentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sejamos anti-capitalistas e anti-moody’s.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se poderá exterminá-los?&lt;br /&gt;Era a pergunta do dramaturgo alemão Karl Valentin nos anos da grande depressão, pouco tempo antes do Hiler subir ao poder.&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633445875896517090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-G02Xnt3S4Dk/Ti4FLUYzgeI/AAAAAAAAA6A/9MIYgtdlI_g/s400/64KarlValentin%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Olhemos para o Atlântico, somos atlânticos, não somos europeus. Somos mestiços com a África e o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Façamos uma comunidade com os nossos irmãos atlânticos do sul, sem agências de rating. Uma comunidade de democracias, de povos inventivos, livres, solidários e livres. De gente com laços fortes entre si, de gente tolerante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Europa tornou-se um cemitério, um espaço de morte e de desgraças. Quais federalismos, qual o quê. Deutschland über alles?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Salvemo-nos enquanto é tempo! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4877591589760266556?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4877591589760266556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4877591589760266556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4877591589760266556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4877591589760266556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/nao-se-pode-extermina-los.html' title='NÃO SE PODE EXTERMINÁ-LOS?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-G02Xnt3S4Dk/Ti4FLUYzgeI/AAAAAAAAA6A/9MIYgtdlI_g/s72-c/64KarlValentin%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-3124343835036925131</id><published>2011-07-21T23:16:00.002+01:00</published><updated>2011-07-21T23:21:13.844+01:00</updated><title type='text'>VANTAGENS APARENTES DO PÂNICO EUROPEU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda é cedo para se perceber exactamente o que é que foi decidido hoje em Bruxelas na cimeira da última chance, chamem-lhe o que quiserem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que a dita cimeira centrou a sua atenção exclusivamente na situação explosiva da Grécia, não se terá falado nem de Portugal nem da Irlanda.&lt;br /&gt;Na realidade, nunca saberemos o que é que lá se passou e, mesmo que alguma vez se saiba, isso não vai servir para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aparente acordo conseguido hoje em Bruxelas pode ser explicável pelo medo do contágio da crise da dívida soberana à Itália e à Espanha. Esse pânico terá tido algum efeito, porque o pessoal que manda nessa coisa chamada moeda única é gente muito macha mas a certa altura, quando as coisas aquecem a sério, perdem os pedais, lá se vai a coragem. O medo é bom conselheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deduz-se deste aparente acordo que, da parte alemã, prevaleceu a táctica dois passos atrás um passo à frente e, a seguir, logo se verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na véspera, a Dona Merkel tinha-se dado ao trabalho de nos avisar, não esperem nada de espectacular da cimeira, não vamos resolver nada. Era uma ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece que as linhas em que corre o comboio da ditadura financeira alemã foram desviadas para uma espécie de impasse, e nessa emergência, a estratégia de Berlim do quanto pior melhor foi confrontada com o dilema do general quando, na véspera da batalha, se prepara para atacar e percebe que afinal está em desvantagem, e decide levantar o acampamento, mandar os soldados para outra parte e esconder as armas e os canhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá, pois, havido recuo táctico, a Alemanha não cedeu completamente na cimeira, mas cedeu e no fim parece que toda a gente acabou por sair satisfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos vão receber uma ajuda de 158 mil milhões de euros durante trinta anos. Mas implicitamente, e a bolsa de Londres encarregou-se de o confirmar, ficou estabelecido que os compadres do Peleponeso estão tecnicamente falidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm trinta anos para pagar, trinta anos, coitadas das crianças gregas! Mas, os juros, valha-lhes isso, desceram para 3,5%. É uma renegociação da dívida, não há volta a dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha também levou a dela avante porque, neste segundo plano de salvação da Grécia, os bancos e outros credores privados vão ser obrigados a contribuições substanciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande e poderosa matilha dos negociantes e engenheiros financeiros especulativos e criminosos vai ter que desembolsar cerca de 135 mil milhões de euros a pagar pelos gregos em 30 anos. Esse pessoal da finança alemã vai ter que dizer adeus a uma parte substancial dos créditos e dos lucros com que andavam a salivar. Vão ter que amargar, perdem hoje, mas recuperam amanhã, não tenham pena deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sarkosy apareceu no seu papel de que gosta mais, o papel de salvador &lt;em&gt;in extremis&lt;/em&gt;, naturalmente pareceu o mais satisfeito deles todos. Sabe-se que o homem é de baixa estatura, que usa saltos altos e, talvez por isso, gosta de se pôr em bicos dos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto da sua importância de presidente francês, que não sei bem qual é, little Sarkosy anunciou que a ajuda da união europeia à Grécia será de 54 mil milhões de euros em três anos (de hoje a 2014).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anunciou também que vão ser apresentadas pela união europeia antes do fim do Verão, propostas para melhorar a governança da zona euro. E acrescentou – ele e a Merkel é que são os patrões, pelo menos, é isso que ele acredita - : a chanceler Ângela e eu próprio concordámos que era preciso avançar com muita ambição e voluntarismo nas próximas semanas para um novo modelo de governança económica da zona euro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais palavra, menos palavra, foi isso o que o homem disse, explicou que a nossa (deles, casal franco-alemão) ambição é aproveitar a crise grega para fazer um salto qualitativo na governança da zona euro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Federalismo, moeda única, ditadura única, preparemo-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades dos Filipes espanhóis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros personagens desta tragi-comédia em que se brincam com milhares de milhões, também se mostraram muito satisfeitos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Trichet do Banco Central Europeu, que, antes da cimeira, era contra a participação dos privados, saudou a solução encontrada para ajudar a Grécia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O FMI e a sua nova dirigente, a Christine Lagarde, que Deus a guarde, anunciou que também vai participar no novo plano de ajuda à Grécia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A banca subiu na bolsa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os transportes vão aumentar 15%.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Novas medidas de austeridade estão anunciadas, não se sabe bem quais nem exactamente para quando, mas é questão de semanas, antes do fim do Verão, a limpeza estará completa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As decisões da cimeira da troika europeia de hoje, 21 de Julho do ano da desgraça de 2011, talvez fiquem na história. Quem sou eu para fazer juízos pré-históricos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, no imediato, não vejo o que é que tudo isso vai mudar aqui para estes lados do Atlântico ocidental periférico europeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez esteja muito simplesmente a ver um daqueles filmes americanos de ficção com muitos efeitos especiais numa galáxia distante, com extra-terrestres que se divertem, que decidem isto e aquilo, faço zapping, olho à volta e continua tudo na mesma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez consigamos sobreviver. Alá é grande!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Valham-nos a metafísica e as transcendências das longas durações. Daqui a cinquenta anos, tudo isto será muito mais claro. Tarde demais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-3124343835036925131?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/3124343835036925131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=3124343835036925131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3124343835036925131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3124343835036925131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/vantagens-aparentes-do-panico-europeu.html' title='VANTAGENS APARENTES DO PÂNICO EUROPEU'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-8618516313134355928</id><published>2011-07-18T23:50:00.002+01:00</published><updated>2011-07-18T23:58:00.206+01:00</updated><title type='text'>A SUL, NADA DE NOVO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Está marcada para quinta-feira, 21 de Julho, uma cimeira extraordinária dos responsáveis dos governos da união europeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O simpático presidente belga da união europeia tinha anunciado esta reunião para a passada 6ª feira, mas a chanceler Merkel prontamente mandou desmarcar. Quem manda, manda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil imaginar o que vão ser os resultados da dita cimeira.&lt;br /&gt;Eles estão anunciados há muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A união entre aspas europeia está sob a alçada da hegemonia germânica, nem toda a gente sabe ou aceita isso, mas essa é a realidade, haverá volta a dar? Há, há, mas quem é que toma a iniciativa? A Grécia, a Irlanda, Portugal, a Itália, a Espanha, cada um por si, ou todos juntos? E quem é que toma a iniciativa, os governos colaboracionistas ou os povos inconformistas e indignados?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O puzzle de tudo o que está acontecer neste ano da desgraça de 2011 é muito complexo, nem tudo é preto, nem tudo é branco. Há sintomas de que dentro da própria Alemanha muita coisa está em aberto. A conspiração do capital alemão de tendências imperialistas tem adversários internos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Helmut Kohl não é um político qualquer, é um personagem histórico cuja visão e coragem deixaram merecida marca. Na história da Alemanha pós-nazi ninguém foi tão longe quanto ele na aproximação a uma Europa próspera e de paz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recebeu da união europeia o apoio à sua vontade de reunificar a Alemanha. A Alemanha foi reunificada pela sua vontade, mas sem esse apoio europeu a reunificação teria sido um completo fiasco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez porque quisesse demonstrar as boas razões da sua insistência em integrar a antiga Alemanha estalinista na Alemanha e na Europa, Kohl promoveu Angela Merkel e fez dela chanceler.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece que ontem deu sinais de estar arrependido, mas a questão não é essa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que na Alemanha existe uma fractura entre aquilo que é o tradicional sector perigosamente fascista da &lt;em&gt;Deustschland über alles&lt;/em&gt; e o sector mais identificado e mais preocupado com os valores de uma Europa de paz e de valores universais e de fraternidade e de solidariedade. Mas não sou alemão nem vivo na Alemanha, limito-me a ver os sinais que de lá chegam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A aparente dissociação do Kohl em relação à sua protegida Merkel é um sinal significativo da fractura inter-germânica que poderá trazer eventuais repercussões positivas sobre a crise europeia e o futuro da Europa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostava de saber o que é que o Joschka Fischer, antigo ministro dos estrangeiros e vice-chanceler do Gerhard Schroder pensa sobre tudo isto. Mas alguém terá criado um manto de silêncio à sua volta ou então, não sei. Fischer sempre foi um genuíno defensor duma Europa solidária, sem hegemonias e sem patrões. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os nossos jornais deviam dar mais atenção às vozes discordantes dentro do mundo germânico. Talvez seja por preguiça que não o fazem, o pessoal entra às 10, sai às 5, não está para se chatear, fecha o jornal, vai para casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Li, entretanto, uma notícia da Lusa, ora aí está, as agências continuam a ter a utilidade de disfarçar a preguiça e incompetência dos jornais, alguém da agência se deu ao trabalho de ler uma entrevista de um responsável alemão do misterioso Fundo Europeu de Estabilização Europeia (FEEF), fundo sobre o qual muito se tem escrito, mas não o suficiente para se perceber para que é que essa coisa vai servir, até agora não serviu para nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista ao &lt;em&gt;Frankfurter Allgemeine Zeitung&lt;/em&gt;, o presidente do FEEF afirmou preto no branco que “Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos (eles, alemães) juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do orçamento alemão.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que este senhor afirmou não é novidade, o que é novidade é que um importante jornal alemão resolva dar voz a um distinto responsável alemão por um fundo europeu, fundo que é suposto prestar socorro aos países periféricos europeus atirados para o caixote do lixo pelas agências de rating, as quais são manipuladas pelos banqueiros alemães. É novidade assinalável que este distinto responsável alemão e europeu tenha a coragem de vir dizer aos alemães, vocês estão a fazer enormes lucros com a crise do euro periférico dos países atirados às feras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguém da &lt;em&gt;Deutscland über alles&lt;/em&gt; terá lido com atenção estas palavras do distinto compatriota?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já aqui foi explicado que, sobre o euro e a união europeia, paira um clima de guerra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como em todas guerras, tem que se considerar que existem duas frentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A frente invasora está bem organizada, é o exército comandado pelo capitalismo alemão, com os seus funcionários políticos chefiados pela chanceler Merkel, com os seus aliados nórdicos, holandeses, finlandeses, dinamarqueses, suecos, noruegueses.&lt;br /&gt;Estamos perante uma espécie de remake da guerra de secessão americana, norte contra sul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só que, a sul, não há chefes, não há estratégia, não há exército. Os políticos desta frente, limitam-se afirmar todos os dias Portugal não é a Grécia, a Espanha não é Portugal, a Itália nem é a Grécia, nem é Portugal, nem é a Espanha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A França também começa a dizer que não é nenhum desses países, talvez por causa do seu irreprimível fascínio pelo presidente Obama, que há poucos dias veio solenemente garantir que os USA não eram nem a Grécia nem Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema do sul da Europa não é apenas o de não ter aliados dentro da dita “união” europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema meridional é ter os políticos que tem.&lt;br /&gt;Políticos sem qualquer peso, sem qualquer estratégia, sem qualquer poder de influência.&lt;br /&gt;Políticos ridículos e amadores. E vou deixar de fora os corruptos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostava de perceber se o doutor Cavaco anda a ouvir vozes, como a Joana d’Arc. Será que Deus lhe segredou ao ouvido que a solução da crise europeia é simples, basta desvalorizar o euro?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Doutor Cavaco, acha que a Alemanha vai aceitar uma moeda mais fraca do que o dólar? A Alemanha está a ganhar todo o dinheiro que lhe apetece, graças, entre outras coisas, ao euro que têm, o euro que é deles. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desse poder não vão abdicar na próxima reunião de emergência de quinta-feira. Obviamente não vão desvalorizar a moeda dita “única”, nem vão prescindir da sua exigência de meterem os privados no rateio das dívidas soberanas dos países do sul da Europa, todos, incluindo a França.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Doutor Cavaco, recolha-se à sua insignificância e inutilidade. É triste, mas a sua capacidade para representar um país, que está a ser espoliado pelas maquinações dos poderes financeiros que mandam na Europa, não vai além de dar palpites parvos e patéticos para aparecer nos telejornais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sul, nada de novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-8618516313134355928?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/8618516313134355928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=8618516313134355928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/8618516313134355928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/8618516313134355928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/sul-nada-de-novo.html' title='A SUL, NADA DE NOVO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-439324040943583494</id><published>2011-07-15T00:29:00.003+01:00</published><updated>2011-07-15T00:40:58.242+01:00</updated><title type='text'>PRIVATIZAÇÕES, IMPOSTOS E LIBERALISMO</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A notícia do dia de hoje, 14 juillet, dia da tomada da Bastilha, foi a conferência de imprensa do novo ministro das finanças. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629354663911186882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RAymMnnpa74/Th98PcEdYcI/AAAAAAAAA5w/yLRHeTKkNJU/s400/ministrodasFinancasVitorGaspar%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Devo admitir que, no seu papel de ministro plenipotenciário mandatado pela troika, o homem esteve bem. Diria mais, comparado com os seus antecessores e o que nos resta da memória de todos eles, este novo ministro faz parecer esses esquecidos personagens como uma espécie de merceeiros no fazer as contas e no raciocinar, sem desprimor para os ditos merceeiros, gente laboriosa e muito útil. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ministro inaugurou um novo estilo, é pausado, pesa bem as palavras, é arguto, é prudente, transmite confiança e seriedade. Para ministro das finanças neo-liberal dum país à beira da bancarrota, what else? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, não fiquemos pelo estilo e perguntemos onde é que está a coerência política entre este ministro e o seu discurso neo-liberal? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos USA há neste momento uma guerra política que opõe duas Américas, a democrata ou de esquerda e a republicana ou de direita. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta guerra faz-me pensar numa outra que também opôs republicanos e democratas americanos, foi na grande depressão do final dos anos 20, princípio dos anos 30. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve o crash de Wall Street, houve os quilómetros de pessoas na fila por um prato de sopa, foi a grande depressão. O presidente republicano Hoover, em nome da ortodoxia liberal fundadora dos USA recusou-se a intervir, ao Estado o que é do Estado, aos privados a livre iniciativa e os mercados. E o país afundou-se. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Veio felizmente o democrata Roosevelt com o New Deal, um ambicioso programa político de intervenção social e económico que salvou a América da recessão. A América e não só, porque já nessa altura, as recessões num país rico podiam provocar recessões em cadeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando agora vejo o Obama na televisão rodeado pelos chacais republicanos neo-liberais que apenas juram pela livre iniciativa, pelos mercados e contra os impostos não penso apenas nas consequências que essa guerra poderá ter em relação às economias fora da América e principalmente as dos países mais vulneráveis, entre os quais está Portugal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Penso no Herbert Hoover e nas responsabilidades que o fundamentalismo liberal teve na grande recessão de há oitenta anos. Penso também nas contradições do neo-liberal Vítor Gaspar e do governo do qual é a peça-chave.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem é um adversário de respeito e quem não reconhecer isso arrisca-se a muito más surpresas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É forte e isso ficou à vista na conferência de imprensa. Que eu saiba, nenhum jornalista o colocou perante a contradição básica, e no entanto ela salta aos olhos, a contradição inerente à sua prática de ministro cujo pensamento é neo-liberal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um verdadeiro político neo-liberal, estou a falar de alguém que seja coerente com as suas convicções ideológicas, - sublinho a palavra ideologias, porque entendo que, tal como o comunismo, o neo-liberalismo é uma ideologia – dizia eu, para estar de acordo com a ideologia, o ministro Vítor Gaspar não devia aumentar impostos. Pelo contrário, impunha-se que tratasse, na primeira ocasião, de os baixar. Chamo a isso coerência política, coisa cada vez mais rara e fora de moda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, ninguém confrontou o sr. Ministro com o desvio entre a sua ideologia e a sua prática governativa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a ocasião estava ali à mão. Sobre o que é que o ministro discorreu na dita conferência? Sobre duas coisas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sobre um novo imposto que atinge os assalariados, os reformados e os precários, ou seja o essencial das forças produtivas ou que já o foram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É o imposto do pai natal, e a injustiça e a desonestidade dum tal imposto são óbvias. Um governo que, antes de o ser, sempre disse que não aumentaria os impostos e a primeira coisa que decidiu foi punir, castigar desalmadamente quem trabalha e vive com mais de 500 euros. Um governo que, na sua fúria castigadora, poupou o lote dos privilegiados que se entretêm livremente a acumular fortuna. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falou também das privatizações. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O corte no subsídio do natal vai ser aplicado apenas em 2011, é o que o governo promete, mas os governos falam, falam e depois, enfim, quem é que pode acreditar piamente, confiadamente nas suas palavras? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, sobre as privatizações, parece não haver grandes dúvidas, eles vão privatizar rápido e em força, foi o que o Salazar fez quando mobilizou as tropas para as guerras coloniais no início dos anos 60. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão das privatizações é uma história muito mais séria do que o imposto do pai natal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta olhar para a lista das empresas a privatizar, para perceber a gravidade do que se vai passar.&lt;br /&gt;À vista desarmada, descobre-se que a lista foi pensada como uma espécie de apelo ao saque, estou a falar de saque de piratas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São oferecidas, aos futuros piratas, empresas que são as últimas “jóias da coroa” teoricamente vocacionadas para assegurar serviços públicos. Empresas, cuja importância crucial não deriva apenas do facto de estarem ao serviço dos cidadãos em geral. Elas são elementos essenciais da independência nacional. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não gostam da expressão, eu faço questão, é que não há liberdade sem independência nacional. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sei que já nos resta pouco dessa independência, mas agora, no espaço de poucos meses ou semanas, não conheço o calendário, sei que esse pessoal do governo com o ministro das finanças à frente estão todos com muita pressa, eles vão fazer passar para as mãos do capital privado, estrangeiro ou não – essa distinção não interessa muito, porque nós já sabemos de que casa gasta o capital dito nacional - , a ANA dos aeroportos, a TAP, a Galp, a EDP, as Águas de Portugal, a REN, os CTT, a CP Carga e o ramo segurador da CGD. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resumindo e concluindo, o Governo, de que o doutor Vítor Gaspar é ministro das finanças, vai pôr a leilão e vender pelo preço da uva mijona as empresas estratégicas nacionais que nos restam. Estratégicas, sim. Haverá coisas mais estratégicas do que a água, a energia, o ar e os transportes e comunicações? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o aspecto estratégico não é o critério decisivo do negócio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se essas empresas fossem deficitárias, se dessem prejuízo, o governo, por mais neo-liberal que seja, nunca as poria à venda. Só vai privatizar as que vão dar lucro aos privados, é a velha história de amor entre governantes e capitalistas. Esse amor eterno, esse sim, é o critério decisivo, o critério digno da ideologia neo-liberal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes senhores que agora mandam em nós são coerentes na oferta de chorudos negócios a preço de saldo, oferecidos ao capital internacional, mas não são neo-liberais quando se trata de impostos. Privatizam por um lado, aumentam impostos por outro, ninguém é perfeito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parêntessis: esta frase faz-me pensar no filme de Billy Wilder &lt;em&gt;Someone like it hot&lt;/em&gt; (1959). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escapa-me, porém, por que é que o governo Passos Coelho insiste em privatizar a RTP. É que a RTP não dá lucro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aliás, os patrões das televisões privadas não estão nada contentes e percebe-se porquê. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um novo canal privado só vai aumentar a concorrência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora, os capitalistas da nossa praça, que passam a vida a mandar vir contra o Estado, mas que não podem passar sem ele, que dependem das chamadas parcerias público-privadas e de outros negócios mafiosos, esses capitalistas, que não vão pagar o imposto do pai natal, entram em pânico quando aparece um novo concorrente no mercado e, então, desatam aos berros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade, Dr. Balsemão, que vai começar a berrar contra o governo do partido de que é o distinto fundador nº1? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para chatear esses nossos tremendos e nefastos capitalistas, privatizem então a RTP.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E já agora, privatizem também a Carris, os Metros de Lisboa e do Porto, a Refer. Privatizem a CP toda e não apenas a CP carga que é a única que dá lucro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não são coerentes no que toca aos impostos, ao menos, sejam coerentes em relação às privatizações. Vá lá, livrem-nos de tudo o que o nos dá despesa e prejuízo, livrem-nos do que não é rentável. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5629355567659243330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 252px; CURSOR: hand; HEIGHT: 189px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bkdLN-mBF3M/Th99ECyyV0I/AAAAAAAAA54/9z3mMZMye5c/s400/imagems%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O povo que paga impostos, a legião dos que ganham quinhentos euros ou pouco mais, ou ainda menos, o povo dos falsos recibos verdes, o povo dos desempregados, o povo que paga tudo, o povo que tem as costas largas provavelmente humildemente agradecerá. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um povo de brandos costumes agradece tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-439324040943583494?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/439324040943583494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=439324040943583494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/439324040943583494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/439324040943583494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/privatizacoes-impostos-e-liberalismo.html' title='PRIVATIZAÇÕES, IMPOSTOS E LIBERALISMO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RAymMnnpa74/Th98PcEdYcI/AAAAAAAAA5w/yLRHeTKkNJU/s72-c/ministrodasFinancasVitorGaspar%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7091420388701647348</id><published>2011-07-09T23:49:00.003+01:00</published><updated>2011-07-10T00:02:03.269+01:00</updated><title type='text'>MARIA JOSÉ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_G9SAHDlP2Y/Thjc_HdHGUI/AAAAAAAAA5o/v6oaAKnyP9s/s1600/tn_Maria_Jose_Nogueira_Pinto_zorate%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627490711290452290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 198px; CURSOR: hand; HEIGHT: 297px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-_G9SAHDlP2Y/Thjc_HdHGUI/AAAAAAAAA5o/v6oaAKnyP9s/s400/tn_Maria_Jose_Nogueira_Pinto_zorate%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Falou-se, escreveu-se muito sobre Maria José Nogueira Pinto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vou acrescentar nada ao que já foi acrescentado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Raramente estive de acordo com as suas opiniões, estou-me a referir ao fundo, à filosofia, à ideologia, ao seu sistema de pensamento, às causas políticas que defendia. Quem sou eu para estar a fazer comparações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há duas, três semanas, vi-a na SIC Notícias e percebi, fiquei chocado. A alma, o espírito, mesmo aquela extraordinária ironia, a ironia demolidora que sorria enquanto articulava o seu discurso, ainda vi alguns sinais da mulher que me tinha habituado a admirar. Mas percebi que provavelmente não voltaria a tê-la ali no ecrã da minha casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste país de faz de conta, de arrivistas, de políticos de plástico, de gente pouco ou nada séria, Maria José Nogueira Pinto era um caso completamente à parte, não tinha a ver com esse universo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não era a vontade de poder que a movia, o que a movia era muito mais intemporal e digno de admiração, era o poder da inteligência e o sentimento de solidariedade com outros humanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma forte consciência nacional sem o ridículo e perigoso nacionalismo patrioteiro de outros tempos. Há muito tempo, que isso está fora de moda, à direita e à esquerda, estamos atrelados à carroça da CEE, vivemos num país sem alma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria José Nogueira Pinto manteve-se firme, coerente, lúcida e convicta até ao fim da sua vida prematuramente interrompida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Criou-se um enorme vazio. É uma história muito triste, porém, a marca que esta mulher nos deixa é extraordinária. Ela fica na minha memória e agradeço-lhe por tudo o que fez por mim e pelo meu país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vou ter saudades da Maria José e do país que estava na sua cabeça. Ambos me vão fazer muita falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7091420388701647348?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7091420388701647348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7091420388701647348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7091420388701647348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7091420388701647348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/maria-jose.html' title='MARIA JOSÉ'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-_G9SAHDlP2Y/Thjc_HdHGUI/AAAAAAAAA5o/v6oaAKnyP9s/s72-c/tn_Maria_Jose_Nogueira_Pinto_zorate%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7938970601654129168</id><published>2011-07-08T00:27:00.002+01:00</published><updated>2011-07-08T00:40:17.256+01:00</updated><title type='text'>CAPITALISMO TÓXICO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alguma gente, que tem andado muito caladinha, começou ontem a falar contra as agências de rating. Como de costume, acordaram tarde e a más horas, isso não me admira. As elites da nossa praça é gente sem convicções, limitam-se a defender os seus interessezinhos, abrem a boca apenas quando levam um murro no estômago. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora resolveram mandar vir contra as agências de rating e contra a passividade da união europeia, enchem o peito com ar de querer parecer gente de coragem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Banqueiros que têm que refilar em causa própria, não têm outro remédio, políticos da direita, da esquerda e do governo sempre a reboque dos acontecimentos e das suas vaidades e mediocridade. Gente que tem utilizado o país a seu belo prazer, gente que tem mentido, gente que tem roubado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gente que não se deu ao trabalho de alertar o país acerca dos meandros, das teias e da conspiração dos sectores dominantes do capitalismo financeiro europeu que querem tomar conta da união europeia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gente que se recusa, e que considera essa simples hipótese como um pecado capital, discutir a pertença de Portugal à União Europeia e/ou ao euro, a fatídica moeda única. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, como se tivessem sido iluminados pelo Altíssimo, estes senhores descobriram o lobo mau. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se diz, vozes de burro não chegam aos céus e para se perceber a engrenagem diabólica que armou a armadilha, passe o pleonasmo, em que caiu o periférico país que somos, para se perceber os meandros da estratégia da aranha que vai ser mortal para as democracias europeias, para se perceber os compassos de tudo isto, o caso que merece reflexão, reflexão urgente, esforcem-se, é a intervenção do sr. Wolfgang Schäuble, ministro alemão das finanças. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de mais um ministro, a gente vê-os desfilar, são muitos, andam por aí aos montes. É que o sr. Schäuble é amigo e camarada dos bancos alemães, é o ministro que tutela as finanças da Alemanha que, por sua vez, é o país patrão dos países da união europeia e patrão de muitos comanditários. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626756839172982418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-dhvZqvU8aIs/ThZBiIxnxpI/AAAAAAAAA5g/XcfSGmDtQso/s400/ngC1C84F96-DE17-473D-95D2-1DD0A25753EB%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Este mais que poderoso ministro deu-se ao luxo de criticar esta quarta-feira a decisão da agência de rating norte americana Moody's que desclassificou Portugal para o nível supremamente inferior abaixo do qual deixa de haver qualquer nível. Os senhores da Moody's, os mesmos que recomendavam os títulos tóxicos do Lehman Brothers, mandaram-nos agora para o lixo. Lixados, what else? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;«Estamos tão surpreendidos com a decisão dessa agência de rating como todos os outros, não compreendo o que está na base dessa avaliação», disse o sr. Schäuble, em conferência de imprensa. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O ministro ficou surpreendido e eu fico surpreendido com o facto de ele estar surpreendido. E fico surpreendido porquê? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Faz parte, desde pelo menos os tempos do &lt;em&gt;Príncipe&lt;/em&gt; de Maquiavel que a principal qualidade dum político é que nunca seja apanhado nas teias de surpresas imprevistas. Não estou a citar, mas a ideia é essa, quem manda, quem tem poder só consegue guardar esse poder se não for surpreendido por coisas, factos, acontecimentos imprevistos. Político que é político sabe prever o que se vai passar amanhã, depois de amanhã e no próximo século. Se não sabe, se não tem o dom da presciência e se quer ter algum sucesso na vida, o melhor que tem a fazer é ir roubar para a estrada, por outras palavras, procurar um lugar num conselho de administração e tratar da vidinha. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Gozar das sinecuras de conselho de administração estilo Lusoponte isso não é tarefa de político. É que ser político, fazer política é coisa séria. Em Portugal não é coisa séria, como se sabe, isso está mais que comprovado. Mas na Alemanha não se brinca com essas coisas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Sendo um político alemão de alto gabarito, o senhor Schäuble é certamente um político a sério, pelo que logicamente fico surpreendido quando ele vem afirmar que ficou surpreendido com a decisão desses empregados do capital financeiro tóxico conhecidos por agência Moody’s. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Tenho para mim que o sr. ministro alemão teve antecipadamente, e atrevo-me até a supor que estará talvez na origem, da decisão desses empregados. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;E digo ao sr. ministro alemão, mando-lhe daqui deste lugar periférico à beira do Tejo donde partiram as caravelas, a seguinte mensagem. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A Alemanha dos grandes interesses financeiros e especulativos engajou-se num extraordinariamente perigoso jogo especulativo. Essa Alemanha conspira contra a democracia, conspira contra a Europa, conspira contra a paz. Essa Alemanha faz o jogo da ditadura do capitalismo tóxico e dos seus homens de mão. Ontem foi a Moody’s, amanhã ou depois de amanhã vão ser a Fitch, a Standard &amp;amp; Poor’s e a DBRS. Daqui a um, seis ou doze meses, vão ser os coronéis, os generais e os sargentos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Jogo especulativo extraordinariamente perigoso que põe em confronto de carácter bélico, e isso é cada vez mais claro, os povos do norte da Europa contra os povos do sul. Os do norte, embalados pela sua fugaz prosperidade, cujo vértice cíclico pode estar no fim, e que, entrincheirados nos seus opulentos preconceitos anti-meridionais, desprezam e condenam os povos meridionais preguiçosos, corruptos e burros, raça inferior. Não querem, do alto da sua egoísta e suicidária arrogância, pagar a crise dos países do sul, países explorados pelos bancos e pelas multinacionais alemãs e outras Nokias. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Este confronto belicista justificado pela pretensa superioridade moral, civilizacional e rácica do norte da Europa tem que ser desmistificado.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não fiquemos, pois, pela espuma das coisas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O assunto das agências de rating, nada disto tem a ver com um ataque americano contra o euro. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A América entrou no ciclo da decadência dos impérios. A América precisa de exportar, o principal credor externo da América é a China, seu adversário número um, a América precisa de exportar, a América agradece o euro forte. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;As agências especulativas norte-americanas apenas estão a fazer o seu trabalho, é um trabalho de porcos, sem desprimor para os ditos animais. Elas são criação do capitalismo financeiro que se alimenta de falcatruas, de engenharias virtuais, de falsas promessas e de vigarices. As agências de rating americanas são filhas desta nova cultura do capitalismo financeiro tóxico e trabalham para quem lhes pagar melhor. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Serão pagas nesse dito trabalho de porcos pelo governo americano? Nenhum indício racional e credível aponta nesse sentido. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;In questo momento, l’America è tropo lontana. I Tedeschi sono tropo vicini. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O lixo tóxico atirado pelas agências de rating contra os países periféricos do sul da Europa não desresponsabiliza nem cada um dos países atingidos (Grécia, Portugal) ou a atingir (Itália, Espanha), nem os países que estão por detrás desse ataque (identifiquem-se). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que li hoje, 7 de Julho, no &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, não é verdade que a partir de agora “já não é nada connosco”. Bem pelo contrário, tudo o que se está a passar, tudo o que vai acontecer nos tempos dramáticos que estão à nossa frente tem a ver connosco. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não nos deixemos intoxicar pelos conspiradores do fascismo financeiro que quer sufocar as democracias da Europa. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não fiquemos à espera dum Messias enviado por Bruxelas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A união europeia não é, nunca foi nem, nunca será a Terra Prometida. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Contemos apenas connosco próprios. Em época de globalização essa é a lei, tudo o resto são contos do vigário. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7938970601654129168?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7938970601654129168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7938970601654129168' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7938970601654129168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7938970601654129168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/07/capitalismo-toxico.html' title='CAPITALISMO TÓXICO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dhvZqvU8aIs/ThZBiIxnxpI/AAAAAAAAA5g/XcfSGmDtQso/s72-c/ngC1C84F96-DE17-473D-95D2-1DD0A25753EB%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2698694101615416330</id><published>2011-06-29T23:50:00.001+01:00</published><updated>2011-06-29T23:53:21.006+01:00</updated><title type='text'>CLIMA DE GUERRA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os bancos mandam em nós, os bancos mandam nos governos que nós elegemos. Quem é que manda nos bancos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Existe uma coisa chamada EBA (European Banking Authority) que eu desconhecia que existisse. Sou eleitor, embora não me sinta obrigado, voto sempre, mas não sabia que essa coisa, aparentemente, é quem decide sobre quais são os bancos de confiança e quais é que não o são. Dito de outro modo, essa coisa, soube hoje pelos jornais, tem o poder de decidir quais são os bancos que ficam pendentes entre ir para a falência ou, com um pouco mais de sorte, serem obrigados a pagar juros mais altos nos mercados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que os bancos vivem do nosso dinheirito, é pouco e é cada vez menos, mas todo junto dá para juntar os milhões que vão passando pelos cofres das veneráveis instituições bancárias. O que me leva a deduzir de maneira talvez demasiado crua, mas porém verdadeira, que a tal EBA tem, sem que para tal tenha sido eleita, o privilégio e o supremo poder de decidir quem é que vai ficar ainda mais rico e quem é que, na melhor das hipóteses, vai passar a ficar a pão e água.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história de mais este sinal da irreversível ascensão do fascismo financeiro na Europa, que já não se dá sequer ao trabalho de disfarçar as suas intenções, conta-se em poucas palavras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo o &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, a EBA “fixou como meta que, dos 91 bancos europeus submetidos aos testes de stress, pelo menos 10 chumbem”. Idealmente, vejam bem, esse número “não deverá ultrapassar os 15”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O objectivo desta manigância é confessadamente o de “enviar a mensagem de que os exames foram sérios”. Porque se “apenas chumbarem sete bancos, como aconteceu há um ano, ninguém mais acreditará nos testes”. E, se - hipótese completamente absurda e académica, presumo eu - chumbarem 50, “nesse caso o sistema colapsa”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ficamos esclarecidos quanto ao que está em jogo nestes simulacros protagonizados pela venerável honestidade político-banqueira a que temos direito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sistema bancário em geral, e isto já dura há vários séculos desde que tal sistema nasceu, é suposto que ele seja credível e que suscite total confiança por parte dos depositantes e dos mercados. Negócio de gente séria, de instituições honradas, está visto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando foi da crise das subprimes, sabe-se que as agências de rating avalizaram, deram nota altamente positiva a bancos como o Lehman Brothers, paz à sua alma. Essas agências e os seus raters sabiam o que estavam a fazer, sabiam que estavam a roubar e a condenar muita gente à falência e à miséria, na América e fora dela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiquei hoje a saber que a alta autoridade de controle do sistema financeiro europeu de seu nome EBA, por razões que, na minha modesta opinião, se enquadram numa estratégia conspirativa de tomada do poder, está pronta a sacrificar pelo menos 10 bancos europeus de modo a que os outros 80 continuem a ganhar muito dinheiro graças aos juros mais do que exorbitantes que são impostos aos países chamados periféricos. E, desse modo, a contribuir para a rendição incondicional desses países.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, pela minha parte, não fico inteiramente esclarecido quanto ao verdadeiro papel e estatuto dessa tal alta autoridade e tenho que perguntar: qual é a verdadeiramente altíssima autoridade que está por detrás da EBA, quem é, quem são os responsáveis, quem são os duces, os führer, os condottieri deste fascismo financeiro que passo a passo, degrau a degrau, hoje a Grécia, amanhã Portugal, depois de amanhã a Espanha, quem são os responsáveis deste fascismo, desta ocupação estrangeira que, para além de nos roubar o nosso dinheiro e o nosso pão, vai destruindo implacavelmente as nossas liberdades e as nossas democracias?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem são os responsáveis deste clima de guerra que ameaça a convivência, as trocas e negócios pacíficos entre povos do mesmo continente?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2698694101615416330?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2698694101615416330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2698694101615416330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2698694101615416330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2698694101615416330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/clima-de-guerra.html' title='CLIMA DE GUERRA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6360571248001391915</id><published>2011-06-28T00:32:00.002+01:00</published><updated>2011-06-28T00:45:50.392+01:00</updated><title type='text'>ESTRATÉGIA DA ARANHA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre Portugal e Grécia nasceu não há muitos anos uma espécie de absurda relação fatal, fatalidade negativa entenda-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60, quando começou a moda das estatísticas internacionais, Portugal e a Grécia, nas hierarquias europeias, disputavam entre si o penúltimo lugar em tudo o que tinha a ver com indicadores de progresso e desenvolvimento económico, social, cultural and so on. Nessa luta, muitas vezes intrometia-se também a Turquia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os anos foram passando, a Grécia e Portugal entraram para a CEE. Mais tarde entraram também para este clube os náufragos do socialismo real, Polónia, Hungria, checos, eslovacos, estónios… Quanto a Portugal e a Grécia, eles tiveram o privilégio de obter o cartão de sócios do clube mais restrito dos membros da moeda única. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas as hierarquias estatísticas não mudaram. Portugal e Grécia continuaram no fundo da tabela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto é muito estranho, porque até há poucos anos, tudo parecia correr no melhor do mundo para estes dois países geograficamente e historicamente opostos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em comum, eles têm principalmente o facto de ambos serem europeisticamente falando, países periféricos. A Grécia fica bastante para leste e Portugal é o extremo ocidental do continente a que pertence. Ocidental praia lusitana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas ambos os países tiveram e têm um lugar que nunca poderá ser apagado na história da Europa e da Humanidade. A Grécia fundou o essencial daquilo que é a civilização europeia, Portugal levou essa civilização para sítios muito longínquos por mares nunca dantes navegados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, as afinidades acabam aí. Entre a Grécia e Portugal nunca houve afinidades propriamente ditas. Têm histórias completamente dessincronizadas.&lt;br /&gt;Os gregos foram importantes há dois mil e quinhentos anos e depois foram sofrendo as peripécias de sucessivas vagas colonizadoras, a últimas das quais, mortal, foi a do império otomano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal teve o seu papel global há quinhentos anos, sofreu uma breve ocupação de três reis estrangeiros na primeira metade do século XVII, mas sempre se manteve independente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre Portugal e a Grécia os pontos de contacto de povo a povo, diria antes, as coincidências são relativamente recentes e completamente acidentais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Perdemos com os gregos a final daquilo que constituiu a manifestação mais desvairada do novo-riquismo euro-português, estou a falar do euro 2004 de triste memória. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No final dos anos 60, os gregos resolveram também ter a sua ditadura, a ditadura tardia dos coronéis, que, também por coincidência, terminou em 1974, pouco mais de dois meses após o fim da ditadura do Estado Novo português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Coincidência mais recente, Portugal e Grécia aparecem todos os dias relacionados com a auto-fagia da união europeia que se desfaz e com o fim anunciado da moeda única.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio disto tudo, fala-se da Grécia e insiste-se em Portugal. Parece que alguém se deu ao trabalho de tecer uma espécie de fio invisível, entre nós, país de brandos costumes virado para o Atlântico e o grego arquipélago do Mediterrâneo oriental.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta tecelagem, porém, não ficará por aqui e, neste bordado de contornos invisíveis, nesta teia, outros cairão inevitavelmente.&lt;br /&gt;E que teia é essa?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a velha estratégia da aranha, a aranha que, nos seus manejos, aprendeu a arruinar as democracias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta aranha já não se dá ao trabalho de disfarçar o seu nome, chama-se capital financeiro, os seus agentes são conhecidos, os seus interesses também. Mas ninguém faz nada, é o velho espírito de Munich que, uma vez mais, tomou conta da Europa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os gregos estão na rua, lutam e não desistem. Os gregos são olhados com arrogância eurocêntrica e considerados pela intelligenzia política e financeira europeia e wallstreetíca como uma espécie de escória sem salvação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fala-se da Grécia, falemos de Portugal: onde está a nossa escória?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos no mesmo barco da Grécia (da Itália, da Espanha…). Vamos ficar à espera que passe o tornado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira se saberá se o parlamento grego se submete ao diktat do eixo Berlim-Bruxelas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, entretanto, a rua grega já manifestou o que é que pensa sobre esse diktat.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diktat, palavra alemã sinónimo de ditadura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há uma ditadura, um espectro, que paira sobre os povos europeus. Principalmente, sobre os povos europeus do sul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a Grécia é apenas uma abstracção para maioria dos europeus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, não faltará muito, talvez, a Grécia passe a ser um problema bem mais sério.&lt;br /&gt;O parlamento grego não resolverá nenhum problema. Nem o da Grécia, nem o da Europa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque o problema da Europa é o mesmo da Grécia. Chama-se ditadura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode ser ditadura de coronéis ou de generais ou de sargentos. O nome dos lacaios não interessa para o caso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O patrão desses lacaios chama-se capital financeiro, tem estratégia própria, tem serviços secretos, tem exércitos, polícias, tem administrações, burocratas. Ninguém controla esses aparelhos do diktat financeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A união Europeia tem sido uma verdadeira fábrica de ilusões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As leis da união são perfeitas, as instituições da união são omniscientes, a tudo dão resposta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disseram-nos em 2008 que os países do euro estavam protegidos contra a vaga de falências anunciada pela maior falência da história americana, a do Lehman Brothers. O que resta dessas promessas está à vista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disseram-nos que, graças à união europeia, as guerras e as ditaduras tinham acabado. On verra la suite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dias dum paraíso anunciado. Bye, bye European Union, cada um por si e logo se vê. Alá é grande!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6360571248001391915?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6360571248001391915/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6360571248001391915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6360571248001391915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6360571248001391915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/estrategia-da-aranha.html' title='ESTRATÉGIA DA ARANHA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4420840572326779952</id><published>2011-06-21T00:53:00.002+01:00</published><updated>2011-06-21T01:01:03.676+01:00</updated><title type='text'>MAIO 1968, MAIO 2011</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi rejeitado o candidato presidencial que não gostava de partidos e a quem Pedro Passos Coelho tinha graciosamente prometido o proeminente lugar de presidente do Parlamento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste dia parlamentar pouco se falou de um outro problema muito mais importante que é a questão grega.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Nobre já tinha o destino traçado, nada a acrescentar, hoje o homem passou à história. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto à Grécia, temos que pensar principalmente na Europa do Sul, e quanto a isso está tudo em aberto, não se sabe bem, mas há inquietantes suspeitas sobre o que é que está para vir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fala-se da bancarrota grega anunciada, assistimos às notícias sobre a proliferação dos movimentos meridionais de acampados. Para tentarem compreender o que é que vai acontecer, alguns viram-se para o passado e procuram pistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, faziam-se hoje comparações entre a actual situação europeia e a velha história de Maio 68.&lt;br /&gt;Já lá vão quarenta e três anos, muita água correu sob as pontes, vale a pena fazer comparações?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vale sempre a pena comparar épocas, comparar acontecimentos. Isso não faz mal a ninguém.&lt;br /&gt;Mas, há comparações que fazem sentido e outras nem por isso. Em todo o caso, a história nunca se repete.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1968, a Espanha, a Itália, Portugal e a Grécia eram os principais fornecedores de mão-de-obra dos países lá mais para norte, os quais continuavam nessa altura prósperos, depois das trente glorieuses années do pós-guerra. Os países nortistas estavam ricos e os do sul não sabiam o que fazer com os seus pobres agricultores sem trabalho, sem terra e sem pão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A situação, passados estes anos todos, conheceu algumas mudanças, o que é natural. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas no essencial, mantém-se tudo na mesma, os do norte continuam mais ou menos prósperos, os do sul resvalam para a insolvência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Principal diferença, em Espanha, em Portugal, em Itália e na Grécia, os desempregados que hoje não conseguem encontrar trabalho no seu país já não são trabalhadores rurais analfabetos. Agora, grande parte desses candidatos à emigração é gente diplomada, licenciada, gente too much qualified. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Itália, por exemplo, os cantoneiros, os que tratam da limpeza das ruas das grandes cidades, é gente altamente qualificada, licenciaturas, mestrados, trabalham sete dias por semana, vivem em casa dos pais, não se podem casar, nem ter filhos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60, a malta nova rural tinha futuro, emigravam. E agora? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos estão a acampar na rua, em praças públicas, vão-se manifestando, mas não sabem muito bem o que fazer. Acampam e dizem que estão revoltados. Será que se vão mesmo revoltar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que se se vão revoltar a sério, aí a coisa pode mudar de figura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A memória humana costuma ser curta, já nos esquecemos que o que está a acontecer na Grécia foi anunciado pela reacção bastante violenta de muitos estudantes ao assassinato pela polícia de um jovem manifestante. Isso já foi há pelo menos dois anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizem-nos, em 68, a “revolução” não tinha motivos económicos. É verdade. Só que o lugar da revolução era outro, era nos países ricos do norte da Europa, principalmente em França e na Alemanha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma revolução de jovens estudantes universitários e fiers de l’être, que não estavam particularmente preocupados em ter ou não ter emprego. Estavam mais interessados em manifestar a sua solidariedade com os operários, vejam só! Mas os operários só entraram em cena para a tal revolução quando o cortejo já ia em andamento. A CGT comunista descobrira, entretanto, que não podia perder o comboio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E aqui chegamos a um ponto-chave.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maio 1968 em França foi uma revolta dos estudantes contra os pais, contra os professores, contra a autoridade dos adultos, contra o De Gaulle, contra o sistema político, contra a separação e dominação entre sexos, pela liberdade individual, contra as tiranias, contra o partido comunista, contra a União Soviética, contra o Estaline, contra toda essa história da velha esquerda. Foi uma revolta política e cultural, e principalmente foi uma revolta contra o secular patriarcalismo e o machismo europeu ocidental.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, o desfecho disto tudo ficou muito aquém dos objectivos mais políticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivemos uma revolução de mentalidades, ainda bem, mas quanto ao sistema político e ao capitalismo eles souberam resistir, mudaram aquilo que era necessário mudar para que tudo ficasse na mesma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os capitalistas adaptaram-se, prepararam-se cuidadosamente para a fase seguinte, a fase do triunfo do capitalismo financeiro sobre os políticos, sobre os capitães de indústria e sobre o movimento sindical. Foram mais fortes, foram mais espertos e agora continuam mais fortes do que nunca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quais são os objectivos dos movimentos de acampados de que nos falam os jornais?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mudar o sistema político, mudar a economia, acabar com o capitalismo, agradecer aos pais que os vão sustentando? Não sei e eles provavelmente também não.&lt;br /&gt;Talvez mudar a Europa e impor urbi et orbi a ideia internacionalista de direitos iguais para todos os povos e cidadãos, independentemente do que quer que seja?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema incontornável e provavelmente mais terrível do que a ficção sobre a vitória dos alemães e dos japoneses na 2ª guerra mundial, desenvolvida por Philip. K. Dick em &lt;em&gt;O Homem do Alto do Castelo&lt;/em&gt;, é que a sorte, o destino da Europa estão nas mãos dos banqueiros e dos poderes ocultos que mandam nos mercados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Constatemos o incontestável, as democracias europeias foram vencidas pelas agências de rating e pelos banqueiros que as manipulam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nestas comparações a propósito de 1968, o Salazar, o Franco e os coronéis gregos vêm muito a propósito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O novo fascismo de hoje, o fascismo da finança, não se exibe em paradas, com uniformes espampanantes e braço no ar. É muito mais sofisticado, age silenciosamente e é terrivelmente eficaz com as setas com que nos atinge e adormece. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fomos apanhados na armadilha, tornámo-nos uns pobres animais de jardim zoológico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nenhum governo nos vai safar desta. E a esquerda europeia também não.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez o povo, talvez os povos, sabe-se lá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história não costuma repetir-se, mas enquanto ela gagueja, sejamos realistas, sonhemos o impossível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4420840572326779952?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4420840572326779952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4420840572326779952' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4420840572326779952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4420840572326779952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/maio-1968-maio-2011.html' title='MAIO 1968, MAIO 2011'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-7756560264743731457</id><published>2011-06-18T01:15:00.002+01:00</published><updated>2011-06-18T01:27:56.969+01:00</updated><title type='text'>NOVO GOVERNO, VIDA NOVA?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pensei numa espécie de comentário telegráfico sobre o novo governo, mas estendi-me. Não sei se isso é bom ou mau sinal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro ponto a considerar, a situação intra-europeia é o que é, a Grécia cada vez mais empurrada para fora do euro. A Merkel convenceu o Sarkosy que não havia nada a fazer e, assim sendo, a Grécia está cada vez mais próxima do seu velho rival e inimigo, a Turquia Otomânica.&lt;br /&gt;Não se tratou propriamente de convencer, a Merkel simplesmente disse ao Sarkosy, é fácil de adivinhar, se não concordares, vocês entram também na lista dos próximos a excluir do euro. Para além da França, quais são, depois da Grécia, os candidatos mais prováveis da lista dos países ex-euro? Óbvio, Portugal e a Espanha, antigas potências coloniais ibéricas e católicas.&lt;br /&gt;Por mais Berlusconis que tenha, a Itália está naturalmente excluída da lista. A razão salta à vista: o início daquilo que é agora a união europeia começou com o tratado fundador de Roma. Logicamente, a exclusão italiana teria um efeito simbólico devastador. Valha, pois, aos italianos Roma e o seu tratado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por exclusão de partes, do sul da Europa, entram na lista a Grécia, Portugal e a Espanha. Não há volta a dar. Este é o retrato europeu pendurado no salão de Bruxelas no dia em que foi anunciado o novo governo de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar sobre o Passos Coelho, ocasiões não vão faltar. Assinalo apenas que o primeiro-ministro indigitado parece ter cometido a proeza de conseguir, num contexto de perda de soberania, de intervenção estrangeira e de pré-falência, convencer em poucos dias quatro não-políticos, que apresentou como independentes, a entrarem para o governo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O facto de ele ter feito essa escolha vejo-a como muito sintomática da marca de origem deste governo. Dupla marca de origem: O PSD é um partido pobre em pessoal político altamente qualificado, o PSD é um partido pobre em políticos corajosos e disponíveis para dar a cara neste momento dramático que vive o país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é por puro acaso que as missões mais arriscadas e difíceis tenham aterrado exactamente no regaço dos tais ministros ditos independentes. Com uma agravante: dois deles vão ter a responsabilidade das pastas mais odiosas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas finanças, sabe-se que o programa já está traçado, é o programa da troika, resume-se facilmente, cortar nos salários, aumentar os impostos, cortar nas despesas dos mais fracos, privatizar por meia dúzia de tostões.&lt;br /&gt;Como o programa é para cumprir, foi-se buscar alguém que tem andado lá pelos bastidores de Bruxelas e de Frankfurt. O novo ministro das finanças vai ter um tremendo handicap, vai ser identificado como o homem do triângulo Bruxelas-Washington-Frankfurt. Estarei a ser injusto? Admito que sim, oxalá, seria bom sinal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No super-ministério da economia e de mais não sei quantas coisas, incluindo comunicações e emprego, vamos ter um economista que é professor numa universidade de Vancouver, não o conheço, não sei nada sobre como é que ele foi parar ao Canadá. Deve ter sido por boas razões, em todo o caso, viajar é sempre muito educativo, pode ser que o homem tenha ideias arejadas e ousadas, oxalá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há depois um outro independente também com uma missão mais do que difícil, cabe-lhe o ministério da Saúde.&lt;br /&gt;É pessoa conhecida, não apenas porque foi contratado há alguns anos para director-geral dos impostos com um salário quase milionário, o que provocou uma polémica um bocado histérica. Mas, como conseguiu aumentar a cobrança dos ditos impostos e pôr os serviços a funcionar com elevados níveis de eficácia, a história do salário passou para segundo plano. É bom, é pedagógico que se aprenda a reconhecer, sem mesquinhas invejas, o mérito de cada um. Mudar as mentalidades do país, talvez fosse preciso para isso criar um ministério.&lt;br /&gt;O novo ministro da Saúde vem da banca, o que pode não ser boa recomendação. Mas, não tenhamos preconceitos, o homem é muito competente, pôs o Estado a cobrar impostos a gente que nunca os pagava, por isso, imaginemos, agora, ele vai acabar com os desperdícios no Serviço Nacional de Saúde e defender um serviço público de qualidade para todos quantos dele precisam.&lt;br /&gt;A questão é que não são tarefas comparáveis. Nos Impostos, havia, dum lado, os funcionários à caça de mais cobranças, funcionários caçadores que ele conseguiu motivar. Mérito seu, indiscutível. E do outro lado, do lado oposto? Não havia ninguém, havia apenas embora não tão poucos como isso, os refractários ao pagamento das suas obrigações, que se escondiam e faziam tudo por passar despercebidos. Quando eram apanhados, o que é que podiam fazer? Os mais espertos e mais ricos podiam remeter-se à justiça, que é aquela coisa que a gente conhece ou, então, pagar. A maior parte pagava.&lt;br /&gt;Agora, na saúde, a cena é muito diferente. Vamos ter um exército de funcionários administrativos coligados com outros funcionários médicos, enfermeiros, auxiliares, sindicatos and so on, muitos dos quais, embora afirmem o contrário, não estarão particularmente interessados em dignificar e melhorar o serviço público de saúde.&lt;br /&gt;Para o novo ministro, vai ser um jogo muito complicado, conseguir combater todas as fontes de desperdício sem ao mesmo tempo fazer regredir a qualidade dos serviços e os direitos das pessoas à saúde. Conseguir essa proeza não vai passar apenas por simples medidas de poupança nisto e mais naquilo, por cortes.&lt;br /&gt;A questão decisiva que se coloca ao novo ministro está à vista. Será que um homem da banca e da gestão de empresas vai ser capaz de atingir os seus objectivos macro-financeiros de cortes na despesa e, ao mesmo tempo, ter presentes no seu espírito de responsável político que decide sobre a vida de milhares de pessoas, os rostos entre a multidão de gente vulnerável cuja vida depende do hospital, do centro de saúde, do médico de família?&lt;br /&gt;Outra questão, será que esse mesmo bancário e gestor agora ministro vai ter o poder de motivar e obrigar os agentes da saúde pública a cumprirem todas as suas obrigações e compromissos deontológicos? Será que vai proteger a saúde pública contra os apetites dos bancos pela privatização da dita saúde? Será que na defesa da saúde pública que lhe compete, o novo ministro será capaz de moralizar o exercício das profissões da saúde e excluir ou punir todos quantos, médicos ou enfermeiros ou outros que se limitam a servir-se da sua função apenas para ganhar uns cobres?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao novo ministro da Educação, quarto independente desta lista, foi também atribuído o ensino superior e a ciência. É curioso que aquilo que o PSD do Durão Barroso fez, quando separou o ensino superior do ministério da educação, volte agora atrás com outro primeiro-ministro do PSD. Ensino superior e ciência voltam ao panteão da 5 de Outubro. Funestos presságios.&lt;br /&gt;Parece que este Ministro independente é independente e muito crítico em relação à longa e escabrosa história do ministério sediado nesse panteão. Ministério que, além de ser o maior elefante branco da administração pública portuguesa, se especializou desde 1974 na realização de múltiplas experiências laboratoriais dignas dum romance de ficção científica, cujo principal resultado, que está à vista de todos quantos queiram olhar e ver, foi a destruição do nosso sistema de ensino.&lt;br /&gt;Fico à espera do resultado desta eventual luta entre David e Golias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O telegrama já vai longo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O CDS tem três ministros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não consigo compreender a obsessão do Paulo Portas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Terá na sua mente uma nova doutrina sobre as prioridades exteriores de Portugal, como, por exemplo, estará na sua ideia deslocar essas prioridades e alianças para África, América Latina e Ásia em detrimento do eixo Berlim-Bruxelas? Ou será que, muito simplesmente, alimenta a ilusão de que lhe basta chegar a Bruxelas e dar um murro na mesa? Será que o novo ministro das “Relações Exteriores” vai retomar a tradição euro-céptica do seu antigo companheiro e cúmplice político Manuel Monteiro. Pode haver surpresas, nunca se sabe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O novo ministro da Segurança Social, confesso não tenho opinião, anda de lambretta, o que é simpático, vi isso no outro dia na televisão, é o ministro mais jovem, o que também pode jogar a seu favor, se bem que isso da idade biológica nunca poderá servir como critério. William Pitt, tanto quanto me lembro foi primeiro-ministro da Inglaterra aos 25 anos, o que é um precedente de bom augúrio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assunção Cristas tem praticamente a mesma idade do seu colega de partido e de governo. Vai ter a seu cargo aquele que é provavelmente o ministério cujo potencial é mais elevado. Parece um enorme disparate dizer isto, mas não é.&lt;br /&gt;Dois terços do território de Portugal estão a morrer, os jovens foram-se embora, os mais velhos vão cultivando o seu pedacinho de terra no meio de aldeias abandonadas, até ao fatal dia.&lt;br /&gt;Esta triste história já começou há praticamente cinquenta anos com a emigração e o êxodo rural. Mas o coup de grâce foi dado pela CEE. Pagou-se aos agricultores para deixarem de cultivar, pagou-se aos armadores de barcos de pesca para abaterem as suas embarcações. Destruiu-se o sector primário da nossa economia. Primário quer dizer neste caso uma coisa essencial, quer dizer que na vida dum país o mais importante, a tarefa mais primária é a capacidade para produzir alimentos. O Malthus explicou isso muito bem, sem alimentos, nenhuma população pode subsistir.&lt;br /&gt;Qual a missão da nova ministra deste novo ministério? Enorme e complicada, mas excitante.&lt;br /&gt;Não se trata apenas de contribuir para reanimar a agricultura, o mar e as pescas, modernizar esses sectores e atrair os jovens para essas profissões.&lt;br /&gt;Tudo isso vai ter que ser feito com uma ambição muito mais ambiciosa: a de reorganizar o território, combatendo a desertificação e as assimetrias regionais. Poder-se-ia chamar a este ministério o ministério da Equidade Territorial. Elevado potencial, indiscutível, assim Deus nos ajude.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assunção Cristas é uma estrela ascendente da política portuguesa e não apenas do CDS, pertence a uma nova geração que não tem nada a ver com a brigada do reumático. Situa-se politicamente numa nova direita informada e aberta à sociedade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Novo governo, vida nova? On verra bien.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao ponto a que chegámos, Portugal depende muito de quem governa, depende muito da qualidade de quem ocupa os lugares-chave. Infelizmente, no momento presente, as alternativas são escassas.&lt;br /&gt;Temos um novo governo, temos novas caras, para trás ficou o pesadelo Sócrates.&lt;br /&gt;Esperemos que a cura de oposição do PS seja bem sucedida e que, assim, esse velho partido se torne útil ao país.&lt;br /&gt;Que venha uma nova classe política, que venham novos personagens políticos, gente séria, competente e dedicada ao serviço público. Mas, nada está garantido. Uma longa provação nos espera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-7756560264743731457?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/7756560264743731457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=7756560264743731457' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7756560264743731457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/7756560264743731457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/novo-governo-vida-nova.html' title='NOVO GOVERNO, VIDA NOVA?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6666292382573160432</id><published>2011-06-16T01:07:00.003+01:00</published><updated>2011-06-16T01:11:14.461+01:00</updated><title type='text'>ENTRE NOVA GERAÇÃO E BRIGADA DO REUMÁTICO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Terminaram as eleições, sabemos quem são os vencedores e os vencidos, temos a democracia, ainda bem, the show must go on.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos o estado a que o país chegou e também a dimensão da derrota da chamada esquerda, é inevitável que a política portuguesa entre numa fase patética com umas pessoas conhecidas por isto ou por aquilo a aparecerem com vontade de falarem acerca do que lhes vai na alma. Uma espécie de happening político. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O meu sentimento é que o efeito dessas dispensáveis confissões é quase pornográfico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tendo acabado felizmente o consulado socrático, uns tantos personagens aparecem à procura de autor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, por detrás desta procura, o que vejo são problemas que têm a ver principalmente com uma difícil substituição de gerações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta substituição é um fenómeno biologicamente inevitável, com repercussões sociológicas, psicológicas, históricas, and so on. Mas, os seus resultados raramente são previsíveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das gerações passam, a maior parte não passam à história, pelo que naturalmente nunca mais se ouve falar delas. Infelizmente, foi isso que aconteceu em Portugal durante cerca de quarenta anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A geração de 1870, a do Antero e das Conferências do Casino, deixou marcas que nunca serão apagadas. Cem anos depois veio a geração que deitou o Estado Novo abaixo. Também esta geração não será esquecida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para sermos rigorosos, a geração do 25 de Abril é a que nasceu na década de 1940 e que, por coincidência que é preciso ter presente neste período pós-eleitoral, chegou agora à idade da reforma. É triste para as gerações que vão sendo substituídas, mas o tempo não perdoa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sejamos ainda mais rigorosos, quando falamos de gerações, estamos a falar de médias, apenas de médias. Médias que ocultam diferenças entre este e aquele, entre uns que fizeram umas coisas e outros que fizeram o seu contrário. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não nos deixemos perder por entre aritméticas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Médias aritméticas que colocam no mesmo plano, por exemplo, o cidadão Ernesto Melo Antunes, ideólogo do 25 de Abril e o cidadão Aníbal Cavaco Silva que do 25 de Abril nunca percebeu patavina, o que não admira. É que quando era preciso, não mexeu um dedo para que qualquer coisa de novo acontecesse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Consideremos outro aspecto dessas aritméticas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ana Gomes aritmeticamente não pertence à geração a que me estou a referir. Mas pertence-lhe politicamente. É mais nova, tem currículo e isso não é de somenos. Nos idos do PREC, andou pelo MRPP, não sei se participou na meritória confecção dos grandes murais revolucionários que alegravam a cidade de Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelas minhas contas, ela pertence à média geracional desses jovens pintores de murais, da qual o mais conhecido é actualmente o chefe da comissão europeia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na história da psicologia experimental há duas figuras famosas, Pavlov e o seu cão. Desse feliz encontro nasceu a teoria dos reflexos condicionados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se as declarações que Ana Gomes proferiu recentemente sobre o Paulo Portas têm alguma coisa a ver com essa teoria. Mas presumo que possa haver aí qualquer coisa de geracional, se bem que ela e o Paulo Portas pertencem mais coisa menos coisa à mesma geração. O que sei, e esse é o meu sentimento pessoal, é que a minha simpatia por Ana Gomes, que sempre admirei pela sua combatividade e coragem, se desvaneceu exponencialmente e isso chateia-me. Mais uma decepção a acrescentar ao meu currículo de decepções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ò Ana Gomes, estamos no mais antigo país da Europa, não estamos nos USA. Em política com P grande, malgré Maquiavel, nem tudo é permitido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se não me bastasse este lamentável episódio, hoje, na minha qualidade de episódico espectador de canais de notícias, tive direito à lamentável prestação dum personagem, o sr. general Pezarat, que é dos tempos do PREC e que na televisão veio também acusar o Paulo Portas. Acusou-o de ter mentido ao povo português a propósito das armas de destruição maciça do Iraque. A que acrescentou a mesma conclusão da Ana Gomes, o Portas não é idóneo, não pode pertencer ao novo governo português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Are you crazy?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Onde é que estavam na campanha eleitoral? A campanha acabou. Se querem insistir, escrevam um livro, contem tudo, convençam-nos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem é que representam? Têm alternativas à troika, ao descalabro da(s) esquerda(s), têm alternativas para resolver as desgraças do povo português, as desgraças desgraçadas de um milhão de desempregados e das suas famílias?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se não têm nada de novo para dizer, ou calcem as pantufas, não se ponham em bicos de pés, sejam honestos, ou preparem-se para a luta política de maneira séria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Doravante, acabou-se a brincadeira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Idêntico recado para o Doutor Cavaco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este doutor é da mesma geração do general Pezarat, o doutor é de direita o general será de esquerda, se é que ambas as etiquetas querem dizer alguma coisa nestes tempos que correm. O doutor não teve nada a ver com o 250474, o outro teve o mérito de estar lá, teve o seu papel. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O doutor é presidente desta desgraçada república e, antes disso, foi seu primeiro-ministro durante 10 anos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora que é o “supremo magistrado da nação”, designação que muito o deve envaidecer, o Doutor Cavaco descobriu as virtudes e os méritos da agricultura. Confiou-nos esse seu estado de alma no discurso que proferiu em soleníssimo momento na capital do distrito mais envelhecido de Portugal, no passado dia 10 de Junho, dia, que, não ainda há muito tempo, designou como o dia da raça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O doutor Cavaco confessou-nos a sua nostalgia da agricultura e acho isso muito comovente. Certamente, nostalgia dos seus tempos de infância, na recuada época em que ainda não se imaginava nas funções a que os deuses se dignaram elevá-lo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As memórias da infância podem levar-nos a perder o sentido da realidade e a memória dos factos. É o problema do prazo de validade das gerações, a memória é cruel, atraiçoa-nos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No seu quase poético devaneio, o actual presidente desta actualmente falida república confundiu a realidade dos factos históricos. É que se esqueceu de referir que foi exactamente no seu consulado de primeiro-ministro, quando era o deslumbrado bon élève da CEE, que a agricultura e as pescas foram destruídas em Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Implacavelmente e definitivamente destruídas para gáudio e proveito das agriculturas dos “parceiros” europeus que agora nos estão a empurrar para a bancarrota e que lançam boatos sobre as bactérias disseminadas nos nossos pepinos. E para desgraça de várias gerações de infelizes agricultores e de pescadores que foram obrigados a descobrir outros caminhos para sobreviver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos terão conseguido sobreviver, não tiveram outro remédio, lá se desenrascaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O país é que não parece estar a caminho de sobreviver, estou a pensar principalmente nos dois terços de território português que vão a caminho do mortal sono da desertificação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De bons sentimentos, está o inferno cheio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bons sentimentos que vêm à tona nesta imperscrutável mudança de ciclo político.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto me faz pensar naquela cena da brigada do reumático, a brigada dos generais vacilantes nas suas bengalas que foram a S. Bento prestar vassalagem ao Marcelo Caetano, creio que foi, mais dias menos dia, em Dezembro de 1973.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tempo vai passando. Mais geração, menos geração, resta-nos perguntar o que é haverá de novo na frente ocidental?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6666292382573160432?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6666292382573160432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6666292382573160432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6666292382573160432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6666292382573160432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/entre-nova-geracao-e-brigada-do.html' title='ENTRE NOVA GERAÇÃO E BRIGADA DO REUMÁTICO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6192809119816878770</id><published>2011-06-10T00:49:00.002+01:00</published><updated>2011-06-10T01:00:05.083+01:00</updated><title type='text'>DESMUNDIALIZAÇÃO, NACIONALISMOS, DIREITA VOLVER ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É inevitável, na história das sociedades que se exprime na soma dos dias vividos pelos que estão cá, pelos cá estiveram antes de nós e pelos que virão depois, nessa soma de histórias os ciclos repetem-se mas nunca são iguais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 1920/30, tivemos a pior crise até então jamais vivida pela Europa moderna com o pós-grande guerra, a economia em ruínas, a paz de Versailles, a invasão do Ruhr, a hiperinflação, o descalabro da república de Weimar e a humilhação alemã, a subida ao poder dos nazis, o fascismo italiano, o fascismo na Hungria, o Estado Novo salazarista, a derrota da república espanhola e a revanche franquista, o anúncio de nova grande guerra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante todos esses anos de desgraça, de miséria e loucura assassina, os demónios do nacionalismo soltaram-se não sei se por causa ou contra a ideia trotzkista e internacionalista de revolução mundial, anti-burguesa e anti-nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já lá vão muitos anos, desde essa época fatídica, muita água e muitos cadáveres correram sob as pontes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No novo século em que vivemos, duas novas palavras aparentemente sábias, justas e “progressistas” tomaram conta do nosso léxico político: globalização e potências emergentes. Duas novas palavras cheias de promessas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, essas duas palavras começam agora a ser questionadas e é possível que estejamos a entrar num novo ciclo com novas filosofias quanto ao livre comércio e às relações mundiais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O estado calamitoso a que chegou a união europeia poderá ser o sintoma, talvez o mais sintomático no imediato, dum descalabro anunciado, que é o da utopia da globalização ou mundialização como queiram chamar-lhe. Utopia que se impôs naturalmente ao pensamento das elites intelectuais e políticas durante a última década.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Façamos aqui um parêntessis, a mundialização é uma criação do génio português embarcado em cascas de noz atravessando o Atlântico para além do Cabo da Boa Esperança e muitos outros cabos. Acrescente-se, o mundo moderno nasceu quando Bartolomeu Dias descobriu que havia uma passagem entre o Atlântico e o Índico em direcção ao Oriente. Isso está comprovado, não é basófia nacionalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltemos à mundialização. É um conceito recente, aproveitado principalmente por gente com ideias velhas, estou a pensar nos fanáticos do liberalismo capitalista. Esta gente sempre precisou de mercados, abram-se as fronteiras, abram-se os mercados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas não correram ou não estão a correr como se previa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa entrevista a um jornal francês há pouco tempo, em Abril, Michel Rocard que foi o primeiro-ministro mal amado de François Miterrand e que é considerado como o político socialista mais rápido a perceber as mudanças que estão no ar, declarou a um jornal francês que “a livre-troca integral acabou, ela provocou demasiados prejuízos. A China e a Índia são capazes de produzir tudo o que nós produzimos. E, como os seus custos são muito menores do que os nossos, todos os nossos empregos na indústria estão ameaçados. Isto não é tolerável.»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bravo, Rocard, palmadinha nas costas do homem. Mas, ò Rocard, a verdade é que tudo isso já era mais do que óbvio há muito tempo. Socialistas como tu, altermundialistas e outros internacionalistas europeus há muito tempo que andavam a dormir na forma. Andavam embalados em doces ilusões sem se darem conta que o inexorável tractor da realidade ia destruindo lentamente a economia europeia, com as deslocalizações e com os baixos preços praticados pelas potências emergentes graças a uma mão-de-obra pletórica, baratíssima e sem direitos sociais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Levou tempo, a Organização Mundial do Comércio foi negociando a abolição de tarifas aduaneiras, os mercados foram-se abrindo. Resultados?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No que nos diz respeito a nós neste jardim à beira mar plantados, o resultado mais óbvio parece ser este: a Europa, versão união europeia, caminha para a falência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal já lá está. De quem é a culpa? Chamem a polícia, convoquem o tribunal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resultado político principal e global desta falência anunciada?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os discursos nacionalistas estão de volta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começam a estar de volta, tanto quanto percebi - e não vou referir países demasiado óbvios como a Áustria - exactamente no país que inventou a palavra chauvinista, palavra derivada do nome do soldado Nicolas Chauvin que, segundo reza a lenda, mesmo depois de ter perdido três dedos e parte do crânio, continuou a lutar com orgulho pelo seu país de França.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falta pouco menos dum ano e o país do Chauvin já está praticamente em plena campanha paras as eleições presidenciais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No debate político que antecipa essas eleições apareceu um novo tema, cuja palavra-chave é &lt;em&gt;desmundialização&lt;/em&gt;. Srs. jornalistas dos telejornais e de outros órgãos de desinformação, registem esta palavra, ela vai ser muito falada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, um dos jeunes turcs do PS francês, candidato com hipóteses mínimas mas muito ambicioso, à designação às eleições presidenciais, um tipo chamado Arnaud Montebourg publicou um livro de menos de 100 páginas, ao módico preço de 2 euros. Título elucidativo, completamente apelativo &lt;em&gt;Votez pour la démondialisation&lt;/em&gt;, votem pela desmundialização.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O argumento do autor resume-se rapidamente: “o mundo tem andado pelo caminho errado, a mundialização levou-nos todos à derrota”, mais coisa menos coisa, essa é a ideia. A mundialização é responsável pelas deslocalizações, aumentou a pressão para a diminuição dos salários, a mundialização, citemos o homem, “fabricou desempregados no norte e aumentou o número de quase-escravos no sul, destrói por toda a parte os recursos naturais, deu o poder aos senhores das finanças e retirou aos povos o poder que eles tinham de se auto-determinar.” Fim de citação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que é que propõe o Montebourg? Propõe o que está no air du temps, “um protecionismo moderno, verde e europeu”. Protejamo-nos, protejamos a Europa, protejamos o ambiente, em síntese, defendamo-nos da invasão dos tais emergentes que fabricam a baixo custo, que exploram os seus quase-escravos e que se preparam para destruir o planeta, voltemos ao protecionismo aduaneiro de antigamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O lançamento deste livro não acontece por acaso. A ideia de desmundialização começou por ser lançada por um filipino, mas deixemos isso para mais tarde. Trata-se duma história, que não sendo propriamente francesa, foi lançada na Europa pela líder da extra-direita francesa, anti-europeia e “anti-moderna”, Marine Lepen, filha do seu pai. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passe a imodéstia, já há bastante tempo que aqui tinha chamado a atenção para o facto da extrema-direita francesa estar a marcar não apenas o debate das eleições francesas, mas também a agenda programática política europeia dos próximos tempos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No centro deste debate sobre a desmundialização vão figurar mais uma vez e na pele de principais acusados o famigerado neo-liberalismo e “os “fundamentalistas da abertura comercial”, filiados na seita religiosa “da livre-troca”. Vão também estar entre os acusados, Montebourg dixit, os herdeiros da “nobreza anti-patriótica”, cujos membros, durante a revolução francesa foram para o estrangeiro conspirar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Anti-patrióticos”, a palavra está dita, está pronunciada não por um vulgar nacionalista de extrema-direita, mas pela boca dum importante dirigente socialista francês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os nacionalismos estão de volta, isto era inevitável, a união europeia não vai a lugar nenhum, ou seja, caminha para o precipício fundo e escuro da bancarrota, encontremos, pois, os culpados de todas essas desgraças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deus é de todos, mas cada um que trate de si. Toca a reunir as tropas, a música do clarim militar vai começar a soar à porta dos nossos ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resta saber interpretar os sentidos e as ordens destes novos sons, direita-esquerda, esquerda-direita, direita-extrema direita, direita volver?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6192809119816878770?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6192809119816878770/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6192809119816878770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6192809119816878770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6192809119816878770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/desmundializacao-nacionalismos-direita.html' title='DESMUNDIALIZAÇÃO, NACIONALISMOS, DIREITA VOLVER ?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1334569038983798789</id><published>2011-06-09T01:14:00.002+01:00</published><updated>2011-06-09T01:18:19.366+01:00</updated><title type='text'>PARE, ESCUTE, OLHE À ESQUERDA, OLHE À DIREITA: ONDE ESTÃ OS RESPONSÁVEIS?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A queda do PS em 5 de Junho não é um facto fortuito. Vai deixar muito pessoal político no desemprego, mas o mais importante não é isso. O que importa é compreender o seu significado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentemos então perspectivar e contextualizar no respectivo espaço geo-estratégico e político tudo o que aconteceu nesse bloody Sunday.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A derrota do PS, que era obviamente inevitável, é um dos últimos actos dignos de registo na história da chamada social-democracia europeia ao cabo destes últimos 40 anos. O próximo e último acto desta história já está anunciado, com o inevitável adeus do PSOE espanhol. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, vão passar muitos anos até que se volte a falar, por razões sérias, desta gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A social-democracia europeia teve alguns méritos na história política do século XX, isso é indubitável. Principalmente, os suecos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, vale a pena fazer o balanço dos méritos do que esses partidos fizeram até ao fim da década de 1960? Vale a pena fazer nesta altura o balanço da história da outra “esquerda” a soviética? O que é que isso adiantaria?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recordemos, no entanto, foi o partido social-democrata alemão, que era o partido de Marx, de Engels, de Kautsky, de Bernstein, de Liebknecht e de Rosa, Luxemburgo, foi este partido que fez a cama, se assim se pode dizer, dos nazis para acabarem com a república de Weimar dos ditos social-democratas. E, depois disso, como se sabe, começou a tragédia da barbárie das barbáries.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O presidente social-democrata Ebert, chanceler alemão tanto quanto me lembro durante bastante tempo nessa época, não esteve no golpe de Munich nem no que aconteceu depois. Mas foi ele que esteve à frente da Alemanha em momentos decisivos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abreviemos, do que se trata é assinalar o fim do ciclo que termina com a queda do PS português, ciclo que se iniciou no princípio dos anos 1970, ciclo durante o qual a esquerda social-democrata europeia fez o trabalho sujo do neo-liberalismo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esses partidos fizeram-se eleger com programas ditos social-democratas, de esquerda, foram para o poder e depois governaram como neo-liberais, obviamente de direita. Essa obediência da esquerda social-democrata ao capitalismo selvagem aconteceu impunemente durante 40 anos, e os povos europeus foram calmamente votando nessa gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso acabou agora, questo ciclo è finito. E acabou, porquê? C’est très simples. O neo-liberalismo já conseguiu alcançar todos os seus objectivos, triunfou em toda a linha, impôs os PECS, o monetarismo, a austeridade, a supremacia dos bancos, o poder discricionário das agências de rating. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As agências de rating agora mandam nos governos eleitos pelos povos, querem melhor do que isto? Os neo-liberais mais fundamentalistas nunca terão, nas suas mais ousadas fantasias, imaginado um resultado tão extraordinário! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Consumada a vitória, para os neo-liberais, os social-democratas tornaram-se descartáveis, foram varridos. Que vão procurar emprego, arranjem outros patrões. Terminou o ciclo dos preciosos préstimos da social-democracia, o neo-liberalismo chegou ao seu apogeu e os resultados de tudo isto estão à vista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Attention, não estamos numa telenovela. Fazemos este aviso, chamamos a vossa atenção, as cenas seguintes são difíceis, a realidade nua e crua pode perturbar seriamente as pessoas mais sensíveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O braço armado triunfante do neo-liberalismo europeu chama-se troika, vimo-lo na televisão. As suas vítimas, que, resumindo, somos nós mesmos e os gregos, foram condenadas a um ghetto de total e absoluto retrocesso social.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes vencedores neo-liberais de hoje têm muitos antepassados e conseguiram ir muito para além daquilo que eram os objectivos mais ousados dos liberais mais radicais do século XIX. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conseguiram impor em toda a linha, e nós portugueses vamos ser eloquentes testemunhas dessa vitória, a ideologia da absoluta eficácia e hegemonia do mercado e do carácter “natural” e absolutamente inquestionável das leis económicas liberais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Impuseram a ideologia que condena a interferência do Estado seja no que for, impuseram a ideologia do sagrado princípio segundo o qual a liberdade económica é o fundamento primeiro e último de qualquer liberdade política.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O triunfo do neo-liberalismo pode resumir-se na hegemonia absoluta do economismo sobre tudo o que são relações sociais, sindicais, culturais, religiosas, nacionais ou outras. Hegemonia absoluta da economia capitalista cujas prioridades mais prioritárias são o lucro e o dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Supremacia definitiva do economismo que, apoiado na força da sua superior, implícita e óbvia racionalidade, regulará, para além, da economia e das finanças, quaisquer outros comportamentos humanos, sejam eles políticos, jurídicos, sexuais, ou familiares, ou psicológicos. Vá-se lá saber quais os limites dessa omnisciência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pairando sobre as nossas cabeças, vigia-nos agora e manda nas nossas vidas uma espécie de anarco-capitalismo que apenas jura pela iniciativa privada e que questiona a legitimidade da simples existência do Estado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os próximos passos deste bando desenfreado na sua esquizofrenia adivinham-se facilmente: privatizar a segurança social, a justiça, o exército, a polícia, a marinha e quaisquer serviços públicos, principalmente os que dêem não apenas poder mas também lucro, proibir a administração e os bancos públicos. O Estado deverá desaparecer, alguém se há-se ocupar dos pobrezinhos, dos órfãos, das viúvas, dos estropiados e dos sem-abrigo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um triunfo sem falsos pudores nem falsas modéstias este triunfo do capitalismo cujo objectivo implícito é destruir a humanidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns escreveram sobre essa vertigem suicidária do capitalismo. Deixemos essa questão para outra altura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As forças vitoriosas do pior capitalismo possível chegaram às nossas portas, às portas da nossa desgraça. Mas chegaram aqui com a cumplicidade activa das esquerdas europeias social-democratas, e também com a cumplicidade passiva de algumas das outras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apetece-me lembrar aquilo que alguém escreveu há volta de 2400 anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na Ética a Nicómaco, Aristóles distinguiu entre economia e cremastística. Para o filósofo grego, a cremastística “natural”era a arte de enriquecer e ela era aceitável apenas se estivesse ao serviço da comunidade, porque servia a sua sobrevivência. E esse devia ser o objectivo da economia, o bem da comunidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a cremastística propriamente dita, ou “comercial”, era radicalmente diferente porque o seu objectivo não era o de produzir bens úteis, era apenas o de acumular dinheiro. E Aristóteles considerava que esta era uma actividade anti-natural. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que, tal como Platão, ele condenava a ambição do lucro pelo lucro e a obsessão em juntar e acumular riqueza. No seu pensamento, a economia devia ser posta ao serviço da comunidade, devia servir para produzir bens úteis. Ora, a cremastística « comercial » substituía os bens pelo dinheiro, privilegiava a obsessão do lucro. Servia apenas o objectivo de criar dinheiro a partir do dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O dinheiro, a usura e os agiotas criam mais dinheiro a partir do dinheiro. Criam mais dinheiro a partir do dinheiro que roubam aos nossos salários, a partir do dinheiro que roubam aos impostos que pagamos, a partir do dinheiro que nos falta e nos condena à miséria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É nessa fase que estamos agora, estamos na fase em que são as bolsas e as agências de rating que têm o privilégio de “criar” riqueza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já não estamos na fase do esquema de Marx (D – M – D’), dinheiro que cria mercadoria, que, por sua vez, cria mais dinheiro. A fórmula ficou mais simples: (D – D’), ou seja, dinheiro que cria mais dinheiro, mais dinheiro para os especuladores e os conspiradores, mais pobreza, sacrifícios e miséria para os excluídos do circuito dos privilegiados da fórmula capitalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É esse o capitalismo que temos agora, foi-nos legado com os cumprimentos de muita gente de esquerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, agora? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos ao dispor da troika, dominados pelo neo-liberalismo, ao serviço da união europeia pan-neo-liberal, estamos sob a alçada dos bancos cremastísticos que nos impõem o seu poder, a sua ditadura, somos seus escravos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alternativas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo a opinião dum jovem euro-deputado do Bloco de Esquerda, que li hoje no Público, “Portugal não tem partidos de esquerda. A gente olha para eles e é forçoso reconhecer: nem um único”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vai o senhor deputado de Bruxelas seguir o exemplo do seu patrão Francisco Louçã ou vai-se demitir?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ouvi também na televisão um candidato ao lugar do Sócrates no PS falar sobre um novo ciclo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da parte desta distinta gente de esquerda, este género de conversa era impensável há 3 dias. The times they are changing!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As esquerdas, como as direitas, sempre cultivaram a mentira e a conveniência dos discursos mais convenientes. Preguiça mental, arrogância, falta de respeito pela verdade e desprezo pelo povo, eis os atributos da esquerda, constantes e invariáveis ao longo do tempo, da esquerda qualquer que ela seja, social-democrata, soviética, arqueológica, moderna, ou de confiança, j’en passe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caminhando por todos esses tremendos caminhos, chegámos a este ponto da história, mimeticamente obedecendo às convenções estipuladas pelas esquerdas e pelas direitas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vejo muito bem como é que o futuro deste país abismado na cratera e nos destroços duma história importada, à qual apenas pertence episodicamente, não vejo muito bem como é que esse futuro vai, se realmente futuro houver, conseguir ultrapassar todas essas tretas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos ter que repensar e inventar muita coisa. Comecemos pelo regime político e pela justiça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meditemos sobre o exemplo da Islândia, o primeiro país do mundo que decidiu levar a julgamento um primeiro ministro pelas suas responsabilidades na falência do país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pelo princípio das causas de todas estas desgraças. Do passado façamos tábua rasa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sous les pavés, la plage. Escavemos, alguma coisa havemos de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-1334569038983798789?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/1334569038983798789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=1334569038983798789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1334569038983798789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1334569038983798789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/pare-escute-olhe-esquerda-olhe-direita.html' title='PARE, ESCUTE, OLHE À ESQUERDA, OLHE À DIREITA: ONDE ESTÃ OS RESPONSÁVEIS?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-5233507611819576620</id><published>2011-06-06T23:24:00.003+01:00</published><updated>2011-06-06T23:58:19.718+01:00</updated><title type='text'>ELEIÇÕES, PERDEU O BLOCO, PERDERAM AS SONDAGENS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como previsto, tivemos as eleições. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A noite eleitoral, confesso, não trouxe nem grandes surpresas nem momentos particularmente cinematográficos. Foi tudo muito cinzento, muito frouxo, muito para desligar o aparelho e ler um livro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parêntessis sobre esta noite desinteressante, neste momento, estou a ler um livro que recomendo vivamente, &lt;em&gt;Sakalina &lt;/em&gt;de Tchecov. É sobre uma viagem a uma ilha de deportados no antigo império russo, com o Japão do outro lado, no Pacífico. Não conhecia o livro, mas já sabia do amor de Tchecov pelas viagens, releio regularmente a sua obra-prima, a &lt;em&gt;Estepe&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Retomemos o pós-eleições, esse fiasco do grande frisson que nos tinha sido prometido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa noite para esquecer houve um momento único, sejamos objectivos, um momento muito particular, foi o adeus do Sócrates.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antes desse adeus acontecer fui recapitulando mentalmente, há vários anos que imaginava ansiosamente as circunstâncias em que esse tipo que nos arrasou a vida durante estes mais de seis anos apareceria na televisão a anunciar que se ia embora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ansiei tanto por esse momento, finalmente ele aconteceu, foi ontem às 9 e meia da noite. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se trata propriamente duma decepção, mas as coisas não aconteceram exactamente como eu tinha imaginado. O Sócrates, engenheiro ou não, é um actor, deve ter ensaiado imenso, trazia a lição bem estudada, o homem tem muitos talentos e conseguiu celebrar em grande estilo a cena do seu adeus até ao meu regresso. Je tire ma révérence, tiro o panamá, the show must go on, o homem anunciou o seu interregno pessoal, saiu com o seu odioso sorriso, preparem-se para daqui a cinco anos. Alguém com muito menos talento do que ele conseguiu voltar e agora lá está sentado no seu trono. Cenas da vida republicana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer eleição há sempre aquela questão de se avaliar quem perdeu e quem ganhou. É uma espécie de reflexo condicionado futebolístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem ganhou, parece-me óbvio, ganhou o Passos Coelho, ganhou o Portas e ganharam todos aqueles que por detrás deles esfregam as mãos de contentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vai haver mudança de boys, de figurantes, mas por detrás os patrões vão continuar a ser os de sempre. Há os vencedores da noite à vista de toda a gente e há os vencedores escondidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão mais interessante é tentar perceber quem é que perdeu. Mas não é fácil fazer para já um balanço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse balanço vai ter que ser feito ao longo dos próximos tempos. O que é que vai acontecer à Caixa Geral de Depósitos, quanto tempo é que vai ser preciso para chegarmos ao milhão de desempregados, o que é vai acontecer com a cultura, com a educação, com a ciência, com os transportes públicos, com a água, com a electricidade, com a segurança social, com a agricultura, com o interior, com a natalidade, com as pescas, com a indústria… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, sejamos mais uma vez objectivos, quem mais perdeu no imediato do acto pré e pós eleitoral foram as empresas de sondagens e toda a parafernália mediática que nos chagou durante, pelo menos duas semanas, os ouvidos e os olhos com sondagens diárias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa gente perdeu, os seus cálculos estavam errados e depois tiveram o descaramento de vir dizer que tinham acertado em cheio. Alimentaram o folhetim o PSD ora descola ora não descola, tudo isso era certamente manipulado por alguém com os seus cálculos políticos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final, o PSD ganhou com mais de 10% dos votos sobre o PS. Falhanço total e sem desculpa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem é que assume a responsabilidade desses erros? Serão as empresas de sondagens empresas honestas? Faut pas rigoler, já estamos habituados a essa história, o destino normal e sem recurso das sondagens pré-eleitorais deve ser: para o caixote do lixo, já! Aumentará o desemprego nessa importantíssima actividade económica? Paciência, que se inventem outras actividades socialmente mais úteis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo perdedor e aqui entramos no ranking dos protagonistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo perdedor indiscutível, o Bloco de Esquerda e Francisco Louçã.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concedo e já o escrevi aqui, Louçã esteve bem nos debates e naquilo que me pareceu ser a sua campanha eleitoral. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o seu problema e o do Bloco não está aí, ele começou muito antes, ou seja, começou quando o Louçã decidiu apoiar o Alegre, logo no dia seguinte, quando aquele putativo candidato à presidência da república se declarou disponível para se apresentar às eleições. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O erro original começou aí nessa aliança espatafúrdia e contre nature entre o BE e o putativo e óbvio apoiante daquilo que seria a alegre candidatura. Ou seja, a aliança entre o Louçã e um tipo chamado José Sócrates. Uma espécie de aliança imaginária entre George Bush júnior e Sadham Hussein.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Pinheiro de Azevedo no auge do PREC de 1975 gritava numa das janelas que dão para o Terreiro do Paço, gritava que o povo é sereno.&lt;br /&gt;O BE aprendeu a gritar baixinho para si próprio, o povo é estúpido, o povo de esquerda é obediente e organizado, nós decidimos, eles obedecem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a tradicional e muito antiga arrogância das elites de esquerda que falam em nome do povo ignorante e dócil e que pretendem guiá-lo pelos meandros da história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tivemos o Alegre episódio e, a seguir veio, o episódio da falsa moção de censura. A lógica mental, arrogante e política subjacente é a mesma. Episódio que se diria ser protagonizado por adolescentes filhos de pais ricos que se entretêm com jogos em que gozam com os filhos dos pobres. Conheço bem esse tipo de jogos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os altos dirigentes do BE decidiram, pois, apresentar uma moção de censura, mas, atenção, veio-nos prevenir o grande líder parlamentar do BE, não é para deitar abaixo o governo, é para deitar abaixo toda a gente, nós é que somos os bons, sigam-nos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O povo nestas eleições, afinal, não os seguiu e o tal líder, e o resultado está à vista, foi um dos oito deputados que o BE perdeu nestas eleições.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O culminar desta estratégia tem uma palavra: Terreiro do Paço. Estou a falar da estratégia bloquista alimentada no seu elitismo pelo desprezo pelo eleitor comum, ignorante e apenas preocupado em ganhar dinheiro e ter emprego para se sustentar e aos filhos. Tal estratégia foi assumida pelo BE à vista de toda a gente e com todo o desplante quando os grandes dirigentes da auto-designada esquerda de confiança se recusaram ir ao Terreiro do Paço falar com os altos funcionários empregados da troika.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Terreiro do Paço é ali tão perto, mas esse grupo de políticos iluminados por misteriosas visões políticas, essa elite cujos desígnios nos escapam, não se deu ao trabalho de ir ao terreiro dizer àqueles senhores o seu pensamento, argumentar com eles, dizer-lhes, olhem, vocês são uns agiotas, estão aqui para nos roubar, para nos explorar, para tirar o pão da boca dos nossos filhos, fuck you e, depois, vinham cá para fora e contavam tudo isto às câmaras da televisão e aos jornalistas que estivessem lá para os ouvir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, perdedores em toda a linha o BE e o Louçã, porque, ò Louçã, num partido normal a obrigação da sua direcção quando esse partido perde metade dos seus deputados não será a de se demitir e convocar imediatamente um congressso ou coisa que o valha? O que é que fez o Sócrates? Diz-me lá, ao menos, pensaste nisso, pensaste na hipótese de te demitir? O que é que te distingue do Sócrates, és melhor do que ele? Não pensaste, está à vista. E isso não me surpreende. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que o BE não é bem um partido político, será uma seita? Não sei. Em todo o caso, se é um partido, deve ser extra-terrestre, vem doutro planeta e não se rege pelas regras deste outro planeta onde nos movemos nós pobres mortais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto já vai longo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para concluir a questão sobre quem perdeu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, o PS perdeu, perdeu o poder, perdeu os empregos para os seus boys. Mas a sua derrota foi extraordinária. Ficou muito aquém do que manda o entendimento humano. Este partido dito socialista, na melhor das hipóteses, depois de todas as patifarias que pregou ao povo português, nunca deveria ter ficado acima do seu pior score, o de 1985 (se a minha memória não falha) do Almeida Santos. Abaixo dos 20%, sim seria a derrota normal, lógica, se é que há lógica na política.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A derrota do PS foi extraordinária, mas a ajuda do BE nesse facto tão extraordinário não me parece dispicienda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O povo é sereno, a palavra cabe sempre ao povo, os tempos estão duros, Portugal é hoje a sombra dum país que existiu como tal apenas e sempre que lutou pelo seu destino. Isso aconteceu nos últimos dois séculos apenas em momentos fugazes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois desta noite eleitoral, imagino Portugal no início do século XIX, há 200 anos. Estaremos em condições de resistir aos neo-invasores?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez, talvez. Mas temos que inventar outro tipo de armas, cultura, transparência, justiça, educação, luta contra a corrupção, solidariedade, justiça social, responsabilidade, capitalismo sério, banqueiros que paguem impostos e que financiem gente capaz e ambiciosa, patrões sérios e responsáveis, democracia, políticos honestos, políticos competentes e cultos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Armas que sejam eficazes contra os donos da união europeia e do euro que mandam em nós, contra a ditadura dos países que se estão a rir, que gozam à nossa custa neste momento. Pressinto que não há grandes razões para optimismos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, boa sorte sr. Passos Coelho, peut-être que Dieu, s’il existe, nous aidera-t-il!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-5233507611819576620?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/5233507611819576620/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=5233507611819576620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5233507611819576620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5233507611819576620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/eleicoes-perdeu-o-bloco-perderam-as.html' title='ELEIÇÕES, PERDEU O BLOCO, PERDERAM AS SONDAGENS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2387023407602086860</id><published>2011-06-04T16:50:00.004+01:00</published><updated>2011-06-04T17:49:23.174+01:00</updated><title type='text'>REFLEXÃO ELEITORAL, CONCLUSÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Do lado dos pequenos partidos que se apresentam às eleições, a informação que nos foi dada pelos média foi nula ou completamente caricatural. Programas, ideias, candidatos, desses partidos, tudo isso não passou dum verdadeiro deserto do Sahara. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para meu esclarecimento pessoal, decidi pois investigar na internet. Foi um trabalho muito produtivo, que confirmou a falta de imparcialidade, de profissionalismo e de honestidade dos média que temos. Que confirmou que a agenda desses órgãos de informação não se subordina ao interesse público e à verdade, limita-se a cumprir os desideratos dos grupos de poder instalados no sistema. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na minha opinião, que obviamente não passa disso, o mais interessante documento que encontrei nessa viagem internáutica foi a intervenção que uma deputada municipal de Lisboa do PPM proferiu na Assembleia Municipal, no passado dia 3 de Maio. Intervenção motivada pelo relatório escrito acerca da actividade municipal apresentado pelo presidente da CML à Assembleia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lendo o texto, tive a sensação de que tudo o que nele é dito vai para além do concelho e da administração autárquica de Lisboa. É um documento inteligente, bem fundamentado e devidamente crítico e cáustico que se aplica ao país que temos e aos responsáveis que o têm andado a (des)governar. Merece ser lido com atenção e, após reflexão, achei que se justificava dar a conhecer esta prosa aos poucos leitores que acompanham este blog.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não estou a tomar partido, limito-me a assinalar factos que merecem ser assinalados, limito-me a fazer circular opiniões políticas que não são divulgadas nos médias da nossa praça e que devem ser conhecidas e quiçá objecto de reflexão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acrescento que a autora desta intervenção, Alline Hall, é a cabeça de lista do PPM por Lisboa às eleições legislativas de amanhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614405182124658594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 276px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-lWorcsNzldQ/TepfxEmnD6I/AAAAAAAAA5Y/Qw1lgNqS-p4/s400/Aline%255B1%255D%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://ppm-grupomunicipallisboa.blogspot.com/2011/05/intervencao-da-deputada-aline-gallasch.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;INTERVENÇÃO DA DEPUTADA ALINE GALLASCH-HALL SOBRE A INFORMAÇÃO ESCRITA DO PRESIDENTE DA C.M.L. ACERCA DA ACTIVIDADE MUNICIPAL&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O PPM fica perplexo com a aura de auto-elogio das informações escritas do Sr Presidente da Câmara. A Reforma Administrativa, que é o verdadeiro assassinato sem escrúpulos do municipalismo, é visto como um acto heróico de grande feito e com aval científico. Esquece-se que nem sempre os estudos científicos e estatísticos servem bem as pessoas. Os munícipes precisam de um contacto mais próximo com os seus Presidentes de Junta, numa necessidade de identificação, confiança e aproximação tão necessárias ao seu bem-estar! E lá se foi mais uma tradição humanista portuguesa, a ser apagada das ruas e bairros de Lisboa, e o Sr Presidente congratula-se...Congratula-se também com as obras do Pátio da Galé, mas, em nenhum momento, se preocupou em recuperar ou estudar o local na realidade. Sim, porque há vestígios arqueológicos do antigo Paço da Ribeira, da Casa da Índia e até da Ópera do Tejo! No entanto, isso é completamente ignorado ou até desconhecido. Mas o que importa isso ao Sr Presidente? Quer é abrir esplanadas padronizadas e descaracterizar ainda mais o município! Mais um pouco e o Pátio da Galé se transformará numa feira popular sofisticada. Já que gosta tanto de estudos científicos e de basear as suas opções nos mesmos, porque não manda fazer um levantamento dos vestígios arqueológicos desses monumentos emblemáticos que foram da cidade e que estarão lá incorporados? Poderia fazer dali um complexo museológico, recuperando verdadeiramente o passado dos lisboetas e perpetuando-o para o futuro. Quiçá até mudar para esse espaço o Museu da Cidade, que merece mais dignidade e importância, pois é o museu que conta a história de Lisboa, testemunha todos os seus momentos e teria toda a lógica em estar instalado nos edifícios recuperados do antigo Paço, destruído com o Terramoto.E o que faz o Sr Presidente? Povoa o espaço com restaurantes de luxo com algo que ninguém sabe bem o que seja, isso da “comfort food”, como lhe chama, para Português algo como “comida confortável”, que deve é causar um desconforto enorme na carteira dos Portugueses... Ah, já me esquecia, aquela zona é mesmo só para turista ver... e consumir...Ou seja, o que faz é supor que tudo o que é cosmopolita e bem polido, tem um ar de modernidade... como se as imagens estrangeiradas transportassem consigo um cunho ou uma sensação de qualidade. Na nossa apreciação, que peço de empréstimo a Fernando Pessoa, isso chama-se “provincianismo”.Quanto aos vários Planos de Pormenor pensados para a cidade, chamo a atenção, em particular, para o Plano de Salvaguarda da Área Envolvente do Palácio da Ajuda. Desejamos mesmo que seja para salvaguardar aquele património, porque já chegou a destruição feita nos anos 50 do século XX de parte da Real Barraca. A zona que não ardeu no incêndio a 10 de Novembro de 1794 foi destruída em nome do progresso, para construir a linha do eléctrico. Peço-lhe que mantenha a parte da ruína das antigas cozinhas da Real Barraca, uma das poucas construções que subsistiram do arquitecto Giovanni Carlo Sicinio Galli Bibiena, autor dos teatros de ópera de D. José e do risco da igreja da Memória. Estas ruínas, cujos azulejos já quase desapareceram na totalidade porque nunca foram devidamente cuidados, (embora nos anos 90 do século XX ainda se encontrassem “in situ”), constituem das poucas referências que não foram apagadas pelo incêndio mencionado, pelo tempo ou pela ignorância. Pedimos-lhe que preserve esse património na sua totalidade. E sim, é bom que faça um remate decente à fachada Poente do Palácio, que é uma vergonha. Não sei se sabe, Sr Presidente, mas habitualmente, chamam àquela fachada que está inacabada, esburacada, em péssimo estado, a fachada da República, em contraponto com a principal, que é a fachada da Monarquia. Magnânima, sólida, imponente, que transmite segurança, força e confiança, enquanto a fachada da República é aquela desgraça a desfazer-se, um pouco como vemos o regime actualmente. Em 37 anos, 3 vezes na bancarrota, é algo nunca visto na História de Portugal! E, curiosamente, sempre pelas mãos do PS. Parece que não têm amor nem consideração pelo país e pelos portugueses, só se preocupam com o poder e o dinheiro de forma gananciosa. A República deixou o país na miséria, agora nas mãos de entidades exteriores para sobreviver. Não para se desenvolver, repito, PARA SOBREVIVER. Foi para isso que mataram o rei, o príncipe herdeiro e deram um golpe de Estado completamente anti-democrático? Foi para isso que impuseram uma República que está completamente podre? Se era o caos que desejavam instalar no país, parabéns, conseguiram-no!Com certeza o Sr Presidente vê agora uma boa oportunidade de mascarar a fachada republicana presente no lado Oeste do Palácio da Ajuda. Mas se tem de o fazer, então faça-o com dignidade, e preservando os vestígios arquitectónicos. É o mínimo que um Presidente da Câmara consciente pode fazer com um edifício tão importante da cidade e da História de Portugal.E por falar em actos que deveriam ser conscientes, eis que vemos o nosso Presidente da Câmara, qual herói de banda-desenhada, capa e espada, ou só capa (de preferência cor-de-rosa), voando dos Paços do Concelho para... o Intendente. Benemérito, dá-se ao luxo de dispender 5.600€ de renda mensais, por 10 anos, quando tem o edifício dos Paços do Concelho completamente à disposição, mantendo-o apenas para “reuniõezinhas”. O que equivale a 672 mil euros de um gasto completamente supérfluo, desnecessário, que não intervém positivamente em nada na zona. Pelo contrário: já tínhamos dificuldades em ter mais residentes em Lisboa, devido à sua mudança essa dificuldade acentuou-se! Os prédios na zona aumentaram as rendas para o dobro! Deve ser para verem os seus lindos olhos, Sr Presidente. Pois foi isso que conseguiu com a mudança de instalações – inflaccionar preços de arrendamento, gastou sem dó dinheiro dos contribuintes, sem contabilizar ainda os gastos para instalar devidamente os serviços! Imagine-se o que não virá por aí!Esses 672 mil euros não correspondem a nenhum investimento para reabilitar um edifício ou alguma estrutura no Intendente: é um gasto caprichoso só para pagar uma renda. Quando o Sr já tem uma casa, que lhe foi atribuída! Queria mudar-se, pagava do seu bolso e não com dinheiro dos munícipes! Os mesmos munícipes, Sr Presidente, que votaram em si para governar e orientar a cidade, e não para esbanjar o dinheiro deles com rendas absurdas, pagas por uma década, quando o Sr foi eleito apenas por 4 anos! Isso é abuso de poder! Isso é esbanjamento irresponsável do dinheiro do município! Isso é total irresponsabilidade e demagogia; é ser-se leviano com o dinheiro dos outros! Não foi para isso, definitivamente, que votaram em si.Esta é a típica acção demagógica própria do PS: lembram-se de um caso semelhante, na cidade do Porto? Pois o PPM lembra-se na perfeição. O Sr Dr Nuno Cardoso achou por bem deslocar o centro camarário para a zona da Sé, uma parte muito degradada dos bairros históricos do Porto. Resultado: a zona continuou degradada, apesar de ter gasto dinheiro a “maquilhá-la” e continua a ser perigosamente (in)transitável, mesmo de dia.Pois não queremos maquilhagem em Lisboa nem demagogia gratuita, Sr Presidente. Muito menos despesas supérfluas, vergonhosa e despudoradamente gastas nas suas deslocações para o Intendente. Por acaso o Sr vai lá ficar a dormir? Ou é só para passear de dia? Ou julga que a sua omnipresença é suficiente para melhorar toda aquela zona? Isso é ter-se em alta conta, não há dúvida!O Sr Presidente diz-se ateu, mas quer-nos parecer que é exactamente ao contrário. Parece-me profundamente religioso. Inspira-se em Deus, julgando-se acima do juízo dos homens, e que as suas acções são perfeitas e imaculadas. Não é, Sr Presidente, não é Deus, nem pode ter pretensões de o ser. Não é omnipresente, pois à noite o Intendente vai continuar a ter os problemas que sempre teve, e nem a sua aura quase divina, emanando da antiga fábrica da Viúva Lamego e com a sua simbologia algo maçónica, poderá acabar com a criminalidade e os problemas sociais graves que ali se passam.Julga-se, talvez, o Intendente Pina Manique do século XXI. Mas para isso, Sr Presidente, precisava de estar em outra categoria...Só peço humildemente desculpa por uma referência que fiz, há meses atrás, sobre si, Sr Presidente. Afinal, não será à frente da Câmara Municipal que irão erguer-lhe uma estátua. Pelos vistos, será no Intendente ou, quiçá, será o Sr a própria inspiração à nova estátua da República, na Avenida do mesmo nome, concretizando a simbólica que, actualmente, é própria a esta República Portuguesa: pura demagogia, exaustiva retórica, deslumbrante espectáculo, total esbanjamento, absoluta indiferença social, entre outras tantas posições... Aconselhamos um livro, para inspiração na realização dessa obra-prima da estatuária portuguesa, que irá nascer para comemorar os 100 anos a cavar a cova de Portugal. Iconograficamente, poderá recorrer a Cesare Ripa. Sempre é melhor e mais digno que figuras de mulheres com ares badalhocos e barretes na cabeça...Quase a terminar, uma palavra quanto à ecologia e espaços verdes – os espaços quase inexistentes da nossa cidade.Refiro-me à Cerimónia de Comemorações do dia Mundial da Floresta. Para festas, o Sr Presidente está sempre pronto. Mas para plantar árvores e fazer uma proposta ecológica verdadeiramente revolucionária para a cidade de Lisboa, isso deixa para o Sr Vereador Sá Fernandes. Que também, não faz nada, a não ser andar de bicicleta. Ou melhor, mandar fazer pistas para bicicletas. Porque ninguém nunca o viu em cima de uma. Até desconfiamos no PPM que o Sr Vereador Sá Fernandes não sabe andar de bicicleta, apenas sonha à noite, ardentemente, em andar nelas, daí a sua obsessão por tantas ciclovias. Como diz o líder do meu grupo municipal, não é o vereador dos espaços verdes, mas dos espaços vermelhos – a cor dessas ciclovias!Só posso concluir que o Sr Presidente é uma vítima, uma vítima do sistema; participa, sem perceber bem, na ruína do país. O Sr Presidente é a verdadeira figura da tragédia grega, ou seja, está mais próximo de uma personagem de Sófocles, do que de Aristófanes; limita-se a fazer o que os outros fazem – negócios cujas motivações são pouco claras e os lucros ao povo, nenhuns. Tudo numa grande tragédia à portuguesa que o nosso país, e a cidade em particular, se tornou.Saúdinha, Sr Presidente, e que viva muitos anos para ver bem o que anda a fazer e passar a reformar convenientemente, o que é a sua obrigação. Falar menos, fazer mais, gastar menos, poupar mais. Isto beneficiaria a cidade em muito maior grau que as suas deslocações e mudanças de instalações desnecessárias. È que todos nós somos responsáveis pelos nossos actos. Não só no imediato, mas principalmente para com as gerações vindouras, que nos julgarão. E que irão escolher se se orgulharão de nós ou se terão vergonha. E, de facto, actualmente os motivos de orgulho são muito poucos. Isso, sim, é a maior tragédia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2387023407602086860?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2387023407602086860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2387023407602086860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2387023407602086860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2387023407602086860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/reflexao-eleitoral-conclusao.html' title='REFLEXÃO ELEITORAL, CONCLUSÃO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-lWorcsNzldQ/TepfxEmnD6I/AAAAAAAAA5Y/Qw1lgNqS-p4/s72-c/Aline%255B1%255D%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2797287840197253664</id><published>2011-06-03T23:22:00.005+01:00</published><updated>2011-06-03T23:50:24.002+01:00</updated><title type='text'>REFLEXÃO A PROPÓSITO DE FINS ELEITORAIS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entrámos no chamado período de reflexão pré-eleitoral. Vamos então tentar reflectir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Na campanha eleitoral, a melhor parte foi o período pré-eleitoral. Alguns debates na televisão foram úteis e construtivos, uma raridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que faltou nesses debates? Faltaram os pequenos partidos. Eu sei que é complicado meter toda a gente a discutir entre telenovelas, mas a falta desses partidos prejudicou o debate. Isto, se admitirmos como essencial que na luta política e nas campanhas eleitorais o mais importante é que os cidadãos tenham a oportunidade de examinar os argumentos de todos os candidatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a pré-campanha e a campanha propriamente dita o hiato foi tremendo, não houve qualquer continuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é tivemos na campanha propriamente dita? Houve episódios, tricas de comadres, questiúnculas, mas nada de sério foi discutido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpa, tenho que reconhecer que apenas o Francisco Louçã soube prolongar na campanha o que tinha dito nos debates ao insitir na questão determinante para o futuro de Portugal nos próximos anos, que é a da inevatibilidade da renegociação da dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é significa isso de renegociar a dívida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa tudo nesta guerra de trincheiras em que se tornou a comunidade europeia e o euro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614125529605046082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-iJ6MKObNIUo/TelhbJyPf0I/AAAAAAAAA5Q/LrNXkgZaViM/s400/image81%255B1%255D.png" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A comunidade europeia e o euro, vejo tudo isso como o exército de Napoleão que vai ocupando a Europa, que vai impondo o seu diktat, que chega à Península Ibérica, que chega a Portugal, que chega à Rússia. Sempre com a Inglaterra por perto watching. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Estamos hoje na mesma situação das invasões napoleónicas. Vamos negociar com o invasor? Talvez fosse o mais sensato, mas o invasor não vai aceitar negociar. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Qualquer invasor, por princípio, só aceita capitulações. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Os partidos da troika estão prontos para capitular. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Aceitar o diktat da troika sem resistência, sem renegociar os juros do empréstimo, sem renegociar os prazos, sem renegociar as obrigações que nos são impostas será pura capitulação. Essa foi a posição não explicitamente admitida pelos partidos do “arco do poder”. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Obviamente e essa é a verdade, os partidos da troika estão prontos para capitular. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Estão prontos, querem ser bem vistos em Bruxelas, em Berlim e em Washington, dizem o que é obrigatorio que digam agora, mas daqui a menos de um ano vão querer renegociar. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;E vão ter que engolir o que andaram agora a proclamar, vão ter que renegar tudo aquilo que tem sustentado a sua luta eleitoral pelo poder, baseada na ocultação da verdade literal e política que está no memorando da troika. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A campanha eleitoral do triunvirato partidário que quer ocupar o poder andou a esconder a verdade dos sacrifícios e do massacre que nos vão ser impostos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Escondeu, em particular, a verdade da nossa perda de soberania. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O PCP falou de maneira suave da necessidade de se debater o euro e a soberania nacional. Mas não fez disso cavalo de batalha. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O Louçã colocou a questão da renegociação da dívida, ele é economista e qualquer economista sabe que essa renegociação vai estar na ordem do dia e não vai faltar muito tempo. Mas o Louçã não é o Bloco de Esquerda, é apenas a sua aparência. É a aparência duma alternativa de poder que não existe. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Qualquer economista, por mais monetarista que seja, sabe que Portugal não vai poder pagar a dívida à troika e aos outros credores se não houver criação de riqueza, se não se vencer a recessão. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Qualquer economista que conheça minimamente a história da grande depressão de 1929/1933 sabe que nessa altura quem tinha razão não era o presidente Herbert Hoover, que confiava cegamente na iniciativa privada e no mercado para resolver a crise, mas o novo Presidente Franklin Roosevelt que mobilizou com toda a força a intervenção maciça do Estado para reanimar a economia e o emprego. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614125234460102002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-ox8v4CTj1NU/TelhJ-SNDXI/AAAAAAAAA5I/4XfPx_fr-Ic/s400/foranewdeal%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Com o guião da troika não vamos lá. É o guião Herbert Hoover, um guião liberal que, por maioria de razões, em Portugal não tem a mínima hipótese de resolver o que quer que seja. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;É que em Portugal, infelizmente, todos dependem, todos dependemos do Estado, o Belmiro de Azevedo, o Américo Amorim, o Ricardo Salgado, o Jorge Coelho, o Joaquim, o António, a Maria. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não temos verdadeiro capitalismo, não temos iniciativa privada, não temos sociedade civil. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Continuamos, continuaremos apenas a ter partidos preocupados em manter, em criar tachos para os amigos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;E, por tudo isso, a campanha eleitoral foi, como diria o Gil Vicente, uma “floresta de enganos”. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Enganados, iludidos e mal pagos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas, reflictam, votem, além dum direito isso é uma obrigação de cidadania (infeliz palavra, faz-me lembrar o Fernando Nobre). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Pela minha parte, no momento da verdade, no silêncio do confessionário da mesa de voto, vou provavelmente decidir votar num desses partidos que não tiveram ocasião nem tempo de antena na televisão para enganar o povo. E votarei conformado com a ilusão de que afinal no meio de todas estas desgraças ainda haverá alguns partidos honestos nas suas convicções e que não mentem. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614124900255061730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-iVUb5nZn7Ac/Telg2hRg1uI/AAAAAAAAA5A/abrd8TBFY5M/s400/4237968737_c4d58ccd90%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Dia 6 de Junho, segunda-feira, dia aziago. Triste futuro.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2797287840197253664?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2797287840197253664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2797287840197253664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2797287840197253664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2797287840197253664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/06/reflexao-proposito-de-fins-eleitorais.html' title='REFLEXÃO A PROPÓSITO DE FINS ELEITORAIS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-iJ6MKObNIUo/TelhbJyPf0I/AAAAAAAAA5Q/LrNXkgZaViM/s72-c/image81%255B1%255D.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2503905231704478873</id><published>2011-05-31T00:01:00.003+01:00</published><updated>2011-05-31T00:12:23.780+01:00</updated><title type='text'>JUSTIÇA E DÍVIDA PÚBLICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já que a campanha eleitoral continua patética e não oferece grande matéria para reflexão, continuemos a reler os clássicos da economia política.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de Marx, Adam Smith, a ordem não é cronológica. São os dois pólos opostos da economia política. Em linguagem hegeliana, Smith é a tese, Marx é a antitese, falta a sintese.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Adam Smith era escocês, viveu no século XVIII e é considerado o pai do liberalismo económico. Por outras palavras, Smith foi o arauto, o inventor, o guia espiritual da burguesia inglesa que inventou o capitalismo e o fez triunfar com a revolução industrial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Smith é um pensador revolucionário cujo pensamento continua actual e continua a apelar à nossa reflexão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Oportuno testemunho dessa actualidade e desse apelo intelectual é o excerto que se transcreve a seguir, retirado da sua obra principal, publicada em 1776, &lt;em&gt;Riqueza das Nações (&lt;/em&gt;vol. II, edição da Fundação Calouste Gulbenkian, tradução e notas de Luís Cristóvão de Aguiar, 5ª edição, 2010, páginas 625-626).&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612648934228232514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-TG-JKz5cdTE/TeQid_WmCUI/AAAAAAAAA40/gvsMeXzvoEc/s400/20080902040249%2521AdamSmith%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;I &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O comércio e as manufacturas dificilmente se poderão desenvolver num Estado em que não se faça uma administração correcta da justiça, em que o povo não se sinta seguro da posse da sua propriedade, em que a boa-fé dos contratos não seja apoiada pela lei, e em que a autoridade do Estado não seja devidamente empregue para obrigar as pessoas a pagar as suas dívidas, sempre que o possam fazer.&lt;br /&gt;Numa palavra, o comércio e as manufacturas não terão possibilidade de se desenvolver num Estado em que não haja um certo grau de confiança na justiça do governo. A mesma confiança que leva abastados mercadores e manufacturadores, em circunstâncias normais, a confiar as suas propriedades à protecção de um determinado governo, leva-os também, em ocasiões extraordinárias, a confiar-lhe o uso da sua propriedade.&lt;br /&gt;Emprestando dinheiro ao governo, eles não põem em causa, por um momento que seja, a capacidade que têm de prosseguir no seu comércio e manufacturas. Pelo contrário, até a aumentam, de um modo geral. As necessidades do Estado levam muitas vezes o governo a fazer empréstimos em termos altamente vantajosos para quem empresta. A segurança que dá ao credor original é transferida para qualquer outro credor e, devido à confiança universal na justiça do Estado, geralmente acaba por vender no mercado por um preço mais elevado do que aquele que teve que pagar inicialmente.&lt;br /&gt;O mercador ou o homem de recursos financeiros faz dinheiro, emprestando dinheiro ao governo e, em lugar de diminuir, aumenta o seu capital comercial. Por isso, considera um favor o facto de a administração lhe permitir a entrada numa comparticipação na primeira subscrição para um novo empréstimo. Assim se explica a tendência ou desejo de emprestar que têm os súbditos de um Estado comercial.&lt;br /&gt;O governo de um Estado deste tipo pode muito bem confiar na capacidade e desejo dos seus súbditos em lhe emprestarem dinheiro em ocasiões excepcionais. Prevê a facilidade em recorrer a empréstimos e, assim, abstém-se da obrigação de poupar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;II &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Num estádio rude da sociedade não existe grande capital mercantil ou manufacturador. Os indivíduos, que entesourem todo o dinheiro que podem poupar para depois o esconderem, fazem-no, pois, não confiando na justiça do governo, receiam que se venha a saber da sua existência e, que, uma vez descoberto o lugar onde se encontra o tesouro, o venham a roubar. Num tal estado de coisas, poucas pessoas estariam aptas ou dispostas a emprestar o seu dinheiro ao governo em caso de necessidade. (…)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;III &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O progresso das enormes dívidas que actualmente oprimem e que, provavelmente serão no futuro a causa da ruína de todas as grandes nações da Europa, tem sido bastante uniforme. As nações, tal como as entidades privadas, começaram, de um modo geral, por fazer empréstimos sobre aquilo a que podemos chamar o seu crédito pessoal, sem transferir ou hipotecar determinados fundos para o pagamento da dívida; e quando esta reserva lhes faltava, eram obrigados a fazer empréstimos sobre transferências de fundos extraordinários.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2503905231704478873?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2503905231704478873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2503905231704478873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2503905231704478873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2503905231704478873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/justica-e-divida-publica.html' title='JUSTIÇA E DÍVIDA PÚBLICA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TG-JKz5cdTE/TeQid_WmCUI/AAAAAAAAA40/gvsMeXzvoEc/s72-c/20080902040249%2521AdamSmith%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-3703931263498898831</id><published>2011-05-30T00:22:00.007+01:00</published><updated>2011-05-30T00:52:42.757+01:00</updated><title type='text'>E DEPOIS DO 5 DE JUNHO?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fim do capitalismo não está para breve, ainda não está na ordem do dia e não vai ser votado no 5 de Junho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sejamos objectivos, a história e o progresso da humanidade devem muito ao capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O capital criou as fábricas e as indústrias, aumentou consideravelmente a riqueza e os bens materiais e, principalmente, criou uma nova forma de relação social chamada trabalho assalariado, que deu alguma liberdade e autonomia a muita gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma fábrica ou fabriqueta, ou oficina, preciso do teu trabalho, tu não tens terras nem propriedades nem rendimentos, precisas de comer e de dar de comer à tua família, vem trabalhar para mim, eu pago-te um salário. Assinemos esse compromisso, tu trabalhas, eu pago-te um salário. Um contrato, isso nunca tinha existido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assina-se o contrato, depois logo se verá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vocação, a missão histórica do capital foi esta: criar riqueza, criar emprego, assumir compromissos sociais. Essas foram, mas duvido que continuem a ser, as suas principais finalidades e obrigações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, as condições em que o capitalismo foi levando a sua avante levantam sérias objecções morais e políticas. Mas não vamos falar disso agora. Fica para outra ocasião.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os fundamentos para as origens do capitalismo terão sido lançados, a partir do séc. XV, pelas repúblicas italianas com as suas rotas do comércio para o oriente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas as condições decisivas para o início dessa revolução foram criadas pelas rotas abertas pelos portugueses com a Índia e o extremo oriente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, o capitalismo constituiu-se a partir das riquezas acumuladas pelos piratas ingleses e holandeses no séc. XVI. Riquezas pilhadas aos barcos portugueses e espanhóis nas rotas do Atlântico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612284627053334898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-y4pVBiwwLDY/TeLXIhXmUXI/AAAAAAAAA4s/E35LRXoKr5M/s400/sir_francis_drake_tshirt-p235918838419384375q989_400%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Tais riquezas multiplicaram-se rapidamente em grande parte graças ao génio dos judeus que Portugal e a Espanha tiveram a inteligência de expulsar para o norte da Europa. Mais uma coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi aí no norte da Europa que nasceu o capitalismo e é aí que o capitalismo continua hoje na sua rota histórica, capaz não apenas de criar riqueza e empregos, mas também de impor a sua hegemonia aos outros países mais pobres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é exagero afirmar isto, mas factos são factos, Portugal nunca teve e continua a não ter capitalismo no verdadeiro sentido histórico da palavra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquele capitalismo que Marx admirava porque era o motor de uma nova sociedade, uma sociedade avançada cujo desenvolvimento levaria inevitavelmente a uma sociedade muito mais avançada que era, na sua ideia, a sociedade comunista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sociedade do futuro sonhada, entre outros, pelo Dr. Álvaro Cunhal. Sonho que nunca se concretizará, mas que muitos continuarão a sonhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas esses sonhos, como diria o Marx, são uma espécie de ópio do povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A história do “capitalismo” português pode ser condensada em poucos parágrafos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portugal teve um grande capitão de indústria chamado Alfredo da Silva. Começou em Alcântara a fabricar velas e sabões, prosperou, criou muitos empregos, transferiu-se para o Barreiro onde construiu um grande complexo industrial. Meteu-se na navegação, nos tabacos, na banca, nos seguros, criou a partir de tudo isso um dos 100 grupos económicos e financeiros mais importantes do mundo no início dos anos 1960.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo parágrafo, pode haver algumas honrosas excepções, mas os capitalistas portugueses, aqueles que hoje passam por tal, não produzem, não têm fábricas, quase não têm empresas, não têm muitos trabalhadores assalariados, mas têm centros comerciais, têm hospitais, têm companhias de seguro, têm bancos, têm auto-estradas, pontes e portagens, têm acções em muitas bolsas internacionais e muito dinheiro em off-shores, têm muitos trabalhadores com contratos a prazo ou a recibos verdes. Dominam a economia, as finanças e principalmente a política e os políticos em Portugal. São estes os “nossos” capitalistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612284232044730690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 279px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-FbNJ4mdUv4A/TeLWxh2NWUI/AAAAAAAAA4c/pr35PgFFeVU/s400/piratas_de_somalia_301985%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Em linguagem cinematográfica, são uma espécie de piratas das Caraíbas, rapinam, usufruem, exploram, mandam em tudo e em todos aqueles em quem vale a pena mandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fim de parágrafo: estes capitalistas são considerados capitalistas porque ganham muito dinheiro. Mas, a origem desse dinheiro é, na hipótese mais favorável e tolerante, mais do que duvidosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Donde vem todo dinheiro e esse poder?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612283719369979298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 269px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-ud2Psvnowpc/TeLWTr_BdaI/AAAAAAAAA4M/_pwLHkaFOss/s400/JorgeCoelho2%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte vem do Estado e dos favores do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma grande parte vem das Parcerias Público-Privados, em linguagem técnica as PPP.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos milhares de milhões vêm das obras públicas, das auto-estradas, das scuts, das obras sem concurso, dos free-ports, dos negócios com contentores, das Estradas de Portugal, dos negócios da saúde, dos hiper-mercados, da gasolina, da electricidade, das eólicas. A lista não tem fim, não sou o Tribunal de Contas. Também sei que, mesmo que fosse eu a mandar nesse tribunal, ou na chamada alta autoridade da concorrência, isso não iria servir de nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes capitalistas e os seus inúmeros empregados distribuídos pelo aparelho do estado, pela imprensa e televisão e pelos partidos do arco do poder reconhecem-se na quinta-essência do pensamento “neo-liberal”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Defendem a iniciativa privada, mas principalmente a liberdade de despedir livremente e com o mínimo de indemnizações todos aqueles que para eles têm trabalhado, defendem a liberdade de deslocalizar as empresas que foram subsidiadas pelo Estado para outros países que oferecem salários mais baixos e menos direitos para quem trabalha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Defendem a privatização das empresas públicas que dão lucro, defendem que o Estado deve financiar o ensino privado, defendem o fim do serviço público de saúde.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Haverá entre esta gente alguém capaz de um mínimo de respeito por obrigações tão elementares e óbvias como sejam as do serviço público, do bem comum, do respeito por quem trabalha? Haverá aí nesse grupo de grandes interesses gente para quem o interesse nacional deva estar acima de quaisquer outros interesses e de rapinas pessoais?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Salteadores de beira de estrada, com os seus capangas, os seus funcionários, os seus políticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Salteadores, cujas quadrilhas há décadas se mantêm bem instaladas aos comandos do Estado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Salteadores que recolhem as migalhas deixadas por outros salteadores bem maiores e mais competentes e mais poderosos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Salteadores ao serviço dos verdadeiros capitalistas, aqueles do norte que estão aos comandos da união europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As eleições do 5 de Junho não vão mudar nada em relação a tudo isto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que as causas já são antigas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A hora continuará a ser da direita, a hora dos capitalistas portugueses de meia tigela e dos seus políticos. Capitalistas e políticos sem uma ideia digna e ambiciosa para um grande país. Capitalistas que se contentam em prosperar graças aos baixos salários, à pobreza e à precariedade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Capitalistas que se alimentam da teta do Estado e dos favores e negócios providenciados pelos governos dos partidos da direita que estão comodamente sentados no poder há mais de 35 anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou a falar do PS, do PSD e do CDS-PP, os partidos agora chamados do arco do poder. Arco do poder, direita dos interesses, direita dos capitalistas ferro-velho que dominam os bancos e os negócios, que despedem gente, que pagam salários miseráveis, que cortam nas pensões. Gente sem vergonha, uma espécie de mladics jugoslavos que deveriam ser enviados para o TPI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612284027402404946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-RncI68-s7wU/TeLWlnfrRFI/AAAAAAAAA4U/-ml-UO8YwbA/s400/mladic%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Continuará tudo na mesma, então qual é o problema, já estamos habituados…&lt;br /&gt;O problema é óbvio: é que tudo isto vai ter que ter um fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612284428012866034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 341px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-jHzc_OIEbhI/TeLW874pyfI/AAAAAAAAA4k/xOMlekrfJeM/s400/PlacaEscadinhas%255B1%255D.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Pensemos então, concentremo-nos no pós-5 de Junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-3703931263498898831?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/3703931263498898831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=3703931263498898831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3703931263498898831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/3703931263498898831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/e-depois-do-5-de-junho.html' title='E DEPOIS DO 5 DE JUNHO?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-y4pVBiwwLDY/TeLXIhXmUXI/AAAAAAAAA4s/E35LRXoKr5M/s72-c/sir_francis_drake_tshirt-p235918838419384375q989_400%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6185762788861899730</id><published>2011-05-27T00:45:00.004+01:00</published><updated>2011-05-27T01:03:44.049+01:00</updated><title type='text'>RELER MARX</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vivemos as incertezas e o pânico da crise, a campanha eleitoral é patética, não se vislumbram saídas. Mas nada impede que procuremos ajuda. Reflectir é preciso, apeteceu-me, pois, reler alguns clássicos da economia política. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E comecei pelo Marx de 1844, o Marx criativo e sublime cuja genial máquina de pensar não lhe dava sossego. Tempos heróicos esses, os resultados práticos não foram brilhantes é verdade, mas a culpa não é de quem consagrou toda a sua vida a estudar e a combater o capitalismo! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Textos retirados da edição da Pléiade, Marx, &lt;em&gt;Oeuvres, Économie, II&lt;/em&gt;, traduzi o melhor possível) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611177042601017234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-7B4gOM-T4RQ/Td7nynwPf5I/AAAAAAAAA4E/ZcLci7ZHtyE/s400/Marx4%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;I&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para que o ponto de vista da economia nacional não passe duma abstracção, o capitalista e o proprietário – que são, como qualquer operário, membros da nação – deveriam chegar à seguinte conclusão: o que me interessa não é que eu consiga ter um lucro maior; o que importa é que o meu benefício aproveite a todos; por outras palavras, o capitalista deveria abolir o ponto de vista do seu interesse particular e, caso se recusasse a fazê-lo, deveria haver quem tivesse o direito de decidir por ele (p. 14). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Em caso de crise, (…) os operários deverão reduzir as suas despesas e, para aumentar a sua produtividade, terão que trabalhar mais horas ou produzir mais por cada hora. (…)&lt;br /&gt;Em todas as crises há sempre um movimento cíclico que atinge os operários. Não conseguindo vender os seus produtos, o empregador não consegue empregar trabalhadores. Ele não pode vender os seus produtos, porque não tem compradores. Não tem compradores porque os operários apenas têm par dar em troca o seu trabalho e não podem dar em troca aquilo que não têm. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;(…)&lt;br /&gt;Um salário que baixou, mesmo que volte a subir de seguida, nunca volta a atingir o seu nível anterior (p. 155-156).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Eis as consequências do aumento das forças produtivas em geral: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;a) A situação dos operários piora em relação à dos capitalistas, na medida em que o valor das vantagens que cada um retira é relativo. Em qualquer relação, o gozo de cada um é sempre de natureza social. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;b) O operário torna-se uma força produtiva cada vez mais unilateral, que produz o mais possível no mínimo de tempo possível. O trabalho qualificado muda cada vez mais para trabalho simples. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;c) O salário depende cada vez mais do mercado mundial; a condição operária torna-se cada vez mais dependente do acaso. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;d) No capital produtivo, a parte destinada às máquinas e às matérias-primas cresce mais rapidamente do que a destinada às subsistências. O aumento do capital produtivo não é, pois, necessariamente acompanhado dum aumento da procura de trabalho (p.152-153).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Suponhamos”, diz H. Merrivale, que foi professor de economia política na Universidade de Oxford, empregado do ministério das colónias inglesas e também um pouco historiador, “suponhamos que, por ocasião duma crise, a nação seja obrigada a um grande esforço para se livrar de algumas centenas de milhar de braços supérfluos, qual seria a consequência disso? Na volta, quando houvesse uma procura mais viva de trabalho, seríamos confrontados com um défice. Por mais rápida que possa ser a reprodução humana, ela precisa sempre do intervalo duma geração para substituir os trabalhadores adultos. Ora, os lucros dos nossos fabricantes dependem sobretudo da sua faculdade para explorar o momento favorável duma forte procura e, desse modo, serem indemnizados pelo período de estagnação. Mas esta faculdade só lhes está assegurada se tiverem à sua disposição máquinas e braços; é preciso que possam estender ou distender as suas actividades consoante os caprichos do mercado, senão serão completamente incapazes de se aguentar na luta desenfreada da concorrência (…)” (p. 462). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6185762788861899730?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6185762788861899730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6185762788861899730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6185762788861899730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6185762788861899730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/reler-marx.html' title='RELER MARX'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-7B4gOM-T4RQ/Td7nynwPf5I/AAAAAAAAA4E/ZcLci7ZHtyE/s72-c/Marx4%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1060471650420364481</id><published>2011-05-25T00:39:00.002+01:00</published><updated>2011-05-25T00:49:41.387+01:00</updated><title type='text'>ALTERNÂNCIAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Teoricamente, a questão essencial das democracias é a da alternância.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sumariamente, alternância deveria significar que agora governa a direita, a seguir governa a esquerda, mudam os projectos, mudam as políticas, depois logo se vê. A ordem é arbitrária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, na prática, a alternância política não tem ido além de breves fogachos de mudança. Tem prevalecido uma clara linha de continuidade, a hegemonia da direita conservadora, banqueira e patronal nunca esteve minimamente ameaçada. E não falo apenas de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Simples aparências de mudanças, muda o disco e toca o mesmo, sai a direita, e a seguir entre outra direita mais ou menos mascarada de esquerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando sai o PSD, entra o PS. Sai a direita Buenos Aires, os seus funcionários e os seus banqueiros, entra a direita do largo do Rato, os seus boys e os mesmos banqueiros. Manda esta lógica da alternância democrática à portuguesa que no próximo dia 5 de Junho à noite, os protagonistas do costume se limitem a trocar de papéis. Sai o PS, volta o PSD, simples troca de actores, mudam os figurantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a previsível substituição na porta de armas do quartel que se anuncia parece que, desta vez, vai ser mais complicada. É que chegámos a um ponto em que, qualquer que seja a votação final no 5 de Junho, a guia de marcha do próximo governo já está aprovada e a direita que vai governar vai ter que respeitar as ordens da troika estrangeira. Simples questões de soberania, quem é que preocupa com isso, nos dias que correm? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cómodo para a troika, complicado para o futuro governo. É que, enquanto a troika está espalhada entre Bruxelas, Frankfurt e Washington, o governo vai estar ali naquele que é um dos sítios mais feios de Lisboa, a praça Teixeira Gomes. Que se amanhem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até a estas eleições, havia ainda expectativas de uma aparência de mudança, uma aparência de sucessão, uma aparência de alternância política.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O próximo primeiro-ministro, qualquer que ele seja, vai ser apenas o representante obediente e obrigado da chanceler germânica e seus acólitos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vice-rei duma democracia fantasma, obrigado a conduzir o país para o abismo da interminável engrenagem da dívida externa e do défice. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Representante da troika, incapaz de dar um murro na mesa e dizer para toda a gente ouvir, acabou-se, custe o que custar, vamos mesmo ter que mudar de vida. Baixem os juros, pagamos quando pudermos, basta de absurdos sacrifícios, basta de austeridade, prioridade à economia e ao emprego!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro-ministro fantasma de um país fantasma de cidadãos resignados, eis o futuro, não antevejo outro cenário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Daqui a um ano, ou seja, quando tivermos mais de um milhão de desempregados e muita gente a viver na rua, não estaremos melhor do que está hoje a Grécia. Simples consolação, provavelmente não estaremos sozinhos, haverá outros pigs caminhando para a mesma via sacra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De quem é a culpa de termos chegado a este ponto? Boa questão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados, os políticos que nos têm governado e os que os têm deixado governar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados, os eleitores que têm elegido essa gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados, os sindicatos que recolhem as quotas e que de vez em quando fazem umas greves e umas manifestações que não servem para nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados, os partidos da esquerda arqueológica cuja influência social e capacidade de mobilização e de propor alternativas são nulas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Culpados, todos aqueles que se divertem a dizer mal dos políticos e da política e que confundem tudo na sua ignorância. Que saem à rua, com ar divertido mas que não fazem nada de sério e consistente para dar dignidade e sentido à política, à democracia e a uma verdadeira alternância entre aquilo que são os interesses e a hegemonia do capital financeiro e políticas empenhadas em conciliar prosperidade com modernidade, com ecologia, com solidariedade e justiça social. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, o 5 de Junho não vai mudar a indigência colectiva em que mergulhámos. Mas a história não tem fim, chega sempre um dia em que alguém descobre que é tarde demais, que já basta e decide passar à acção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;On verra bien!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-1060471650420364481?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/1060471650420364481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=1060471650420364481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1060471650420364481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/1060471650420364481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/alternancias.html' title='ALTERNÂNCIAS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-887100979421903888</id><published>2011-05-21T00:15:00.009+01:00</published><updated>2011-05-21T01:09:01.880+01:00</updated><title type='text'>UM NOVO TRATADO DE LISBOA PARA UMA EUROPA COM FUTURO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Puerta del Sol, porta do sol, em Lisboa também temos um lugar assim chamado, fica entre o Castelo e Alfama, dali vê-se o Tejo até para além do Mar da Palha. É Lisboa no seu máximo esplendor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Não muito longe desta vista que se avista das Portas do Sol de Lisboa, um pouco mais para ocidente fica o Terreiro do Paço. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo que sonho com um acampamento no Terreiro do Paço, um milhão de pessoas acampadas à volta da estátua equestre do D. José. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Parece que esse sonho está a começar a acontecer não muito longe de Lisboa, apenas a 500 quilómetros, na Puerta del Sol em Madrid. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608946406622344002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-BPjEtP1aXlI/Tdb7ChLts0I/AAAAAAAAA30/ouw2qhD9FWY/s400/Madrid_20%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Paradoxal, eu nem sequer gosto especialmente de Madrid. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 12 de Março, o povo saiu à rua, desceu, entre outros sítios, a avenida da Liberdade em Lisboa. &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608944115955533490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-iDcr29EBQhY/Tdb49LyMBrI/AAAAAAAAA3U/QrgP8Ay85ns/s400/manifgeracaorasca%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não foi apenas a chamada geração à rasca a caminhar por todo aquele espaço, estive lá, pude constatar e concluir que, de acordo com a lei dos grandes números que rege a estatística, essa caminhada pôs à vista de toda a gente que em Portugal a esmagadora maioria das pessoas que pertencem cada uma à sua geração estão todas à rasca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os mais novos, porque estão perplexos, preocupados e sentem que não têm futuro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os pais dos mais novos porque não vêem futuro para os filhos e porque têm que se sacrificar pela falta de futuro deles. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608945244668991090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 247px; CURSOR: hand; HEIGHT: 203px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-mV5fOTRmQtA/Tdb5-4kclnI/AAAAAAAAA3k/TOA9il4S9Ak/s400/247x203_189.geracao_rasca_d4e4%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Os que se aproximam dessa coisa sinistra que chamam “terceira idade” e que vivem no pavor de perder o emprego e de não terem uma reforma minimamente decente e vivível para o resto dos seus dias, seja o que for que isso queira dizer. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Os que chegaram à reforma, que dantes tinham imaginado vir a ser uma fase de alívio, de distensão, e de serenidade e confiança e que agora fazem contas e que percebem que aquilo que recebem não dá para nada. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Problema, há sempre um mas, a descida desta gente, cheia de razões para estar à rasca, pelos caminhos da liberdade, não passou dum fogacho. Houve quem pensasse, ao vê-los reunidos e comprometidos, todos juntos e mobilizados, que a sua demonstração de força iria assustar, iria chamar à responsabilidade os poderosos, os que mandam. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Pura ilusão de óptica, os poderosos continuaram na deles, quem se assustou foram os próprios manifestantes, dali não saiu nada. Parece que saiu uma sigla, não fixei bem, M12, não sei o que é que isso quer dizer. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Dali não saiu política e está tudo dito. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ó meu, queres mudar a sociedade? Faz política. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não gostas dos partidos, não gostas do sistema político, achas que os políticos são todos corruptos, estás desempregado, és precário e não tens futuro? Faz política. Não sabes como, em que partido? Inventa, discute, estuda, trabalha as tuas células cinzentas, não fiques na casa de banho a ler banda desenhada. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Passemos à frente. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Temos, então, o pessoal da Puerta del Sol. Hispânicos, castelhanos, madrilenses e de outras cidades espanholas, sobretudo malta jovem, em Espanha 40% dos jovens estão desempregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608943672960719170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 345px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-8phZv55AHBA/Tdb4jZf_mUI/AAAAAAAAA3M/AkM4AzZnz0c/s400/cartel%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Nunca percebi como é que a Espanha se tem conseguido aguentar tantos e tantos anos com taxas de desemprego próximas dos 20%. Só um economista daqueles bem engravatados conseguirá explicar essa incongruência social e política, esses economistas conseguem, eles conseguem sempre explicar tudo e mais alguma coisa porque ninguém percebe o que é que eles querem dizer e, na realidade, eles não têm nada para dizer. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Abaixo os economistas, viva a economia política, viva Karl Marx e Adam Smith. Desculpem o desabafo. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Espanha, Puerta del Sol, a coisa já dura há uma semana. Se o governo fosse popular de direita, ou seja o governo que se anuncia para depois das eleições, já tinha havido ali muito provavelmente algumas mortes, nestas coisas há sempre alguém quem mais ordena na polícia. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608943383991478562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-SbtZquj7ytg/Tdb4SlAW6SI/AAAAAAAAA3E/m94z0Fvwtrs/s400/507529413_24c582a94f%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;E havendo mais mortes, onde é que já iria o rastilho? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Rastilho, rastilho, a Europa está pendente dum rastilho. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Em que Europa é que estou a pensar? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Penso na Europa velho continente, velho continente com muito orgulho, não é sr. Rumsfeld, braço direito do sr. Bush na invasão do Iraque? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Penso na Europa com futuro e quando falo de futuro não estou a pensar em copy paste, estou a pensar em coisas novas, coisas novas com raízes em muitas coisas passadas, lutas pela justiça, pela igualdade, pela fraternidade, pela liberdade. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Vejo na televisão o acampamento juvenil da Puerta del Sol e continuo a sonhar com o acampamento no Terreiro do Paço. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Sejamos objectivos, o Terreiro do Paço, tem mais sol, tem mais Tejo, tem mais água, tem mais vista, tem barcos, já teve estaleiros que construíram os barcos que foram até à Índia, até ao Brasil, até a Malásia e ao Japão. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Penso na hipótese de uma nova Europa que ultrapasse a velha, penso nas utopias europeias de justiça para todos e sonho de novo. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A Europa, ao ponto a que chegou, precisa de novas gerações para mudar o futuro que condena as gerações à rasca. A Europa pode lá chegar, mas precisa que as novas gerações se ocupem da política, para que haja política nova. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Resumamos, entre outras coisas, a Europa política tem que se repensar, tem que fazer tábua rasa do desgraçado passsado desta última década. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A Europa política precisa dum novo tratado de Lisboa.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, jovens de toda a Europa, organizem-se, tragam as vossas mochilas, venham acampar no Terreiro do Paço.&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608949738222984914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 387px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-q9FZsIXlJPw/Tdb-EcXNHtI/AAAAAAAAA38/2vOmJ_ASL1U/s400/25abril1%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E aproveitem para mandar para o espaço os políticos que continuam a vender-se aos banqueiros do costume. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Sejam exigentes, sejam capazes de exijir o impossível, nem mais nem menos, apenas isso.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O futuro da Europa e das gerações à rasca está nas vossas mãos. Grande responsabilidade a vossa.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-887100979421903888?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/887100979421903888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=887100979421903888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/887100979421903888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/887100979421903888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/um-novo-tratado-de-lisboa-para-uma.html' title='UM NOVO TRATADO DE LISBOA PARA UMA EUROPA COM FUTURO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-BPjEtP1aXlI/Tdb7ChLts0I/AAAAAAAAA30/ouw2qhD9FWY/s72-c/Madrid_20%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6944473811191523531</id><published>2011-05-19T01:25:00.005+01:00</published><updated>2011-05-19T01:42:01.529+01:00</updated><title type='text'>CONTRA A TROIKA GERMÂNICA, NÃO PAGUEMOS!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-05-XNsBgwvE/TdRkMYIkJUI/AAAAAAAAA2s/QbVshTm9rxY/s1600/Berlin_reichstag_CP%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608217599782692162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-05-XNsBgwvE/TdRkMYIkJUI/AAAAAAAAA2s/QbVshTm9rxY/s400/Berlin_reichstag_CP%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há gente que, porque se acha mais forte do que nós, se arroga o direito de nos dar ordens. Nessas alturas, não podemos deixar de ser confrontados com a inevitável questão que é a de saber se nós, aqueles que parecem mais fracos, vão aceitar obedecer àqueles que parecem ser mais fortes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje ouvimos a chanceler Merkel exigir com ar soberano que Portugal deve diminuir o tempo de férias e aumentar a idade da reforma. Nada disto está previsto no compromisso de submissão à troika, patrocinado pela dita senhora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Trata-se dum ultimato novo imposto pela lógica do mais forte, a Alemanha, para impor a sua ditadura aos mais fracos, os países falidos, grupo a que pertencemos por imposição alheia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A reacção portuguesa a este ultimato deixou-me em estado de choque. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente com mais ou menos responsabilidades em Portugal ouviu o que a chanceler tinha para dizer como uma coisa normal. A Alemanha é mais forte, por isso, nós obedecemos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nenhum líder político ou sindical deu à frau germânica a única resposta que se impunha: ó tia Merkel meta-se na sua vida, trate lá das férias e da idade da reforma na deutschland. Aqui, estamos em Portugal, temos o Tejo, aqui não passa o Reno. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;As respostas desses “responsáveis” que ouvi na têvê são sintomáticas e sintomaticamente revoltantes. Foram todas coincidentes, à esquerda como à direita: em Portugal já se trabalha mais horas do que na Alemanha, em Portugal a idade da reforma já é mais tardia do que na Alemanha. Por isso, ó dona Merkel, reconsidere, olhe que não tem razão! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que é que tudo isto dá como adquirido? C’est três simple: Portugal tem a obrigação de dar explicações à frau Merkel, porque é ela quem manda. Ela é a mais forte, nós somos seus dependentes, ou seja, somos seus criados para todo o serviço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a este ponto de terrível submissão ao poder germânico, chegámos, pois, a este ponto que o chanceler Hitler, apesar de toda a sua máquina de guerra, nunca conseguiu atingir. De quem é a culpa? Boa questão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A frau Merkel vair emprestar dinheiro a Portugal, ou seja, vai sobretudo financiar os bancos portugueses e o pagamento das dívidas de Portugal aos bancos alemães e a outros por aí espalhados. Como garantia desse empréstimo a juros agiotas, obrigou o governo português socrático de gestão, que até ao último minuto sempre jurou a pés juntos que não era preciso pedir ajuda externa, e os partidos que a chanceler considera serem os únicos partidos de legítima oposição, a assinar um compromisso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Nesse compromisso, na sua versão original e única em inglês, que como se sabe é a língua neo-liberal e imperialista, não consta qualquer espécie de cláusula sobre a redução do tempo de férias nem sobre o aumento da idade de reforma como contrapartida de Portugal ao empréstimo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os tais partidos do “arco do poder” nunca se referiram nem a uma coisa nem a outra. Mas nunca se sabe, porque com essa gente… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que sabemos e sobre isso não restam quaisquer dúvidas, é que o compromisso com a troika está a ser assumido por esses partidos como o seu futuro programa de governo. Alguns até querem ir ainda muito mais além, fazem imenso zelo em serem mais papistas do que o papa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Fiéis servidores de sua majestade germânica, disponíveis para servir a sua augusta vontade, prontos para tudo, eis os nossos partidos do “arco do poder”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É uma triste história não apenas porque a frau Merkel, em vez de Angela, podia ser a Carla Bruni, sempre haveria algumas desculpas. &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608218061041376450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 309px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-7-FolgZPmZA/TdRknOdNHMI/AAAAAAAAA28/vZUpkVYYSpQ/s400/Johann_Sebastian_Bach%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;É uma triste história porque ela não tem fim à vista, a dívida, a submissão, as obrigações de Portugal para com a Alemanha e os seus parceiros euro-êuricos vão crescer em permanente espiral. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Não nos vamos livrar dessa engrenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve, teremos um milhão de desempregados e milhares de pessoas a estender a mão à caridade, em vãos de escada ou nos passeios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dívida e juros a acrescentar à dívida e aos juros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empresas falidas a acrescentar à interminável lista de empresas falidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente ainda acha que se vai safar ou que até vai ganhar muito dinheiro.&lt;br /&gt;Tremendo egoísmo, terríveis ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremendo egoísmo, tremendas ilusões também da Alemanha com toda a prosápia e arrogância do seu PIB de quase 5%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que quando, depois de ter concluído a renegociação já em curso da dívida da Grécia, a Alemanha tiver que aceitar a renegociação da dívida da Irlanda e de Portugal, da Espanha e da Itália, quando for confrontada com o agravamento do declínio da economia americana e da explosão da sua dívida externa, a que santos se vai agarrar a Deutschland uber alles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos países nórdicos fechados no egoísmo do seu aparente sucesso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos ingleses, provavelmente mais perto da falência do que a Espanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem, Frau Merkel? A que é que se vai agarrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos chineses, a Singapura, ao Japão, à Austrália, ao Canadá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde é que vai exportar as maravilhas da deutsche technologie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é como a vida, há os momentos bons, há os momentos maus, hoje estamos lá em cima, uma semana depois descemos cá para baixo. A vida é cruel, Frau Merkel, não se fie demasiado, pode acontecer que a força da sua ditadura se torne uma tremenda fraqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu país, poderá acontecer um sobressalto social-democrata, já houve outros no passado. Poderá também nascer uma nova paisagem política mais verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos países do sul da Europa onde muita gente está a ser acossada e condenada à miséria e à humilhação, poderá haver um sobressalto cívico e político, movimentos fortes na luta pela equidade e pela justiça, movimentos que exijam taxas de juros de zero por cento e prazos mais prolongados em alternativa a não se pagarem as dívidas aos banqueiros alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dimensão inimaginável, como até há pouco tempo eram inimagináveis os movimentos sociais da Tunísia e da praça Trahir, uma espécie de rastilho de pólvora de solidariedade que se pode propagar entre os povos do sul da Europa contra a ditadura do norte e a incompetência e submissão dos seus governantes. Tudo pode acontecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hosni Mubarak, Ben Ali estavam seguros no conforto dos seus palácios e das suas contas na Suiça. Estavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Europa do Sul, na Europa dos fracos face ao poder do norte europeu e germânico, as exigências de justiça e de dignidade, a vontade de um ajuste de contas vão crescer. Esperemos que sem nacionalismos e outros ismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajustes de contas moduláveis em diferentes versões. As mais pacíficas vão do pagamos o que pudermos e quando pudermos até ao não pagamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A engrenagem em que os países fortes fecharam os países fracos não tem outra saída. Senhores banqueiros, senhores socráticos, frau Merkel, pensem nisso.&lt;br /&gt;Quanto à união europeia, no meio de tudo isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608217863455040306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-3zYXUpGHSx4/TdRkbuY84zI/AAAAAAAAA20/4oH6XktNeac/s400/getimage%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Na história como na vida nunca nada está escrito com antecedência de forma irrefutável. Sejamos, por isso, modestos nas nossas expectativas, sejamos realistas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Para sobreviver, para ser a união de qualquer coisa, a Europa deve manter os pés assentes na terra, deve começar por mandar para casa a interminável casta de burocratas bruxelloise que tem devotamente servido os interesses da ditadura que tudo fez para impor à Europa, em nome dos mais fortes, uma utópica união política sem futuro. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Fiquem-se pela livre circulação de mercadorias e de pessoas. Se o conseguirem, já é um grande avanço. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608217355511334850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 363px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-46jbRe1yYKE/TdRj-KJvB8I/AAAAAAAAA2k/j9zi7k_lo3E/s400/Beethoven%2525209%255B1%255D.gif" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Deixem a Europa sossegada nas suas diferenças, nas suas afinidades e contradições culturais, na sua solidariedade na defesa dos direitos humanos, do trabalho e da ecologia e da boa convivência entre vizinhos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não compliquem, deixem-nos viver a nossa vida em paz. Não nos chateiem! &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6944473811191523531?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6944473811191523531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6944473811191523531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6944473811191523531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6944473811191523531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/contra-troika-germanica-nao-paguemos.html' title='CONTRA A TROIKA GERMÂNICA, NÃO PAGUEMOS!'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-05-XNsBgwvE/TdRkMYIkJUI/AAAAAAAAA2s/QbVshTm9rxY/s72-c/Berlin_reichstag_CP%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2179749078334042202</id><published>2011-05-17T00:09:00.004+01:00</published><updated>2011-05-17T00:17:14.648+01:00</updated><title type='text'>DSK, TROFÉU DE CAÇA DO SISTEMA AMERICANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q1TWnujVDRg/TdGu-0BgDUI/AAAAAAAAA2M/fEydicD3Dew/s1600/634AB1CE99A05A7B4EC42CBB95D688%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607455405193039170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 269px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q1TWnujVDRg/TdGu-0BgDUI/AAAAAAAAA2M/fEydicD3Dew/s400/634AB1CE99A05A7B4EC42CBB95D688%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Plus dure sera la chute, é um velho provérbio francês. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Dominique Strauss-Kahn, de quem já aqui falei, teve demasiados sucessos, é um político demasiado brilhante, demasiadas invejas, demasiados inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez demasiado vulnerável por gostar demasiado de mulheres. Mulherengo, o que para muita gente é um insulto que desqualifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o puritanismo politicamente correcto que domina os USA, mulherengo é sinónimo de pedófilo. Extermine-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DSK não era apenas a esperança da esquerda francesa. A sua mais que provável vitória nas eleições presidenciais francesas do próximo ano ameaçava ser uma espécie de tsunami varrendo o pântano germânico que acolhe as direitas e os interesses que dominam e exploram a Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sair desse fundamentalismo capitalista, a Europa precisa duma esquerda ousada, realista e inteligente. DSK estava naturalmente indicado para essa missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plus dure sera la chute…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os americanos, os seus procuradores de justiça, a sua polícia, a sua imprensa, a sua televisão souberam interpretar à letra o provérbio francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607455663080429746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-sQxKF-ZLNe4/TdGvN0upWLI/AAAAAAAAA2c/aBFW7USDBkI/s400/15992746%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;As imagens que vi hoje na televisão não são a imagem de DSK. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;São a imagem da América, são a imagem dum país racista, anti-europeu, dum país puritano, incapaz de ultrapassar os seus velhos complexos de país recente com pouca histórica e com pouco património próprio, um país crescentemente proto-fascista e tremendamente perigoso. &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi imagens dum político americano ser mostrado às câmaras de televisão após uma noite de interrogatórios, algemado como se fosse um terrorista que acabou de matar centenas de pessoas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Vi o que vi e que toda a gente pôde ver, vi um político francês que tem sido apontado como o futuro presidente da república de França, que é presidente da principal instituição financeira internacional, sedeada na capital americana, vi este político europeu ser guilhotinado em público por funcionários americanos orgulhosos do seu papel. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;O que essas imagens nos dizem é que este francês e europeu, por não ser americano, tinha demasiado poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo isto acresce que, além de francês, o homem é judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo somado, tinha que ser humilhado e destruído à vista de toda gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades americanas não precisaram de recorrer à força especial dos SEAL que mataram o Bin Laden. Foi muito mais cobarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta cena de extermínio, entraram em acção, em alegre sintonia, a América de Guantánamo, a América de Wounded Knee e a América fascista do Klu Klux Klan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São séculos de civilização o que separa estas imagens da televisão americana da justiça praticada na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DSK é culpado? Eis a pergunta que compete à justiça elucidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para julgar DSK, a justiça americana não precisou de debate instrutório, nem de julgamento. Já decidiu, o homem é culpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentença foi lavrada pela televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tout ça me rapelle l’afaire Dreyfus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, nada disto vai ficar por aqui, espero, confio na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus nos livre da América!&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607455543096630610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-DFvErj1vnnU/TdGvG1wR3VI/AAAAAAAAA2U/lUIrqTzxUq4/s400/778472-strauss-kahn%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2179749078334042202?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2179749078334042202/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2179749078334042202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2179749078334042202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2179749078334042202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/dsk-trofeu-de-caca-do-sistema-americano.html' title='DSK, TROFÉU DE CAÇA DO SISTEMA AMERICANO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Q1TWnujVDRg/TdGu-0BgDUI/AAAAAAAAA2M/fEydicD3Dew/s72-c/634AB1CE99A05A7B4EC42CBB95D688%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2687189665116805520</id><published>2011-05-16T01:13:00.005+01:00</published><updated>2011-05-16T01:40:22.965+01:00</updated><title type='text'>COLAPSOS ANUNCIADOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EiyhTtyW-e4/TdBuUUrvD3I/AAAAAAAAA10/rpghxESDGiE/s1600/Salgueiro-Maia-na-Rua-do-Arsenal%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607102831504854898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 225px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-EiyhTtyW-e4/TdBuUUrvD3I/AAAAAAAAA10/rpghxESDGiE/s400/Salgueiro-Maia-na-Rua-do-Arsenal%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nestas últimas semanas, ficámos a saber como vão ser os discursos políticos na próxima campanha eleitoral. Não pressagiam grandes esperanças.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na frente periférico-ocidental europeia onde nos situamos não se anuncia nada de novo. É que os discursos que temos ouvido apenas denunciam a mediocridade do pessoal político que representa o povo e pensa e governa o país.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O PSD, que muda de retórica cada vez que muda de líder, converteu-se de vez ao neo-liberalismo internacional e, convencido que descobriu a pólvora, defende políticas mais radicais do que as que nos são impostas pelos senhores da troika.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais redução de impostos para o capital, mais impostos para o povo, mais privatizações pelo preço da uva mijona. Mais coisa, menos coisa, é esse o programa do sr. Catroga e do seu comanditário Passos. Esta gente faz-me pensar naquelas antigas seitas católicas cujo zelo apostólico as obrigava a ser mais papistas do que o papa e a santa inquisição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos noutro quadrante e sob pano de fundo duma certa impotência e desmobilização, o discurso dos anti-capitalistas nostálgicos da criminosa utopia soviética, o PCP e o BE, cujos programas muito sinteticamente apostam na renegociação da dívida. Pouco mais do que isto, falta de imaginação?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O CDS fez algum caminho e muito provavelmente vai-se tornar o árbitro do pós-5 de Junho.&lt;br /&gt;Tem uma nova geração de quadros e de protagonistas, gente nova, boas cabeças, há que reconhecê-lo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Programaticamente falando, centrou-se em torno duma perspectiva democrata-cristã com preocupações sociais, anti-luta de classes e pela harmonia e convergência de interesses entre patrões honestos e trabalhadores que se esforçam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo muito bonito…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quer castigar as fraudes fiscais, mas não se pronuncia sobre as fraudes, os abusos e os privilégios do sistema bancário e dos grandes grupos capitalistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Defende a agricultura mas não apresenta um modelo ou soluções para o desenvolvimento económico contra a desertificação de dois terços do país e o abandono dos campos. Não diz nada sobre a entrega das terras a quem as quer cultivar nem quanto às culturas intensivas que destroem o território e o que resta da sociedade rural do Alentejo, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também é omisso sobre alternativas de desenvolvimento industrial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No terreno rural como no industrial, aliás, estes neo-centristas convergem bastante com as preocupações do PCP, mas nenhum desses partidos apresenta alternativas novas. Ora, é de alternativas que a gente precisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas sejamos honestos: no deserto poluído de ideias que se anuncia, o CDS, não sei se é por ter sido o último a apresentar o seu programa, foi de todos os partidos aquele que apresentou propostas mais dignas de reflexão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao programa socrático-socialista, trata-se de um pseudo-programa, é um discurso de silêncios desonestos, um discurso de aldrabões. Isso não nos admira, já os conhecemos de ginjeira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tema único do socialismo que nos tem explorado e trazido à desgraça: a grande infâmia da oposição parlamentar que chumbou o PEC 4 e fez cair o governo socialista. Reclamando-se vítimas inocentes injustamente traídas, eis os socialistas portugueses neste ano da desgraça de 2011.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fado socialista oficial é o fado camiliano “Maria, não me mates que sou a tua mãe”.&lt;br /&gt;Como é um povo fadista, Portugal saberá certamente recompensar essa gente, e, em vez de os meter na cadeia, vai quase certamente levá-los em ombros para S. Bento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos três partidos que concorrem entre si com vista à distribuição de jobs pelos seus apaniguados durante os próximos quatro anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos um país na falência. Teremos muita gente provavelmente a morrer à fome ou simplesmente por inanição, ou por ruptura mental.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos um país, que deixou de ser capaz de se sustentar, capaz de ter vida própria e de decidir o seu destino. Um país que depende, semana após semana, da “ajuda” externa, da “ajuda” do FMI e dos parceiros da união europeia para pagar salários, compromissos e dívida externa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um país dependente da agiotagem dos “parceiros” e “amigos” da união europeia, os quais nos emprestam dinheiro à taxa de quase 6%. Dinheiro que, sublinhe-se, lhes foi emprestado pelos bancos alemães à taxa de 2,5%. Uns amigalhaços.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Renegociar a dívida? Convençamos os irlandeses e os gregos, talvez juntos se consiga qualquer coisa. Não é coisa pouca. É que a relação de forças é-nos muito desfavorável, pensemos nisso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somos o único país em recessão no mundo, consolemo-nos, na quarta-feira teremos duas equipas portuguesas numa final europeia de futebol. Fado, Fátima, Futebol, onde é que eu já ouvi isto? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que ganharmos nos próximos anos vai ser para pagar juros. Uma engrenagem diabólica, estamos nas mãos deles, banqueiros, CEE, BCE, FMI, Angela Merkel, populistas-fascistas europeus and so on.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos nas mãos de toda essa gente. A não ser, a não ser que a política do próximo governo de Portugal consiga pôr em prática uma estratégia para afrontar os jogos bolsísticos dos banqueiros e as pulsões neo-fascistas europeias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, no jogo político que se trava actualmente com vista às eleições, não vejo nenhum partido que defenda um programa com uma prioridade destas, uma prioridade verdadeiramente estratégica, cujas armas estejam apontadas contra um alvo vital a atingir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, esse alvo, o alvo da nossa luta política tem que ser a ditadura da união europeia e do euro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sejamos claros, a união europeia destruiu a nossa capacidade para produzir os recursos alimentares de que necessitamos, destruiu o nosso aparelho produtivo, fez de nós um país consumista viciado no crédito fácil, um país vivendo acima das suas possibilidades, um país novo-rico e imprudente. Um país mais injusto e desigual. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ficámos nas mãos da união europeia agiota, que nos leva os anéis e os dedos. Somos súbditos, servos, criados e eternos devedores dos países ricos da europa. Somos como aqueles portugueses que dantes emigravam para o Brasil e que ficavam para o resto da vida escravos das dívidas que tinham que pagar aos fazendeiros que os empregavam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Algum desses partidos que se vão apresentar ao sufrágio dos eleitores pensou numa prioridade estratégica quanto à nossa relação com os governos europeus que nos “ajudam”? Algum, por exemplo, decidiu que tem que se negociar os juros da “ajuda”? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Grécia, Irlanda, Portugal, dívida externa, dívidas soberanas, maus governos, democracias incompletas, povos politicamente analfabetos, há um pouco de tudo isto do lado das vítimas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E do lado dos carrascos? Ganância, abusos de poder, racismo, capitalismo selvagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio de tudo isto, onde é que paira a utopia da união europeia, comunidade de países iguais e solidários?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio de tudo, isso, o que é que estamos a fazer no euro?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1975, Portugal teve a honra de concluir o ciclo da perigosa utopia da revolução socialista europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez estejamos fadados para outras proezas de fim de ciclo histórico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelo caminho que tudo isto leva, não me admirava que em 2013, mais ano menos ano, se consumasse o colapso da união europeia e do euro que conhecemos.&lt;br /&gt;Será um acontecimento histórico da mais relevante importância, claro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acontecimento com a marca made in Portugal, teremos ao menos essa consolação.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;2013&lt;/em&gt;, pode ser o título dum romance estilo Georges Orwell, sobre o princípio do fim da união europeia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Débâcle europeia, começando com o inevitável colapso financeiro e social de Portugal, falência filha da recessão e do milhão de desempregados que aí vêm, vítima da dívida externa e dos juros galopantes e astronómicos cobrados pelos “amigos” da onça europeus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607102679176914130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 346px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-YPj4lODJWEA/TdBuLdN7JNI/AAAAAAAAA1s/tE3FXbx0AxY/s400/salgueiro-maia%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Portugal e a Europa no seu melhor. Wake up!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2687189665116805520?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2687189665116805520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2687189665116805520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2687189665116805520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2687189665116805520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/colapsos-anunciados.html' title='COLAPSOS ANUNCIADOS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EiyhTtyW-e4/TdBuUUrvD3I/AAAAAAAAA10/rpghxESDGiE/s72-c/Salgueiro-Maia-na-Rua-do-Arsenal%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-5305238438631829239</id><published>2011-05-05T23:16:00.008+01:00</published><updated>2011-05-05T23:53:51.780+01:00</updated><title type='text'>VÍTIMAS E CARRASCOS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rp6lE1el7_I/TcMlC0quJTI/AAAAAAAAA08/hT25rPEhq3g/s1600/7472825_OFfqs%255B1%255D.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603363091806823730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 155px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-rp6lE1el7_I/TcMlC0quJTI/AAAAAAAAA08/hT25rPEhq3g/s400/7472825_OFfqs%255B1%255D.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tudo isto acaba por ser muito deprimente, quando me refiro a isto, refiro-me ao que aconteceu hoje neste dia 5 de Maio de 2011. Dia em que a troika internacional veio apresentar o seu ultimato ao decadente e triste país que é o nosso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas consideremos outras hipóteses, talvez haja aqui aspectos positivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos no auge da crise, à beira da bancarrota, mas temos a “ajuda” internacional. Vem aí muito dinheiro, 78 mil milhões, é muita massa. 12 mil milhões são para os bancos, já estamos habituados. Os bancos são sempre, seja qual for a situação, os reis dos animais, na selva são eles quem mais ordenha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603363290699942946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-BlY5a0u7WzE/TcMlOZmiTCI/AAAAAAAAA1E/IzBCbnV2XOQ/s400/a1%255B2%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Perante o ultimato da troika, há quem conclua, finalmente, Portugal vai começar a ser governado, vai haver estratégia, vai haver objectivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603363608516125570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 399px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-e7d4ACfPnrU/TcMlg5j0Y4I/AAAAAAAAA1M/W8x2T-H533Q/s400/dominiquestrauss-kahnfmijean-claudetrichetbce1not110%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Implicitamente isto quer dizer o quê? Quer dizer que antes do 5 de Maio nada disso existia, não havia estratégia, não havia governo, só havia gente a aproveitar-se do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta grande Ideia segundo a qual finalmente Portugal vai começar a ser governado é transmitida pelos especialistas encartados que se agitam na comunicação social.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é mais curioso é que a grande Ideia também é apoiada pelos dois “principais partidos”, considerados como o “arco da governação” porque são eles que, desde há 35 anos têm mandado nos governos que conduziram o país a esta situação de falência nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603364317722844018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 304px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4Oyag-9RTr8/TcMmKLj4G3I/AAAAAAAAA1U/xaz6A4eAs8I/s400/xinsrc_3721004200634078139657%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, governos cujos resultados são mais ou menos idênticos aos da monarquia constitucional em 1892. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta grande Ideia hoje largamente difundida pela comunicação social parece também ser, não percebi muito bem porquê, apoiada pelo terceiro partido do tal respeitável arco, o CDS/PP.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os sacrificados, as vítimas do costume vão sofrer muito, tudo isso é confirmado pelos seus carrascos, os altos participantes nacionais ou estrangeiros no golpe de estado que foi hoje concretizado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Exemplos rápidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos dois anos a recessão vai ser de 4%. Querem melhor exemplo das desgraças que essa gente nos promete?&lt;br /&gt;Muito menos riqueza produzida, muito mais falências, muito mais pobreza, muito mais desemprego. Esta é a síntese possível em poucas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603365899866082066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-HQ_jEOcD-wc/TcMnmRgOCxI/AAAAAAAAA1k/IVchd5ucMSY/s400/representantes-europeus-e-do-fmi-vao-a-portugal-di-422%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o ministro das finanças que hoje misteriosamente reapareceu, em 2013 a taxa de desemprego vai atingir os 13%. O ministro teve a lata, teve o descaramento, teve a arrogância de pronunciar este número en passant, sem especial ênfase, sem mostrar qualquer sinal de preocupação, para ele é apenas mais um número, disse-o assim como quem diz, olha amanhã vou à ópera, vou ao S.Carlos ver a &lt;em&gt;Madame Butterfly&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ministro que ressuscitou ao fim de três semanas de silêncios e de rumores de kidnaping político.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tinha-se feito ver na televisão há dois ou três dias, já não me lembro exactamente, ao lado do Sócrates, primeiro-ministro que, apesar de o seu governo ser apenas de gestão, não resistiu a vestir o seu habitual papel de político de sucesso sempre sorridente a despachar balelas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Teixeira ministro entrou nessa fotografia com cara de enterro, tive a sensação de que alguém lhe terá apontado uma pistola ou vens ou estás feito. E ele lá apareceu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, 5 de Maio de 2011, dia particularmente triste e deprimente da história de Portugal, o homem, o ministro parecem ter ressuscitado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se lá, será um reality show ou uma história de suspense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dará talvez para se fazer um filme noir, que é um género que prezo muito e que anda desaparecido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ressuscitado ministro apareceu em conferência de imprensa, deu entrevistas, sempre a insistir nas más notícias com o ar natural de quem não é atingido pelas terríveis novidades e de quem não tem nada a ver nem com as origens nem com as consequências da intervenção estrangeira e das desgraças que ela vai provocar entre os mais fracos, entre as pessoas e as famílias com menores recursos, com menores qualificações, mais velhos, and so on.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste dia de 5 de Maio de 2011, que provavelmente a história recordará no futuro como dia particularmente nefasto, o pormenor mais interessante, o facto mais forte que talvez explique a ressurreição do ministro Teixeira dos Santos é que neste dia nefasto nem sombra do Sócrates. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem desapareceu, fez-se substituir pelo seu desaparecido ministro. Terá passado à clandestinidade?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não acredito, esse tipo não tem estofo para passar à clandestinidade, essa é uma passagem demasiado grave que exige predicados morais que estão muito para além das suas capacidades. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, trata-se apenas dum fait divers de pura cobardia política que o Sócrates justificará para si próprio em nome da eficácia política do marketing para ganhar as próximas eleições.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resolveu desaparecer hoje porque, se aparecesse, os eleitores seriam tentados a identificá-lo e a apontá-lo como o principal responsável da tragédia em que o país mergulhou. Obviamente, isso não lhe interessa, assim sendo, resolveu fazer de morto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Reaparecerá sorridente amanhã, com aquela tremenda confiança de quem acredita que o povo não tem grande cabeça, o povo tem a memória curta, as pessoas agora estão mais preocupadas em sobreviver. Mas não guardam rancor, é o que lhe dirão os seus conselheiros em marketing político.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este tipo, José Pinto qualquer coisa Sócrates, que ainda ocupa as funções de primeiro-ministro, este chico-esperto como lhe chamou o comentador Marcelo, este diplomado fabricado num domingo ao fim duma tarde, este promotor de centros comerciais em zonas ecologicamente protegidas e desenhador de maisons, esse tipo, dizia eu, continua plenamente activo e prepara-se para continuar a praticar mais malfeitorias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não passou à clandestinidade, mas alguém terá que o obrigar a regressar ao anonimato que merece. Questão de sobrevivência nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos eleitores, porém, continuarão a acreditar no personagem. São conhecidas tantas histórias de crentes e charlatães. Em geral todas costumam acabar mal. Mas o povo é sereno, já dizia o Pinheiro de Azevedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5603365412006727634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 252px; CURSOR: hand; HEIGHT: 189px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-eItjgXH2cgs/TcMnJ4FfD9I/AAAAAAAAA1c/UTo6T9v__FE/s400/imagems%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;No dia 5 de Junho se saberá que país é que temos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-5305238438631829239?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/5305238438631829239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=5305238438631829239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5305238438631829239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5305238438631829239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/vitimas-e-carrascos.html' title='VÍTIMAS E CARRASCOS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-rp6lE1el7_I/TcMlC0quJTI/AAAAAAAAA08/hT25rPEhq3g/s72-c/7472825_OFfqs%255B1%255D.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-6569866171926375968</id><published>2011-05-02T23:14:00.009+01:00</published><updated>2011-05-02T23:51:23.626+01:00</updated><title type='text'>BIN LADEN E A SUA MORTE PÓSTUMA</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eL5kR8wyyQk/Tb8wocqxiiI/AAAAAAAAA0k/ZyK58A7kRnY/s1600/osama%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602249932920687138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 370px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-eL5kR8wyyQk/Tb8wocqxiiI/AAAAAAAAA0k/ZyK58A7kRnY/s400/osama%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A cerimónia fúnebre em alto mar, segundo ritos muçulmanos adaptados pela special force da CIA às conveniências estratégias americanas, terá acontecido ao largo do Paquistão. Essa é a versão oficial para consumo popular.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A partir da plataforma dum porta-aviões, o Bin Laden foi enviado borda fora, acompanhado dum contra-peso qualquer. Autrement, sem o dito acompanhamento, pela força da lei de Arquimedes, o corpo começaria a flutuar e a ganhar gosto à viagem marítima vogando como um surfista louco, sabe-se lá, direito ao golfo de Aden.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira verdade da história desta cerimónia fúnebre marítima é que ela ficará sepultada por muitos e muitos anos não no fundo do mar mas nos arquivos da CIA.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela minha parte, sinceramente, ò Bin Laden, digo-te com toda a sinceridade, tu cá tu lá, quem com ferros mata com ferros morre, e tu és um bom exemplo da justiça desse refrão popular. Paz à tua alma, falo de alma mas é apenas uma maneira de falar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Digamos, então, paz à tua alma, mas guerra aos fanáticos assassinos, e não és o primeiro nem serás o último, que vêm a este mundo para matar e torturar vítimas que, por definição, são inocentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As televisões do planeta ficaram histéricas com a notícia e, apesar dos poucos pormenores quanto ao ataque à vivenda paquistanesa onde pernoitava o líder saudita, deram à notícia mais de uma hora de horário nobre, até o FMI foi parar às sínteses do dia nos alinhamentos das estações indígenas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os telejornais são uma fonte inesgotável que nos confirma a toda a hora as conveniências das limitações da inteligência humana. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602250211918144946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RfF5Przwh_8/Tb8w4sA85bI/AAAAAAAAA0s/S4Q3AsD3-_s/s400/women_in_afghanistan%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos direito a opiniões de ministros e comentadores e a reacções mais ou menos autorizadas. Foram recordadas as matanças da Al Kaeda e colocaram-se algumas questões quanto ao terrorismo “transnacional” e ao seu futuro, agora que o líder islamita afundou no mar alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se do seu provável sucessor, perguntou-se o que é que vai acontecer com a Al Kaeda, vai haver mais atentados, mais terrorismo, mais terroristas, mais vítimas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A inteligência mediática é limitada, é lenta, resta saber se tudo isso é por falta de inteligência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que ninguém se dá à coragem de explicar sem papas na língua o que é isso da Al Kaeda e quais as origens do extremismo muçulmano, ninguém se dá ao trabalho de nos dizer de onde é que isso vem. Tudo boa gente que adora o obviamente correcto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602249489335808610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-0U9O0Nye7F8/Tb8wOoL5cmI/AAAAAAAAA0U/efp6YEBlwY0/s400/10816%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A genealogia desses extremismos é muito antiga, mas não vamos falar das cruzadas.&lt;br /&gt;Falemos de coisas mais recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bin-Laden foi apoiado pelos USA nos seus tempos de aprendiz de taliban na guerra do Afeganistão contra os soviéticos. Defendia então os interesses dos ditos USA, objectivamente é disso que se tratava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como o Saddam Hussein quando fazia a guerra ao Irão com armas enviadas pelos USA. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602249646193071730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 341px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-mFWDlawdEEk/Tb8wXwhlVnI/AAAAAAAAA0c/PU7RcKFRKCs/s400/ahmadinejad%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como os reis da Arábia Saudita, onde o sr. Bin Laden nasceu em berço de ouro, que sempre defenderam o tio Sam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A genealogia dos extremismos al-kaédicos nasce e cresce com o poder de todos os regimes árabes cujos potentados têm vivido na opulência dos petro-dólares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vem desses regimes despóticos criados e apoiados pelos americanos e seus aliados israelitas e ocidentais, regimes-vampiros que se têm alimentado da miséria, da humilhação e da opressão de gerações e gerações de árabes, egípcios, tunisinos, sírios, palestinianos, yemenitas, marroquinos, mauritanos, afegãos, paquistaneses, líbios, and so on.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602249341340812930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-YAnsBBVNE68/Tb8wGA3JBoI/AAAAAAAAA0M/UszxYP5nynQ/s400/bushtrip4%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não é exagero afirmar, e meço bem as palavras, a Al-Kaeda é uma criação dos USA, dos regimes árabes seus protegidos e dos seus aliados israelitas e ocidentais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E acrescento, a morte do Bin Laden não passa duma morte póstuma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602253215840076786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-C6qogNGucjc/Tb8znifwA_I/AAAAAAAAA00/weOflKHySOY/s400/04_MHG_mun_pra%2525C3%2525A7a_cairo_sexta%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que o anúncio da morte da Al-Kaeda já começou há alguns meses, nas ruas de Tunis e na praça Trahir do Cairo e essa morte vai prosseguir por entre as fronteiras pós-coloniais e os destroços dos regimes autocráticos da Síria, da Líbia, do Sudão, do Yémen and so on.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quando a Al Kaeda estiver definitivamente morta e enterrada, os povos e as democracias árabes não se darão ao trabalho de organizar cerimónias fúnebres no alto mar para os Kadhafi, os Bashar Al-Assad, os Ben Ali,os Ahmadinejad, os Karzai, os Hosni Mubarak, os Ali Abdalah Saleh, os Omar Hassan al-Bashir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602249005724745010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 375px; CURSOR: hand; HEIGHT: 375px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-AWpDYgkpfWc/Tb8vyemCPTI/AAAAAAAAA0E/lPqhOoWflS8/s400/092206karzai%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A CIA e os americanos poderão então ir pregar para outra freguesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-6569866171926375968?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/6569866171926375968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=6569866171926375968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6569866171926375968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/6569866171926375968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/05/bin-laden-e-sua-morte-postuma.html' title='BIN LADEN E A SUA MORTE PÓSTUMA'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-eL5kR8wyyQk/Tb8wocqxiiI/AAAAAAAAA0k/ZyK58A7kRnY/s72-c/osama%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-2093482645556335027</id><published>2011-04-28T23:43:00.004+01:00</published><updated>2011-04-28T23:52:58.995+01:00</updated><title type='text'>CASO ARRUMADO?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não sou especialista de fados, mas tenho as minhas preferências. Na minha modesta opinião de amador de fados &lt;em&gt;Foi na Tavessa da Palha&lt;/em&gt; cantado por Lucília do Carmo é o fado dos fados e Lucília do Carmo a fadista das fadistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600769880534155682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 339px; CURSOR: hand; HEIGHT: 336px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-oW8uD4Smnu8/TbnuiD3yAaI/AAAAAAAAAz8/cQz_OT3n4ug/s400/lucilia_do_carmo_biografias_do_fado%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O filho dela, aliás, que se considera o Sinatra português e que se diz fadista, devia por os olhos na mãe. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este fado cantado pela grande Lucília inspirou Ana Moura que gravou há pouco tempo uma nova versão chamada &lt;em&gt;Caso Arrumado&lt;/em&gt;. A letra e a música são diferentes, mas o fado é o mesmo e o resultado é de grande qualidade. Apesar de não imitar o original, consegue manter-se fiel ao espírito da versão original. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É uma versão actualizada, mas principalmente é um fado que faz muito sentido porque canta o caso arrumado que é o fado deste país. Um fado cruzado com muitos personagens, mas com uma teia relativamente simples. Uma teia de interesses, de ambições, de mediocridades, de leviandades criminosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600769720931900882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-qDVfkVN8lYM/TbnuYxTo3dI/AAAAAAAAAz0/dTMEqdC1fzE/s400/AnaMoura_CDCover%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado do Sócrates e do Passos, ora dizes tu, ora digo eu, o meu é maior do que o teu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado do Teixeira dos Santos que quando os juros da dívida soberana chegaram aos 7%, se fosse um político coerente e um homem de coragem, se deveria ter demitido e, como não o fez, foi apodrecendo e com ele o país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado do mesmo Teixeira dos Santos, personagem quase digno de comiseração, que ficou a chorar no seu canto porque não foi convidado pelo Sócrates para ser deputado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado deste país em que se diz que está a haver uma negociação sobre como sair da bancarrota, negociação em que não se sabe quem é que está a representar Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Governo não é certamente, pois é notório que quer o primeiro-ministro, quer o seu ministro das finanças estão refugiados em parte incerta e se preparam para “aos costumes” dizerem nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;E se preparam para continuarem ausentes quando chegar a hora de assinar e assumir os compromissos do Estado português.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado dos casos arrumados do Cavaco, do Soares, do Eanes e do Sampaio, quatro presidentes/ex-presidentes, cuja confraria se juntou em show off no 25 de Abril. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado da falta de memória destes altos dirigentes quanto às responsabilidades de cada um nestes últimos 35 anos de derivas e de fantasias neo-liberais europeístas e pró-americanas sem perdão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado dos programas dos “principais partidos”, o do PS agora anunciado com todas as fanfarras e que não dá para rir porque tudo o que o PS tenha para dizer já foi longe demais e não merece qualquer crédito e o programa do PSD, que tarda, porque este dito “principal partido” não se entende sobre como é que pretende aplicar, se alguém lhe abrir a porta há muito ansiada do poder, as receitas mais fundamentalistas da sua &lt;em&gt;intelligenzia&lt;/em&gt; neo-liberal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fado do &lt;em&gt;governo patriótico e de esquerda&lt;/em&gt; do PCP, velha e inenarrável fantasia, tão velha, repetida e sem futuro como aquele sonho da revolução democrática visionado em 1964 por Álvaro Cunhal no &lt;em&gt;Rumo à Vitória&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um fado, que é o nosso, de todos nós, em que se misturam todos os personagens desta tragi-comédia política onde se acirram ciúmes e ódios, cupidez e falta de escrúpulos, fantasias e vaidades, ambição de poder e de mando e ódio do outro, ódio do inimigo que concorre para o mesmo emprego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parece um fado ligeiro, uma comédia, mas acabará certamente em tragédia de faca e alguidar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entretanto, enquanto os dias vão passando, depois do fado cantado, voltamos todos para casa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Só no dia seguinte é que vamos descobrir que, afinal, o caso não ficou verdadeiramente arrumado. Nem ficará tão cedo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-2093482645556335027?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/2093482645556335027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=2093482645556335027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2093482645556335027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/2093482645556335027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/04/caso-arrumado.html' title='CASO ARRUMADO?'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-oW8uD4Smnu8/TbnuiD3yAaI/AAAAAAAAAz8/cQz_OT3n4ug/s72-c/lucilia_do_carmo_biografias_do_fado%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-5710616081774254419</id><published>2011-04-20T23:20:00.006+01:00</published><updated>2011-04-20T23:54:02.117+01:00</updated><title type='text'>SINAIS DE UM PAÍS EM RUÍNAS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nos últimos dias, o Palácio de S. Bento e o Palácio de Belém desapareceram dos ecrãs da televisão. Finalmente, eis uma boa notícia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como neste momento não se passa naqueles palácios nada de singular, a máquina mediática indígena emigrou para outros sítios da capital. As atenções voltaram-se agora para o Terreiro do Paço. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É um regresso que não deixa de ser curioso porque acontece exactamente quando o dito terreiro deixou teoricamente de ser centro de poder e se está a transformar num haut lieu do consumo turístico de qualidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597799229865612434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-FYIedat2pRE/Ta9gvbwYVJI/AAAAAAAAAzs/fBGxADs9pi4/s400/terreiro_do_paco%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos, então, ao histórico Paço e à sua praça, a este sítio onde durante séculos se pavonearam muitas e muitas gerações e dinastias de senhores que mandavam as suas ordens para todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No novo ciclo histórico cheio de incertezas que estamos a inaugurar, graças aos troiko-emissários da potência ocupante que veio certificar a falência do regime neo-liberal PS/PSD, está de volta o brilho da grande praça do poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui há tempos acamparam nesse sítio os polícias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora, a ordem de acampar foi dada aos profissionais mediáticos encarregados de recolher as opiniões dos porta-vozes dos sindicatos e dos patrões que, após uma hora ou meia-hora de conversa lá dentro, se apresentam perante as câmaras com o ar sério de quem solenemente representa os seus representados e que foram ali chamados para uma suposta negociação com a dita potência ocupante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Principal vantagem da mudança para este novo sítio mediáticos. Hoje, tanto quanto a minha memória alcança, o sr. Sócrates, pela primeira vez, não apareceu nos telejornais. Registe-se a data, 19 de Abril de 2011. Afinal, talvez isto de haver uma potência ocupante não seja assim tão mau.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, quando olho os telejornais, o que eu gostaria de ouvir é o que os representantes da potência ocupante têm para nos dizer. Na minha opinião, como essa gente vem de fora e é gente informada, é natural que sejam mais objectivos e certeiros nas suas opiniões, e haveria toda a vantagem em conhecer as suas opiniões e conclusões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas estes emissários não falam, eles são apenas emissários, quem vai falar no fim disto tudo vão ser a sra. Merkel e o sr. Staruss-Kahn, eles é que mandam. Mas, entre estes dois políticos, o problema vai ser como é que eles vão conseguir pôr-se de acordo sobre o que é vão dizer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que o futuro destes dois personagens está em rota de colisão e de divergência. A Merkel está em curva descendente em relação à Chanceleria e ao Bundestag, o Kahn lá vai subindo rumo ao Eliseu francês. Uma é de direita, o outro é suposto ser de esquerda, têm estratégias e rumos diferentes e quanto a todas essas diferenças ainda não é altura para as abordar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, fico reduzido a tentar adivinhar algumas das opiniões dos tais intermediários, deduzindo, para isso, algumas coisas daquilo que os representantes patronais portugueses às supostas negociações conseguem dizer perante as ansiosas câmaras televisivas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Confesso, é muito deprimente ouvir esta gente, faço a minha própria avaliação se bem que não seja psicólogo com baterias de testes à minha disposição, é mais uma impressão subjectiva minha, essa gente dirigente empresarial portuguesa tem um desenvolvimento cerebral e uma capacidade de raciocínio que não me parecem superiores às de um aluno que acabou de concluir o nono ano. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fico chocado com tal indigência, com tal mediocridade mental tanto mais dramática quanto é esta gente que gere as chamadas confederações patronais, que move milhões e milhões, que faz de Deus na terra, que negocia com os governos, gente que manda gente para o desemprego. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gente completamente incapaz duma ideia original. Como é que nos podemos espantar que o país tenha chegado ao ponto a que chegou? Eles lá vão recitando, lá vão falando de reformas, de flexibilidade e de todas essas tretas e, eu pergunto, quando é que reformam esta gente?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas acontecem sempre imprevistos. Nos testemunhos que ouvi hoje na televisão à saída das audiências com os representantes da ocupação estrangeira, houve um testemunho diferente, não percebi bem qual é que era a sua ideia, a verdadeira intenção, se é que havia intenção da parte do representante da confederação do Turismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597798530211541298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-gXSm18f8ZIo/Ta9gGtV2cTI/AAAAAAAAAzk/UbbR_louYpw/s400/predio-devoluto%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O homem tinha um ar cool, estava ali a ter os seus minutos de atenção mediática e fez um relato circunstanciado quanto às perguntas e comentários dos troiko-emissários. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo ele, os ditos emissários teriam manifestado o seu espanto pelo mau aspecto das casas, dos imóveis, dos prédios, das fachadas em Lisboa. Espanto tanto mais espantoso o desses senhores, acrescentou o sr. representante do turismo, quanto aqueles senhores estrangeiros achavam que Lisboa é uma cidade muito bonita, blá, blá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597798301068392562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 341px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-z6i8MtoaSUo/Ta9f5Xt3eHI/AAAAAAAAAzc/1snFDH-o05o/s400/PlacaEscadinhas%255B1%255D.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se era intencional, mas o representante do turismo conseguiu transmitir uma mensagem certeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos bom clima, clima aliás excepcional, temos património histórico, aliás património excepcional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos isso tudo, temos muitas outras coisas valiosas, mas está tudo em ruínas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maior parte dos bairros de Lisboa estão em ruínas, esses emissários da potência ocupante têm toda a razão. Mesmo alguns bairros que é suposto estarem num patamar mais elevado. Campo de Ourique, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite justamente, passei em Campo de Ourique. Este bairro há muitos anos que é considerado como o supra-sumo da cidade de Lisboa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que é um verdadeiro bairro, com vida própria, comércios, gente nos cafés, bons restaurantes, é uma zona viva desde há muitos anos. Passei, olhei e vi, constatei, as casas de Campo de Ourique têm um aspecto desgraçado. A arquitectura é de péssima qualidade, a maior parte das casas estão boas para deitar abaixo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho ido ao Porto, zona histórica, caminho com o maior cuidado pelos passeios, é que a maior parte das casas ameaça ruína.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apanho o comboio para a margem sul, passo pelas traseiras dos prédios que estão à vista. Vejo uma paisagem estarrecedora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terceiro Mundo, somos terceiro mundo, somos um país à imagem dos dirigentes, dos políticos, dos empresários, dos intelectuais, dos decisores e dos corruptos que o têm encaminhado para este estado de ruína.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597798074104142610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lZi7ucFcmCQ/Ta9fsKNX2xI/AAAAAAAAAzU/oCmiihJZjGQ/s400/Lisboa_SOS_105%255B1%255D.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Ruína que, sendo confrangedora, é também paradoxal, porque Portugal é um país de muita gente com talento, artistas, criadores, operários, fadistas, cientistas, arquitectos, padeiros, comerciantes, agricultores, enólogos, intelectuais, estudantes que estudam e se esforçam muito, jovens que se sacrificam para ter futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensei em tudo isto quando ouvi o relato dos comentários da troika transmitidos pelo aquele representante do turismo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hás as aparências, há as fachadas, umas são boas outras são péssimas, e depois há o que está por detrás de tudo isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por detrás, há sobretudo uma contradição muito pesada, um contradição aparentemente insolúvel entre o país velho dominado por chico-espertos incompetentes, medíocres e corruptos e o país novo com as suas novas gerações de uma nova época que não conseguem afirmar-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concluo, esta contradição não se vai resolver com salamaleques.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-5710616081774254419?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/5710616081774254419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=5710616081774254419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5710616081774254419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/5710616081774254419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/04/sinais-de-um-pais-em-ruinas.html' title='SINAIS DE UM PAÍS EM RUÍNAS'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-FYIedat2pRE/Ta9gvbwYVJI/AAAAAAAAAzs/fBGxADs9pi4/s72-c/terreiro_do_paco%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-4800469719216789286</id><published>2011-04-18T23:46:00.006+01:00</published><updated>2011-04-19T00:20:45.812+01:00</updated><title type='text'>DEUS E O CAPITALISMO</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há perguntas que, por mais extemporâneas que possam parecer, quando somos confrontados com certos factos e circunstâncias, não podemos deixar de as colocar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que foi Deus quem inventou o capitalismo? E, se foi Deus que o inventou, segunda questão, o que é Deus previu quanto ao desenrolar do seu certamente longo processo temporal de criação, expansão, refluxo e extinção? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer que tenha sido o seu inventor, é sabido que o capitalismo foi inventado num lugar da Europa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não foi em Portugal. Se bem que os nossos navegadores tenham preparado o terreno, D. Manuel I, chamado de venturoso, expulsou a elite portuguesa de Judeus portugueses lá mais para norte, perdoem-me o insulto, o homem era uma besta, estragou tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que, justamente, o capitalismo nasceu mais para norte, a geografia histórica desse parto está perfeitamente esclarecida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admitamos então, quanto ao capitalismo, a autoria divina. Criação divina, donc. A partir dos sete dias bíblicos, a história da criatura tornou-se muito acidentada e paradoxal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A certa altura, Deus decidiu na sua infinita sabedoria, provavelmente contra a opinião unânime dos seus assessores, exportar a criatura para países oficialmente anti-capitalistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grande é a força de Deus e, assim sendo, o capitalismo lá chegou em grande clima de sucesso à China, conquistou as máfias russas e o ex-KGB da ex-União Soviética e agora muito provavelmente prepara-se para se instalar em Cuba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca, como acontece a propósito desta história, terá sido tão verdade afirmar-se que os desígnios de Deus são misteriosos e insondáveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a questão do destino dos países antigamente comunistas convertidos ao capitalismo, essa não é a questão que me preocupa neste momento, je m’en fous pas mal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que gostava de perceber é muito mais simples. Se foi de facto Deus que inventou o capitalismo, o que é que vai fazer com o dito cujo daqui para frente, que destino é que Deus reserva ao monstro por si criado? Mais especificamente, que futuro é que a mente divina reserva à criatura no seu continente natal?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perguntará o leitor, mas a que propósito é que Deus é para aqui chamado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Peço desculpa, não fui eu que o chamei. É que outras pessoas muito mais ilustres, pessoas, que não é o meu caso, que estão ligadas à Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, mais concretamente duas dessas pessoas referiram-se publicamente nos últimos dias, em tom muito crítico, ao capitalismo.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597063741387921218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-z_fqTMKLX9M/TazD0XqlV0I/AAAAAAAAAy8/EauR15lHS8g/s400/alexandre-vi%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem, não foi só eu quem ouviu, o Cardeal Patriarca de Lisboa e de Portugal apontou na televisão um dedo tremendamente acusatório ao capitalismo selvagem. Mais palavra, menos palavra, hoje coube a vez ao Doutor Freitas do Amaral, distinto professor catedrático e principalmente fundador em Portugal dum partido afecto à democracia cristã, proferir acusações do mesmo teor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nenhuma destas personalidades é luterana, e isso não me admira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que, a haver uma relação de progenitura entre Deus e o Capitalismo, nessa relação o pai será sempre o Deus protestante e nunca o Deus católico. A razão é conhecida, capitalismo rima com ética protestante, capitalismo não rima com ética católica, Max Weber dixit.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597064340246090850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-t5-J22O3YyY/TazEXOlf1GI/AAAAAAAAAzM/hP97EDXWDZ4/s400/Die_protestantische_Ethik_und_der_Geist_des_Kapitalismus_original_cover-9658%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estaremos então, pergunto eu, estaremos perante um ajuste de contas histórico, histórico entre os históricos, entre as duas grandes correntes de pensamento dominantes desde há muitos séculos na história da Europa e não só?&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597064151827593570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 340px; CURSOR: hand; HEIGHT: 353px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-_KSFhYvsC08/TazEMQrBuWI/AAAAAAAAAzE/Q1EyBX2LtKg/s400/Martinho_Lutero%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Presume-se, e é o mais rovável, que se possa tratar de um ajuste de contas intra-europeu entre o norte próspero, arrogante, rico e protestante e o sul falido, vencido, pobre e católico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;My God, que guerra desigual! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que estamos em terrenos de religião, tenhamos alguma esperança, nunca se sabe, pode ser que essa guerra acabe por ser uma espécie de guerra entre Golias e David. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como é público e notório, no confronto entre esses dois personagens bíblicos, quem ganhou foi o David.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contra-argumento, isso passou-se noutra época. O David era então um jovem muito ágil, inteligente e astuto, um jovem muito atrevido, um jovem com todo o futuro à sua frente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me parece que isso se possa repetir, não tem nada a ver com o patético episódio guerreiro que opõe agora os decadentes países mediterrânicos situados no lado pig da Europa aos verdadeiros europeus, aos europeus do norte, finlandeses, nórdicos, alemães, esses sim, verdadeiros campeões europeus do capital.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Capitalistas em versão original, vitaminados with the original God on their side.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O desfecho está à vista, vamos acabar esmagados, sem tempo para perceber o que é que vai passar a seguir.&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597063127313659810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bf7Xh3u_zKA/TazDQoD3t6I/AAAAAAAAAy0/8pQPgOf2rfE/s400/davi-e-golias%255B1%255D.jpg" border="0" /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais provável é que se trate de uma nova nova guerra dos cem anos e que muitos dos soldados rasos apanhados em batalha não tenham oportunidade para conhecer os próximos episódios desta sádica história bíblico-capitalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3041432551316661861-4800469719216789286?l=a-bela-moleira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/feeds/4800469719216789286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3041432551316661861&amp;postID=4800469719216789286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4800469719216789286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3041432551316661861/posts/default/4800469719216789286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://a-bela-moleira.blogspot.com/2011/04/deus-e-o-capitalismo.html' title='DEUS E O CAPITALISMO'/><author><name>Mário Leston Bandeira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11269278212039870023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-z_fqTMKLX9M/TazD0XqlV0I/AAAAAAAAAy8/EauR15lHS8g/s72-c/alexandre-vi%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3041432551316661861.post-1255480363182148</id><published>2011-04-18T00:41:00.003+01:00</published><updated>2011-04-18T00:49:55.347+01:00</updated><title type='text'>O PLÁSTICO VERDE NO CHÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Durante a semana e por vezes também aos domingos, há cidades onde há mercados de portas abertas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No universo urbano em que vivemos, além dos mercados, existem ainda alguns espaços públicos que escapam à ditadura centro-comercial da grande distribuição, espaços e actividades livres dessa ditadura big brother com pipocas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, já não se vai ao cinema, vai-se ao centro comercial e, depois, sabe-se lá, talvez haja algum filme para ver…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente, temos teatros onde muita gente se dedica a essa nobre arte, felizmente, ainda temos alguns mercados. E, por vezes, os mercados parecem-se muito com os teatros. Mas teatro é teatro, mercado é mercado, não confundir as cenas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando falo de mercados, não me estou a referir obviamente aos hiper ”mercados”, falo de sítios públicos com portas abertas para a rua por onde se pode entrar directamente até às bancas das vendedeiras, dos vendedores, cebolas, batatas, peixe, carne, queijos, figos secos, flores, piri-piri, queijos frescos, o sal da vida, eis a vida dos mercados. Lugares que não têm caixas registadoras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este domingo, fui então ao mercado. Não sou de hipers, causam-me tonturas com o seu ambiente sonoro de música de elevador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;À mesma hora deste domingo, estou certo que muito mais pessoas preferiram os hipers mais próximos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros, porque era domingo e por razões que são de cada um e que eu muito respeito, estavam a rezar em alguma igreja. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, como estava bastante calor e que o Verão se perfila, provavelmente a maior parte dos dominicantes estaria a ver o mar, mais ou menos despidos à disposição do sol e dos olhares alheios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente em Portugal não nos falta oceano, não nos falta sol, temos sol e bom tempo na maior parte dos 365 dias do ano, não nos podemos queixar muito da natureza. Falta-nos dinheiro, falta-nos emprego, não temos bons políticos. Queixemo-nos, antes, dos homens e de nós próprios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproveitei então este domingo agradável e ensolarado para ir ao mercado, tinha umas compras em vista, além do mais, gosto do ambiente propriamente dito. É um dos últimos sítios onde as pessoas se encontram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;À entrada do mercado havia algum aparato, uma ambulância e um carro da emergência médica, com as lanternas acesas com aqueles sinais azuis que se acendem e se apagam. Presumi que devia haver algum problema. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entrei, mas estava tudo calmo, o movimento era natural, os clientes avaliavam a mercadoria, os vendedores atendiam os clientes. Lá comprei um peixinho, mais uns legumes e uma fruta, nada de mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuei no meu périplo, talvez um queijito, talvez um pão e lá fui observando o movimento. Havia muita gente, mas sem atropelos, tudo muito calmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Virei à direita, deparei com um polícia, alto lá, o homem não disse nada, apenas estava ali no meio do corredor, vi a farda, percebi que não podia continuar a andar naquela direcção, havia ali um espaço vazio onde não passava ninguém. Vi também que, do outro lado, estava outra farda, era uma agente da polícia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensei, há dois polícias e entre os dois está um espaço onde ni
